Seculo

 

Furando o olho


20/06/2016 às 17:28
A derrota do governador Paulo Hartung (PMDB) na sua manobra para excluir o ex-governador Renato Casagrande (PSB) das eleições de 2018, sobre ameaça da CPI dos Empenhos da Assembleia Legislativa, caiu por terra na reunião desta segunda-feira (20), que aprovou o relatório de Euclério Sampaio (PDT).
 
Mas ainda há uma chance, embora longínqua, numa nova manobra de última hora no Tribunal de Contas. Pois, ao que parece, essa decisão da CPI dos Empenhos é um passaporte para neutralizar as tentativas futuras. O resultado da CPI, que teve na relatoria o deputado Euclério, é a nítida demonstração, também, de que o pedetista saiu do campo de influência do governador Paulo Hartung.
 
Euclério deu uma meia volta para retornar ao papel que andou fazendo no segundo mandato de governo de PH: de ataques pontuais ao governo dele, como no caso específico do Posto Fantasma em Mimoso do Sul. Onde, verdade seja dita, só se consolidou pela forma com que tratou do caso o deputado Euclério. E a firmeza dele, agora nesse caso da CPI do Empenhos, que aponta para uma mudança do comportamento do pedetista em relação ao governo. 
 
Haveria situações que ajudaram nesse novo comportamento de Euclério? Eu vejo no caso do pedágio da Terceira Ponte que o deputado batia contra os seus reajustes. Vital a um político que tem reduto em Vila Velha.
 
E olha que o deputado esperou um bom tempo para que PH lhe desse cobertura nesse caso da Terceira Ponte.  Mas o governo acabou curvando-se à empresa na elevação do preço do pedágio, comprometendo, irremediavelmente, a sua campanha contra as tarifas abusivas. Para um deputado como ele que percebe situações que vão ao encontro ao interesse público, deve ter sentido, que não dá para estar na companhia de um governo que dá as costas a quem não está com ele.
 
Mas será que o desalinhamento de Euclério com o governo altera o comportamento dos demais deputados? A princípio não. O governador Paulo Hartung talvez seja o único neste País que não adotou o critério de negociar com o parlamento como ocorre com muitas câmaras municipais e prefeitos. Como aconteceu, sobretudo, com os últimos governos federais: Fernando Henrique, Lula e Dilma, e o faz agora também o presidente interino, Michel Temer, e a maioria dos governadores com suas Assembleias. 
 
E vejam que o governador Paulo Hartung ignora os deputados numa hora em que ele se acha em baixa com o seu funcionalismo. Com tendência de piorar ainda mais essa relação com o agravamento da política de austeridade. 
 
Mas, por ora, enquanto ele tiver aterrorizando a classe política, arbitrando quem é do mal e do bem, mantendo a frequência dos prefeitos em reuniões palaciana saindo dela sem alcançar qualquer de suas propostas, o governo vai ter que ficar de olho na Assembleia para que ela não seja contaminada pelas posições oposicionistas de Euclério.

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