Seculo

 

Órfãos


30/10/2014 às 17:35
O fim do processo eleitoral deste ano deixou claro, mais uma vez, que a questão ambiental não é e nunca foi prioridade da classe política local e nacional. Embora de extrema relevância para a população, tanto nas disputas majoritárias quanto proporcionais, o assunto passou longe de se consolidar como pauta de campanha ou bandeira. O mínimo que se falou, logo virou pó. Empresas poluidoras, governos e políticos omissos, todos ficaram livres de qualquer cobrança ou constrangimento. Ótimo para eles, péssimo para a sociedade. 
 
Na disputa presidencial, chamou atenção que esse debate não tenha recebido a devida atenção mesmo em meio à crise da água em São Paulo, e com as presenças na disputa da ex-ministra de Meio Ambiente, Marina Silva (PSB), que reivindica para si o título de ambientalista, e de Eduardo Jorge (PV) e Luciana Genro (PSOL), candidatos apresentados como independentes. 
 
A crise da água, quando discutida entre a presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) e o tucano Aécio Neves, principalmente no segundo turno, foi muito mais no sentido de apontar a incapacidade de planejamento de gestão do governo tucano, do que tratar da problemática ambiental em si. 
 
E olha que há uma lista de problemas que caem na conta dos principais candidatos. Dilma, definitivamente, não adotou o meio ambiente como prioridade do seu governo; Aécio nunca escondeu que era o “candidato do agronegócio”; e Marina Silva compôs chapa com Beto Albuquerque, financiado por empresas rejeitadas pela Rede Sustentabilidade e um dos principais articuladores, no Congresso Nacional, da liberação dos plantios de soja transgênica. Isso só para citar os pontos principais. 
 
No Espírito Santo, o mesmo cenário se repetiu, e não foi por falta de necessidade ou urgência. Embora abrigue poluidoras como Vale, ArcelorMittal, Samarco, Belgo Mineira, Aracruz Celulose (Fibria), Jurong, etc, etc e etc, o debate ambiental se resumiu às tentativas da candidata do PSOL ao governo, Camila Valadão, criticar o modelo econômico atual e os projetos semelhantes defendidos pelo governador eleito Paulo Hartung (PMDB) e o atual Renato Casagrande, que beneficiam os grandes empresários. O assunto, obviamente, também não repercutiu. 
 
No campo da disputa ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa, pior ainda. O meio ambiente foi termo raro, perdido entre falas rápidas e superficiais. 
 
Os financiamentos de campanha explicam...

 

Manaira Medeiros é mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local e especialista em Gestão e Educação Ambiental
Fale com a autora: manaira@seculodiario.com
 

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

OPINIÃO
Renata Oliveira
Mau negócio
Quando Casagrande e Hartung passam a polarizar o cenário, a política capixaba deixa de ser interessante para a Odebrencht
Geraldo Hasse
O despudor do poder
O marqueteiro-mór pagou multa de R$ 30 milhões à Justiça, deu depoimento e saiu rindo
Lídia Caldas
Por que engordamos?
Estamos ingerindo muito carboidrato de má qualidade. Fomos viciados pela indústria de alimentos em gordura saturada, açúcar e sal
BLOGS
Blog do Phil

Phil Palma

Imperdivel! Já em cartaz!
Flânerie

Manuela Neves

Nenna, em transição
Panorama Atual

Roberto Junquilho

A Odebrecht quebrou a "Omertá", e agora?
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Nossa Terra, nossa gente
Gustavo Bastos
Blog destinado à divulgação de poesia, conteúdos literários, artigos e conhecimentos em geral.
MAIS LIDAS

Candidatura individual para a Mesa Diretora indica nova realidade na Assembleia

TJES fará nova sessão de escolha em concurso para cartórios de 2006

Vereadora protocola indicação para nova licitação de ônibus em Vitória

Justiça rejeita ação popular contra programa de rádio do prefeito de Marataízes

Polícia Militar antecipa reintegração de posse de área em Vitória