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A crise das classes sociais


26/07/2016 às 11:29
Dia desses ouvi uma pessoa “soltar” essa frase: “pobre vive de esperança”, que provocou uma reflexão sobre o seu significado.
 
A palavra pobre no dicionário Aurélio significa: “Desprovido ou mal provido do necessário. Que tem poucas posses. Que tem pouco dinheiro”, baseando-se na avaliação socioeconômica, na renda familiar, no acesso (ou não) a bens e serviços e também ao padrão de consumo.
 
Quanto à esperança, para os brasileiros, parece estar representada através da soma de características que lhes são peculiares tais como, sua essência otimista e a criatividade.  É acreditar que alcançará o desejado/necessário.
 
Avançamos no significado e chegamos aos estudos que sinalizam para ao fato de que estamos empobrecendo e perdendo ganhos conquistados nas últimas décadas. A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) divulgou um estudo que aponta que nos últimos doze meses, quase um milhão de famílias desceram ao menos um degrau na escala social, confirmando a inversão do processo de ascensão social vivenciado a partir de 2008.
 
O marco desta ascensão, principalmente, à classe C, perdeu força com o cenário nacional de recessão, com a queda na produção, no consumo, a inflação aumentando, o aumento do desemprego, e com isso, a crise se instalou. Quem não está vivendo este cenário diretamente, está assombrado pelo medo e a angústia de vivê-lo, o que tem contribuído para o aumento no adoecimento das famílias. 
 
A classe social que mais “engrossou” foi a C2, incluindo mais de seiscentos e cinquenta mil domicílios.  Ao “cair” da classe C1, cuja renda mensal é de R$2.700,00 para a classe C2, passa a ter uma renda mensal de R$1.600,00, representando uma redução na receita em torno de 40%.
 
E mais de 260 mil famílias caíram da classe C para as classes D e E, cuja renda mensal é na faixa de um salário mínimo.  
 
Esta queda na escala social retoma problemas socioeconômicos já conhecidos da população brasileira, iniciado pela queda na renda e/ou no poder aquisitivo, levando a redução no consumo, refletindo numa perda no padrão de qualidade alimentar, com a exclusão da lista de supermercado de itens como carne, leite e derivados, além de produtos da cesta básica, que são responsáveis pela manutenção da boa saúde. Além do fato de que esse cenário aumenta os atrasos nas contas mensais essenciais e no aumento do endividamento.
 
São mudanças necessárias para serem adotadas em períodos de crise econômica, tal como a atual.  Mas não basta apenas reagir à crise, é preciso elaborar um orçamento eficiente, se atentar para qualificar o consumo, evitando comprar a prazo e trabalhando exaustivamente para reduzir os gastos com as despesas fixas mensais, o que favorecerá tanto para a sobrevivência neste período, como também poderá possibilitar a formação de reservas.
 
Não é enxugar gelo, mas sim, focar no objetivo maior, que é preservar o padrão de consumo ao longo da vida e, estar preparado para passar por imprevistos da vida sem adoecer. 

Ivana Medeiros Zon, Assistente Social, especialista em Saúde da Família e em Saúde Pública,  educadora financeira, palestrante, consultora, colunista do jornal eletrônico www.seculodiario.com https://sites.google.com/site/saudefinanceiraivanamzon/

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