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Em busca de sobrevivência política, Magno Malta muda perfil de atuação

O senador Magno Malta (PR) nunca escondeu seu perfil conservador, mas a linha seguida era bem clara, sempre esteve em consonância com seus ideais religiosos. Neste sentido, sempre se posicionou contrário às chamadas pautas polêmicas, como contra a liberação da maconha e do aborto, se colocando na defesa da “família tradicional'. Não que ele tenha abandonado essas pautas, mas de uns tempos para cá, mais precisamente depois do processo eleitoral de 2014, vem mudando seu perfil de atuação no Congresso Nacional.

Exemplo disso foi o projeto de lei “Escola Sem Partido”, que visa a impedir a discussão político-ideológica nas escolas, o que para os setores mais progressistas da sociedade, nada mais é do que uma tentativa de cercear o trabalho do professor e impedir o direito de livre expressão de toda a comunidade escolar. 

 
A mudança de perfil de Magno Malta tem uma explicação: a busca de sobrevivência política. Em 2014, o senador, que é presidente estadual do PR, tentou sem sucesso emplacar uma candidatura à presidência da República. Depois disso, sua popularidade Brasil afora foi diminuindo. 
 
No Estado, o partido encolheu. O PR, que elegeu em 2010 quatro deputados estaduais – Vandinho Leite, Gilsinho Lopes, José Esmeraldo e Glauber Coelho –, sendo Vandinho o terceiro mais bem votado, nas últimas eleições só conseguiu uma cadeira, com Gilsinho Lopes. 
 
Os outros deixaram o partido, quando Malta começou a fazer movimentos incertos no Estado e fora dele para a disputa. Primeiro sinalizou a intenção de disputar o governo do Estado, depois mudou o rumo para a candidatura à presidência, mas não teve respaldo do PR Nacional, que permaneceu na base de Dilma Rousseff
 
A grande surpresa aconteceu mesmo depois da eleição. Quando o senador, que até então era desafeto do governador Paulo Hartung (PMDB), recebeu o peemedebista para uma entrevista em sua rádio. Ali ficou selada a insólita aliança. Malta, que não era aceito no clube de aliados de Hartung, por ser visto como um político que combatia as elites capixabas, passou a defender pautas que interessam justamente a esse setor da sociedade. 
 
Com um crescente movimento conservador na sociedade brasileira, Malta parece ter visto aí um novo discurso de fácil assimilação, que pode lhe servir de palanque para a disputa à reeleição em 2018, quando o cenário parece ser árido para o republicano. 
 
Duas vagas estarão em disputa, a que ele ocupa e a do senador Ricardo Ferraço (PSDB), que tem se mexido no Estado e adquirido apoio político para construir o palanque à reeleição. Para piorar, Malta não sabe o que pode ter de enfrentar na disputa por sua cadeira. Pode ter pela frente, por exemplo,  tanto o governador Paulo Hartung quanto o ex-governador Renato Casagrande. Em ambos os casos, o páreo é duro. 

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