Seculo

 

Efeito dominó


28/06/2016 às 10:06
(Artigo originalmente publicado 17/06/2015) A crise econômica mundial, que iniciou nos EUA em 2008, com o colapso do crédito, dos mercados imobiliários e execução de dívidas, é apontada como uma das causas dos 4750 casos de suicídio naquele país.
Pesquisadores europeus apontam que o estresse emocional da recessão aumentam os problemas mentais, que elevam as taxas de suicídio, estabelecendo uma possível conexão de causa e efeito, sem desconsiderar outros fatores de risco associados.
Passados sete anos, observa-se que a economia norte-americana está mais saudável, apresenta redução do desemprego, enfim, retoma o crescimento, daí a pergunta: – algo poderia ter sido evitado?
O Brasil, no auge da crise, passou por uma dita “marolinha”, mas hoje muitos acreditam que estamos próximos de enfrentar uma “tsunami”, quando somamos  aumentos nas despesas familiares essenciais,  da inflação e dos juros, além de regras mais rígidas para o acesso ao crédito, sem esquecer a queda no poder de compra, a perda salarial e, principalmente, o aumento do desemprego, com os crescentes aumentos no fechamento de postos de trabalho, no endividamento e na inadimplência das famílias brasileiras.
Frente às situações de adversidade econômica, quanto mais postos de trabalho fecham, quanto mais os arrimos de família – desempregados – se sentem sem perspectivas, quando ficam em dificuldade ou em situação de descontrole financeiros, outras reações psicológicas se apresentam, tais como:  angustia, ansiedade, desânimo, desesperança.  Dessas reações derivam atitudes e comportamentos como o consumo abusivo de álcool e outras drogas, aumento da irritabilidade, conflitos familiares, incluindo, divórcios, que os tornam mais vulneráveis a atitudes extremistas.
É pela soma dos efeitos do cenário de crise econômica, aliado aos sentimentos projetados a partir dela, às reações psicológicas individuais e às atitudes adotadas, que se avalia o grau de vulnerabilidade à depressão, ao estresse e a cometer o ato de tirar a própria vida.
Trata-se de situação social complexa, que demanda uma abordagem interdisciplinar, intersetorial e em rede, pois não basta a Organização Mundial da Saúde traçar estratégias eficazes para a prevenção ao suicídio, se os profissionais da saúde não estiverem capacitados, sempre atentos a identificarem os casos de risco e a adotarem o manejo e, em períodos de crise econômica, redobrarem a atenção.
Além das intervenções terapêuticas específicas para o tratamento dos transtornos mentais consequentes, há a importância de o governo investir em políticas públicas de emprego para o mercado de trabalho, direcionadas à recolocação profissional, além de agir para manter e fomentar a criação de novos postos de trabalho.
No mesmo cenário de crise econômica global e, do outro lado da moeda, foi observado que em países como Áustria, Suécia e Finlândia não houve esse impacto da crise no aumento da taxa de suicídio na população. O investimento que esses governos fazem em programas para a reinserção/recolocação no mercado de trabalho é apontado como responsável por isso.
Vale à citação bíblica “tudo tem um tempo próprio: há um tempo para plantar  e um tempo para colher o que se semeou, (…) um tempo para destruir e outro para reconstruir”
 Faça a sua parte! Não sucumba ao efeito dominó.
 

Ivana Medeiros Zon, Assistente Social, especialista em Saúde da Família e em Saúde Pública,  educadora financeira, palestrante, consultora, colunista do jornal eletrônico www.seculodiario.com https://sites.google.com/site/saudefinanceiraivanamzon/

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

SOCIOECONÔMICAS
Sobrou

Ninho tucano no Estado já estaria pequeno para Colnago, Ferraço e Luiz Paulo. Em desvantagem, o ex-prefeito de Vitória. Será?

OPINIÃO
Editorial
Ruim da cabeça ou doente do pé?
Luciano Rezende quer acabar com o chorinho de Camburi, o Som de Fogueira da Lama e com o tradicional circuito do samba no Centro
Renata Oliveira
Pequenos detalhes, grandes problemas
Situações que antes não eram sequer cogitadas hoje trazem dores de cabeça ao governador Paulo Hartung
Lídia Caldas
Livre-se da armadilha dos rótulos
A informação é o melhor remédio contra a indústria
Geraldo Hasse
Marcha à ré nos biocombustíveis
O governo Temer desmancha os vínculos entre a Petrobras e os agricultores familiares
Caetano Roque
Discurso surdo
Não adianta fazer informativo sobre o golpe que fica restrito à fábrica. É preciso envolver a sociedade
Nerter Samora
Um novo Ministério Público
Renovação no quadro de procuradores de Justiça é oportunidade para novos grupos politicos
BLOGS
Blog do Phil

Phil Palma

pelas beiras!
Flânerie

Manuela Neves

Carmélia, um pouco mais dela
Panorama Atual

Roberto Junquilho

Os tanques de guerra e a marcha dos insensatos
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Sob o céu de Miami
Gustavo Bastos
Blog destinado à divulgação de poesia, conteúdos literários, artigos e conhecimentos em geral.
MAIS LIDAS

Advogada denuncia pressão de secretário de Meio Ambiente contra retomada do nome original do Revis Fradinhos

Sobrou

Urgência de projeto de cessão de PMs segue no Expediente da Assembleia

TJES condena Gratz e Gilson Gomes por esquema de diárias na Assembleia

MPES vai investigar reestruturação administrativa da Prefeitura de Viana