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Animais definham e morrem infestados por carrapatos na fazenda do Incaper em Linhares


21/07/2016 às 16:31
A morte de dois bovinos na fazenda do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) de Linhares é a demonstração das consequências desumanas que o corte de despesas na autarquia tem provocado. Nesta semana, dois animais que estavam na fazenda apareceram mortos, infestados por carrapatos.

Segundo a denúncia anônima, cerca de 30 animais foram transferidos da fazenda do Incaper de São Mateus – onde havia uma parceria com a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) para que os presos desenvolvessem atividaes pecuárias como processo de ressocialização – para a de Linhares por conta da seca em São Mateus e da falta de pasto para os animais se alimentarem.

Os animais já chegaram a Linhares magros, debilitados e infestados de carrapatos e, ainda assim, não havia condições para abrigá-los no local, e sim em outras fazendas que a autarquia tem pelo Estado.

Ao chegarem, não havia medicamentos para os animais, nem mesmo uma cerca que impedisse que os bovinos saíssem dos limites da fazenda em direção à BR-101, ou até currais adequados para que eles ficassem. Os medicamentos solicitados à diretoria da autarquia, que fica em Vitória, não foram enviados a tempo e, segundo a denúncia, alguns funcionários arcaram com recursos próprios medicamentos para os animais.

No entanto, dois desses animais morreram infestados por carrapatos. Ainda não se sabe a causa da morte dos animais ou se ela foi provocada pela falta de alimentação ou pelos parasitas.

Cortes

A morte dos dois animais na fazenda de Linhares do Incaper é só mais um reflexo da política de cortes vigente na autarquia. Nas fazendas do Incaper por todo o Estado faltam equipamentos de proteção individual (EPIs); as condições são precárias, com roedores no meio do armazenamento de alimentos; não há equipamentos de trabalho, que estão quebrados ou sucateados; e, ainda, falta combustível para que os técnicos façam visitas aos agricultores familiares.

Esse sucateamento vai levar o Ministério Público do Trabalho no Estado (MPT-ES) a entrar com ação contra o Estado questionando as condições de trabalho dos servidores do Incaper. O Sindicato dos Servidores Públicos do Estado (Sindipúblicos-ES) provocou o órgão ministerial apresentando a denúncia sobre as condições precárias da autarquia.

A reunião entre representantes do Sindipúblicos e do MPT em Colatina, no noroeste do Estado, aconteceu na última terça-feira (5). Depois do encontro, o diretor-presidente da autarquia, Marcelo Suzart de Almeida, enviou comunicação ao sindicato alegando que iniciou ações de intervenção, monitoramento e avaliações das citações “com o objetivo de proporcionar adequadas condições de trabalho para os servidores e melhor ambiente de atendimento para o público externo”.

A entidade lamentou que seja necessária a denúncia a órgãos fiscalizadores para que o governo Paulo Hartung (PMDB) ofereça condições de trabalho adequadas a servidores.   

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