Seculo

 

Pior que
está, fica!


26/06/2014 às 16:01
Duas notícias recentes envolvendo as principais poluidoras do Estado, Vale e ArcelorMittal, indicam previsões nada animadoras paras os capixabas. A mineradora colocou já há alguns dias sua oitava usina em fase de testes e pretende operá-la no segundo semestre deste ano. Já a Arcelor anuncia que irá religar, até o próximo dia 8, seu alto-forno 3, parado desde 2012. As medidas resultarão num incremento e tanto na produção. Ou seja: aumento da poluição do ar e muito mais impactos aos moradores da Grande Vitória.
 
Em números, significa o seguinte: a produção anual da Vale saltará de 25 para 33 milhões de toneladas de pelotas de minério; e o alto-forno da Arcelor operará em sua capacidade máxima, ao todo 2,8 milhões de toneladas de ação bruto por ano - a usina Tubarão produz, no mesmo período, 7,5 milhões de toneladas.
 
As empresas e o governo do Estado, para justificar os projetos de expansão, propagam o discurso de que iniciaram medidas para minimizar os inúmeros impactos e, por isso, a poluição do ar não irá aumentar na Grande Vitória. Quem cai nessa conversa? É subestimar a inteligência da população. 
 
Os licenciamentos concedidos às poluidoras, sempre de maneira ágil e sem obstáculos, ignoram os alarmantes índices de poluentes emitidos dia e noite no ar da região e que, além de gerar danos materiais e à saúde dos capixabas, oneram o poder público, com gastos para tratamentos no SUS. 
 
Todas essas questões são constantemente levantadas por entidades e representantes da sociedade civil, inclusive com ações na Justiça que têm a Vale e a Arcelor como réus. E embora já tenha surgido algumas decisões favoráveis, como a determinação de perícia para quantificar a poluição da mineradora, ocorrem em marcha lenta, principalmente se comparados à velocidade com que essas expansões ocorrem. 
 
Ainda mais em ano eleitoral, quanto a questão vira moeda de troca em negociações entre as poluidoras e a classe política, que adora levar uma bela fatia do bolo dos financiamentos privados de campanha.
 
Quer dizer, até o final da tramitação desses processos judiciais, as poluidoras continuarão mandando e desmandando no Estado, com consentimento do governo, enquanto os capixabas e o meio ambiente amargam os prejuízos, em escala crescente. 
 
Só tem um jeito: sentar e chorar!
 

Manaira Medeiros é mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local e especialista em Gestão e Educação Ambiental
Fale com a autora: manaira@seculodiario.com

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

SOCIOECONÔMICAS
Fazendo escola

Temer em Brasília, Hartung e Luciano Rezende no Espírito Santo: retaliações a quem anda “fora da linha” nunca estiveram tão na moda como agora

OPINIÃO
Editorial
Em causa própria
Promotor Marcelo Zenkner usa cargo público para promover projeto pessoal
Piero Ruschi
Festa de fachada
Comemoração da Sambio evidencia que o Museu Mello Leitão segue precisando de verdadeiros amigos
Renata Oliveira
Pela emoção
Magno Malta sempre tem uma carta na manga para a disputa eleitoral. Mas desta vez o cenário é diferente
JR Mignone
O repórter e a polícia
A vítima não foi repórter, foi a professora
Caetano Roque
Inversão de papéis
O movimento sindical foi dar uma de direita e agora perdeu o caminho da rua
BLOGS
Blog do Phil

Phil Palma

Um homem nu.
Flânerie

Manuela Neves

Sizino, o pioneiro
Panorama Atual

Roberto Junquilho

O cinismo explícito e a esperança de fora Temer renovada
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

O tempo entre as vírgulas
Gustavo Bastos
Blog destinado à divulgação de poesia, conteúdos literários, artigos e conhecimentos em geral.
MAIS LIDAS

Promotor com trabalho atrasado está prestes a ser premiado para passar um ano nos Estados Unidos

Grupo de Luciano tenta sufocar oposição com corte de cargos

Fazendo escola

PP classifica como 'desproporcional' críticas de vereador contra Hartung

Hartung e Casagrande seguem disputando espaço no interior