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Audifax fecha com Casagrande e palanque à reeleição terá vice do PSB

Os fatos mostram mais uma vez que na política tudo é possível. Algumas semanas atrás, quem arriscaria suas fichas numa aliança entre o ex-governador Renato Casagrande e Audifax Barcelos? Havia um trauma quase irrecuperável entre os dois depois de o prefeito da Serra ter decidido trocar, sem pestanejar, o PSB pela Rede, justamente no momento em que Casagrande estava politicamente mais isolado.
 
Antes de migrar para o novo partido de Marina Silva, Audifax — durante a campanha eleitoral de 2014 — já havia dado sinais claros de que não se envolveria na disputa sangrenta entre Casagrande e Paulo Hartung (PMDB). Ficou praticamente neutro, para não dizer que algumas vezes quedou para a banda do peemedebista. Do lado do socialista, que esperava mais empenho do então correligionário, ficou aquele gosto amargo de traição. 
 
Mas na política, nada como um dia após o outro. A aliança que parecia improvável até outro dia se torna agora realidade. Casagrande vai subir no palanque do prefeito nesta eleição e concretizar uma aliança (PSB-Rede) que deve ser reeditada em outros municípios brasileiros, em alguns com a presença de um terceiro partido, que fecha a trinca PSB-Rede-PPS. 
 
A aliança entre Casagrande e Audifax também reservou ao PSB a prerrogativa de indicar a vice, que será a ex-secretária de Educação Márcia Lamas. Agora tudo clareou. Ela não se desincompatibilizou do cargo de secretária, como muita gente desconfiava, por acaso. Aliás, no momento em que o prefeito a convidou para sua equipe, já havia a hipótese de que Márcia poderia compor chapa ao lado de Audifax, o que inviabilizaria a candidatura a prefeito do deputado estadual Bruno Lamas (PSB), filho da secretária. 
 
A possibilidade da chapa Audifax-Márcia, naquele momento, causou apreensão dentro do PSB. Afastado do prefeito, a costura significava, na prática, deixar Casagrande sem palanque na Serra — um dos municípios da Grande Vitória no qual o socialista obteve boa votação e precisava fazer a manutenção do seu capital político.
 
Os ventos começaram a tomar outra direção recentemente, quando a jornalista Flávia Mingnone, marqueteira da campanha de Casagrande, passou a trabalhar no projeto de reeleição do prefeito serrano. A boa relação da jornalista com os dois tinha tudo para funcionar como um elo para aproximá-los novamente. 
 
A visita da presidenciável Marina Silva ao Estado, no início desta semana, também pode ter dado um empurrão importante para que essa aproximação se consolidasse.
 
Marina, na sua visita de 48 horas ao Estado, esteve reunida com Casagrande e Audifax. A idealizadora da Rede tem excelente relação com Casagrande, e a aliança PSB-Rede deve ter passado por essa conversa. 
 
Desde a eleição de 2014, quando a ex-senadora inicialmente compôs chapa com Eduardo Campos para disputar a Presidência da República —  depois assumiria a cabeça da chapa com a morte do socialista durante a campanha —,  a relação entre PSB e a Rede se fortaleceu. Marina não esconde de ninguém que a Rede pretende caminhar prioritariamente com o PSB e o PPS nas eleições deste ano, já pensando no seu projeto rumo à Presidência em 2018. 
 
Fatores externos à parte, o fato é que a aliança entre Casagrande e Audifax só avançou porque os dois perceberam que podem sair ganhando juntos. O ex-governador porque passa a ter um palanque forte no segundo maior colégio eleitoral do Estado. Ele ganha mais um “bunker” estratégico na Grande Vitória (já tem um na capital com Luciano Rezende, PPS). Para quem estava “a pé” na Serra até outro dia, a aliança com Audifax é revigorante e põe definitivamente o socialista na no mapa de disputa da Grande Vitória. 
 
Para o prefeito, dividir palanque com Casagrande também é um ótimo negócio. A aliança com o PSB atende a orientação da nacional da Rede e Audifax, de quebra, marca pontos preciosos com Marina, que deve ser uma importante agregadora de votos na disputa de outubro. 
 
Com a aliança, o redista também se livra do “leilão” imposto pelo governador Paulo Hartung, que ajeitava as peças no tabuleiro serrano para ter ao mesmo tempo o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) e Audifax nas suas mãos. Situação, aliás, desconfortável para ambos, que ficariam à mercê do jogo político do governador, que pode mudar a qualquer momento. 
 
Audifax deve reconhecer que Casagrande joga limpo, é transparente e não é do tipo que dá rasteira em aliados. De saída, um bom parceiro se comparado a Hartung. Convenhamos, uma aliança que dará muito mais tranquilidade ao prefeito numa disputa com Vidigal, que tem tudo para ser épica.

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