Seculo

 

HQ Veneno Paraíso mistura cores e texturas sinestésicas


24/01/2014 às 10:51
Veneno Paraíso é uma explosão de cores, rabiscos, formas, texturas e letras. Mas todo esse caos é organizado para contar a história de um casal peculiar que nos é apresentado antes do livro começar. Ela é Penélope, dançarina de boate, olhos de ressaca e cabelos inconstantes. Ele, não se sabe o nome, mas é jornalista, alto, magro demais e cabelos bagunçados por debaixo do chapéu. 
 
A história em quadrinhos, que não é estruturada em quadros, obedece às próprias regras e extrapola a página formando verdadeiros painéis independentes. Os quadros se misturam e o texto é como um guia em primeira pessoa, que, no caso, é a voz e os pensamentos do jornalista. 
 
As responsáveis pelas ilustrações são as artistas Isabela Bimbatto e Ayla Lourenço. O roteiro ficou por conta do escritor João Chagas. Apesar de ser um pequeno episódio, as imagens são tão vivas que realmente passam a impressão de movimento, como num filme. A riqueza de detalhes lhe força a ficar muito tempo nas páginas, para observar cada nuance desse filme psicodélico – ou seria melhor sonho psicodélico.  
 
As texturas e cores das ilustrações dão uma sensação de sinestesia. Apesar do colorido, a HQ tem um clima pesado e um suspense, que transfere bem a tensão entre o casal. Entretanto, a cada página esse clima se mantém ou muda completamente, assim como a personagem Penélope, que tem a personalidade tão variável quanto as cores do seu cabelo. 
 
Penélope é cativante e sensual. A princípio parece não se interessar pelo jornalista e muito menos pela sua entrevista, sempre respondendo um “dissimulado não sei”. Mas não demora muito para ela tomar conta da situação e fazer com que as coisas sejam do seu jeito. 
 
Ao final, a história se assemelha mais a uma lembrança, que não tem ordem e nem dimensão e é preenchida pela imaginação.
 
 
Serviço
Veneno Paraíso
Ayla Lourenço, Isabella Bimbatto
e João Chagas
Secult
33 páginas
Contato: ayla.lou@gmail.com

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