Seculo

 

Rose 'tipo exportação'


21/06/2016 às 21:42
E a Rose de Freitas (PMDB), quem diria, chegou ao andar de cima da política nacional ao ser escolhida líder do governo no Congresso Nacional. Um resultado e tanto para uma liderança política que sempre manuseou bem a arte de pouso em campos ambicionados.  
 
Fazendo de uma liderança capixaba (muito embora tenha nascido em Minas Gerais) uma desbravadora constante de trilhas de acesso ao poder. Em termos de Congresso Nacional, onde o Espírito Santo não tem presença numérica para fazer uma primeira vice-presidente da Câmara dos Deputados, Rose manobrou bem e acabou virando a primeira mulher a exercer esse cargo no seu quinto mandato na Câmara.
 
E essa conquista na Câmara foi à custa do Centrão de Eduardo Cunha (PMDB), só que ela não exerceu sob tutela de Cunha. Controlou tão bem a situação que em pouco tempo tornou-se uma das favoritas da presidente Dilma Rousseff. Que deu resposta à candidatura dela ao Senado com verbas para os prefeitos de Rose. Foi por aí que ela começou a galgar as escadas para o andar no andar de cima da política nacional.
 
Contribuiu para galgar esse patamar a rejeição do governador Paulo Hartung nesse ambiente. Pautado, sobretudo, pelo descompromisso com o que tratava. Rose tornou-se o inverso de PH. Onde metia o bedelho dava conta. Principalmente quando se tratava de questões relacionadas ao PMDB. Cuja última arte de PH foi votar com o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves. 
 
Mas alguém pode dizer que PH, em contrapartida, emplacou Ana Paula Vescovi no governo Temer, mas o presidente interino deu um cargo correlato para um indicado do ex-governador Renato Casagrande. Enquanto isso, Rose ascendendo à liderança do Congresso Nacional, chegou  onde nenhum outro parlamentar capixaba chegou. 
 
Mas para alcançar o andar de cima Rose frequentou campos políticos de alto de alto risco, como o de Eduardo Cunha e do presidente do Senado Renan Calheiros. 
 
Bem, aqui no Espírito Santo Rose não pratica essas artes do poder que desenvolveu em Brasília. Movimenta-se de outra forma. E vive defensivamente. PH já quis pegá-la mais de uma vez. Mas não pegou. Ela sempre conquistou mandatos arrumando verbas federais para os prefeitos. 
 
Mas para o Senado teve que recorrer a ricaço paulista que o ex-senador Gerson Camata colocara na sua primeira suplência. O empresário Luiz Pastore, que nem no Espírito Santo reside, embora tenha o seu domicílio eleitoral aqui, garantiu o caixa de campanha de Rose, que sabia que não poderia contar com o apoio de Hartung
 
Essa Rose do Espírito Santo fica a luzes de distância da Rose de Brasília. Ironicamente, ela ainda não foi guindada ao patamar de cima da política capixaba. Aliás, aqui ainda não apareceu uma liderança para transitar nesse ambiente mais seleto. 

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