Seculo

 

Ato contra Samarco/Vale reúne mais de mil pessoas em Linhares


04/12/2015 às 15:37
A Samarco e suas acionistas - Vale e BHP Billiton - foram alvos de mais um protesto no Espírito Santo. Nesta sexta-feira (4), véspera de se completar um mês do maior crime socioambiental do País, pescadores de 16 estados e entidades da sociedade civil fecharam um trecho da BR 101 e a ponte Joaquim Calmon, que corta o rio Doce, onde realizaram um abraço simbólico. Eles cobraram punição às empresas e soluções em relação à contaminação do manancial, que é fonte de subsistência e referência afetiva das comunidades. 
Com personagem vestido de morte e cartazes com frases de “Samarco Assassina”, “Desenvolvimento para quem?”, “Samarco sujou? Limpe!”, os manifestantes ecoaram gritos de ordem questionando o atual modelo econômico, que tem promovido a destruição ambiental e o “genocídio de pescadores e agricultores”. Destacaram, ainda, a necessidade de as comunidades defenderem o território e a pesca tradicional. 
Além das colônias do Estado, participaram do ato pescadores do Movimento de Pescadores e Pescadoras do Brasil (MPP), estudantes, militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e LGBT, e moradores do município. O protesto foi organizado pela Colônia de Pescadores Z-9, com convocação nas redes sociais. 
Na tarde desta sexta, os pescadores estão em Regência, onde está localizada a foz do rio Doce, que foi atingida pela onda de lama há duas semanas. No mesmo dia, os rejeitos encontraram o oceano. 
Segundo Manoel Bueno (Nego da Pesca), que preside a Federação das Associações de Pescadores e Aquicultores do Estado (Fecopes), a visita a Regência tem o objetivo de permitir a troca de experiências entre os pescadores da vila e de outros estados, que já passaram por situações semelhantes à atual. 
Com o crime da Samarco/Vale, as comunidades que vivem da pesca em Regência e Povoação estão sem alternativas de trabalho e apreensivas em relação ao futuro. Na vila, também está programada uma reunião com o Ministério Público do Estado (MPES) e Ministério Público Federal (MPF), às 18h30
Apesar da gravidade dos impactos a essas comunidades, os pescadores denunciam que têm recebido pouca visibilidade no caso, tanto da Samarco e suas acionistas quanto do poder público. 
Até agora, não têm qualquer garantia e vivem, por enquanto, do salário do defeso da piracema, que vai até fevereiro de 2016. No entanto, há muitos pescadores que ainda não são cadastrados e, impedidos de realizar a atividade, estão totalmente desamparados. 
Para que os pescadores recebam o básico capaz de garantir o sustento de suas famílias, a Fecopes entrou com ação na Justiça contra a Samarco/Vale, exigindo que as empresas indenizem cada integrante das colônias capixabas do rio Doce até sua foz, em pelo menos um salário mínimo (R$ 788,00). A entidade também requer danos morais. No entanto, as negociações com a empresa ainda não avançaram e uma nova audiência de conciliação foi marcada para o próximo dia 16.
A manifestação desta sexta também reivindicou a migração da pesca artesanal para o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA). Após a extinção do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), o setor foi realocado para o Ministério da Agricultura (Mapa), que atua em sentido oposto às demandas das comunidades tradicionais. A pasta é dirigida por Kátia Abreu, do setor do agronegócio e das grandes indústrias.

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

SOCIOECONÔMICAS
Tabuleiro de 2018

Ele já negou intenção de deixar o PT ou mudanças de planos, mas movimentações de Givaldo continuam chamando atenção do mercado político

OPINIÃO
Editorial
Fosso social
No Espírito Santo, população negra é mais vulnerável à violência, é maioria no sistema carcerário e nas filas de desempregados
Renata Oliveira
Solidão sem fim
A oposição de Majeski na Assembleia não encontra coro entre os pares, nem no grupo arredio
JR Mignone
Rádio bandeira
A trajetória deste segmento de rádio em capitais é grande
Caetano Roque
A força da CUT
É hora de a Central assumir sua função de agregadora dos trabalhadores e das bandeiras de luta
Geraldo Hasse
Os golpes se sucedem
Em plena era do GPS, a reforma trabalhista sugere multiplicar os ''chapas''
BLOGS
Flânerie

Manuela Neves

Quem me ensinou a nadar
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Fuga do Paraíso
Gustavo Bastos
Blog destinado à divulgação de poesia, conteúdos literários, artigos e conhecimentos em geral.
MAIS LIDAS

'Orgânico não tem que ser caro'

Tabuleiro de 2018

Conselheiro José Antônio Pimentel vira réu em ação penal por corrupção

Eleição da nacional alimenta divisão no PSDB capixaba

Cariacica pode ter redistribuição de votos para disputa eleitoral de 2018