Seculo

 

Uma mão lava
a outra


12/11/2014 às 16:55
Como de hábito, as principais poluidoras do Estado investiram pesado nos candidatos das disputas majoritárias e proporcionais deste ano. Os eleitos assumirão seus postos a partir de 2015 já com essa conta e terão que quitá-la durante o mandato. Como? Com omissão, blindagem, favorecimentos, concessão de licenciamentos em tempo recorde e oba-oba. A estratégia mantém a classe política e o Estado reféns dos interesses do mercado econômico, e a população refém das consequências que inevitavelmente virão. No bom português, é o famoso rabo preso.
 
Ao contrário das eleições anteriores, a tentativa da Vale de se esconder por meio de suas subsidiárias não vingou. No Estado, a mineradora apareceu no topo das doações de campanha este ano, tirando da Aracruz Celulose (Fibria) a posição de campeã em injetar dinheiro no mercado político. A Vale destinou ao todo R$ 3,69 milhões a candidatos da majoritária e proporcionais, e a Aracruz R$ 1,64 milhão. 
 
A Jurong só compareceu na disputa ao governo do Estado, mas com quantias nada modestas, R$ 1,75 milhão, “batendo” inclusive a Aracruz, que pulverizou suas doações. Já a ArcelorMittal investiu R$1,5 milhão. Ou seja, ninguém economizou, e o retorno foi pra lá de satisfatório, pois a maioria saiu vitoriosa do pleito. 
 
Nessa brincadeira, as poluidoras garantiram a manutenção da relação com o governador eleito, Paulo Hartung (PMDB), com a bancada capixaba no Congresso Nacional – os 11 parlamentares foram financiados pelas poluidoras -, e mais da metade do plenário da Assembleia – de 30 deputados, 18 receberam dinheiro desas empresas. 
 
Para deixar claro, seguem os nomes: no Senado, Rose de Freitas (PMDB); e na Câmara, Sérgio Vidigal (PDT), Helder Salomão e Givaldo Vieira, do PT, Jorge Silva (PDT), Carlos Manatto (SD), Paulo Foleto (PSB), Max Filho (PSDB), Evair de Melo (PV), Marcus Vicente (PP) e Lelo Coimbra (PMDB). 
 
Na Assembleia, devem às empresas Hércules Silveira (PMDB), Guerino Zanon (PMDB), Padre Honório (PT), Marcelo Santos (PMDB), José Carlos Nunes (PT), Luzia Toledo (PMDB), Rodrigo Coelho (PT), Hudson Leal (PRP), Janete de Sá (PMN), Bruno Lamas (PSB), Gildevan Fernandes (PV), Sandro Locutor (PPS), Da Vitória (PDT), Eustáquio de Freitas (PSB), Euclério Sampaio (PDT), Erick Musso (PP), Dary Pagung (PRP) e Sérgio Majeski (PSDB).
 
Anote aí, pois são eles que devemos vigiar e cobrar. E muito, porque a farra está declarada. 


Manaira Medeiros é mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local e especialista em Gestão e Educação Ambiental
Fale com a autora: manaira@seculodiario.com
 
 

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Comentários

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OPINIÃO
Renata Oliveira
Mau negócio
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