Seculo

 

Projetos integram turismo e meio ambiente no Espírito Santo


03/10/2013 às 10:38
Fotos: Gustavo Louzada/Agência Porã
 
São 10h de um terça-feira (1) quente, o sol entre nuvens, no Parque Paulo César Vinha, em Guarapari. Entramos na Trilha da Restinga, a principal do parque e que, como o próprio nome indica, atravessa sua vegetação característica, uma espécie de floresta baixa, que não obstrui a luz do sol, fazendo da caminhada uma atividade um tantinho mais cansativa. 
 

Quem nos conduz é André Falcão, monitor do parque, estudante do sexto período de Biologia da Universidade de Vila Velha (UVV) e um dos contemplados do edital de valorização do patrimônio natural do Espírito Santo, da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). O dispositivo selecionou seis projetos, que receberam R$ 25 mil (quatro) e R$ 50 mil (dois). André recebeu R$ 50 mil.
 
O projeto de André prevê a implantação de ua terceira trilha no parque, a Trilha da Capivara. As outras duas são a supracitada Trilha da Restinga, uma linha reta de 1,5 quilômetro que desemboca na praia, de frente para as Três Ilhas, e a Trilha da Clúsia, que, com formato em U, possibilita ao visitante um contanto mais estreito com a natureza.
 
A Trilha da Capivara avança no potencial turístico do Cesar Vinha, inserindo no circuito a Lagoa dos Caraís - que o batismo popular chama de Lagoa da Coca-Cola.  
 
“A gente viu que a lagoa, apesar de ser bastante utilizada para turismo, ainda tem muita coisa nela que o público ainda desconhece”, diz André. A trilha vai partir de um ponto da Trilha da Restinga. Um deck de 50 metros vai se projetar sobre a lagoa. O deck foi escolhido para evitar o aterramento da área e não causar tanto impacto ao ambiente. 
 
Depois vem a atração principal: o passeio de caiaque. O projeto prevê cinco caiaques, num passeio para 10 pessoas (incluso o monitor). André contabiliza cerca de um quilômetro de passeio, que deve durar cerca de 40 minutos, até o ponto final, na praia. 
 
“Os visitantes vão andar em meio a uma paisagem praticamente intocada, tudo por caiaque”, explica. Com sorte, os visitantes podem se deparar com capivaras e iraras, animais que dificilmente ocorrem fora da lagoa.
 
Morador de Guarapari, Andre freqüenta o Parque Paulo Cesar Vinha desde criança. Em dezembro, virou monitor. Ele conta que a ideia nasceu de um grupo do próprio parque, com a ajuda com Instituto Capixaba de Ecoturismo (ICE), todos buscando novos atrativos. 
 

O único dilema que o projeto enfrenta hoje é quanto à instalação do ponto de partida. Eles oscilam entre duas opções, analisando qual significaria menos impacto à flora e fauna local. “O mínimo que a gente puder tocar é melhor”, diz. 
 
Pelo grau de impacto, a Trilha da Capivara será a única com obrigatoriedade de acompanhamento de monitor e a única que será paga, para a manutenção dos equipamentos (deck, caiaques). O valor deve grar em torno de R$ 20. Também de olho no impacto, haverá restrição do número de grupos por dia. André prevê para dezembro a estreia da nova trilha.
 
Ilha das Margaridas
Em Vitória, o membro do Instituto Capixaba de Ecoturismo (ICE) Felipe Ramaldes foi contemplado com o projeto Visita Monitorada de Educação Ambiental no Sítio Arqueológico da Estação Ecológica Municipal Ilha do Lameirão: Rota da Ilha das Margaridas, localizada na Ilha das Caieiras, que ganhou R$ 25 mil. 
 
O projeto completa ações do Ecobase Ilha das Caieiras, projeto já em andamento, também tocado pelo instituto e cujo objetivo é incrementar a renda das comunidades tradicionais através do ecoturismo. O projeto qualifica jovens e pescadores da região para atuarem como condutores, ajudando na fiscalização da Unidade de Conservação Estação Ecológica Municipal Ilha do Lameirão (EEMIL).
 
Já foram elaborados três roteiros para visita monitorada ao manguezal da EEMIL. O projeto instala um quarto roteiro, a visita ao Sítio Histórico da Ilha das Margaridas. Felipe explica que o projeto será formatado até dezembro, com o auxílio de um arqueólogo, e finalmente apresentado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). 
 
Em relação aos moradores da comunidade, o projeto espera atingir 30 pessoas, além de atrair uma média de 30 turistas por semana.
 
Itaúnas e Regência
As mais charmosas vilas litorâneas capixabas também foram contempladas em dois projetos de turismo de base comunitária. Em Itaúnas, Conceição da Barra, sabidamente um dos destinos turísticos mais procurados do estado, o técnico em Guia de Turismo e monitor ambiental do Parque Estadual de Itaúnas Erikis Fonseca está à frente do Projeto Itaúnas Turismo Sustentável, contemplado com R$ 50 mil.
 
“O objetivo é organizar um grupo de jovens da comunidades para desenvolver trabalhos de ecoturismo, turismo pedagógico e educação ambiental no Parque Estadual de Itaúnas (PEI) e seu entorno, conciliando educação com conservação da natureza e geração de renda”, diz Erikis, que há 21 anos mora em Itaúnas. A intenção é iniciar o projeto ainda este mês.
 
Erikis conta que um grupo de jovens condutores locais organizou o Grupo de Condutores Ambientais com a ideia de desenvolver trabalhos de ecoturismo, turismo pedagógico e educação ambiental com as comunidades locais no parque. Mas o grupo não tinha recurso para pôr as ideias em prática. O coordenador-geral do parque, Lauro Narciso, orientou-os então a participar do edital.
 
Em Regência, Linhares, também no norte do Espírito Santo, o oceanógrafo do Instituto Ecológico LunarMaria Lucas Bermudes de Castro busca identificar potenciais, e ainda não explorados, roteiros náuticos na região da Foz do Rio Doce. Morador da vila, Lucas diz que a ideia nasceu da simples convivência com a comunidade. O projeto recebeu R$ 25 mil.
 
Ele explica que já definiu pontos de interesse e está em processo de formulação de um inventário da fauna e flora local. Lucas diz ainda que pretende realizar outro inventário, agora relativo aos potenciais turístico da vegetação de restinga.
 
Como iniciativa turística de base comunitária, a comunidade local é o pivô do processo, razão pela qual receberá ações de treinamento. “O objetivo também é divulgar o ecoturismo em Regência, por meio da criação de peças publicitárias e propagandas online (site e redes sociais)”, destaca Lucas. Ele diz também que o projeto já está em andamento, assim como palestras para qualificação da comunidade.

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