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Ecoturismo no Mestre Álvaro é estratégia de conservação ambiental


23/10/2016 às 09:20
Fotos: Junior Nass
 
O ponto culminante do litoral capixaba e um dos maiores da costa brasileira, o Mestre Álvaro, com seus 833 metros altitude, abriga também um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica de encosta do Espírito Santo, onde vive uma incrível diversidade de fauna e flora.

Somente a avifauna possui mais de 150 espécies registradas, segundo levantamentos da Associação dos Amigos do Mestre Álvaro. Chama a atenção também espécies raras de primatas, como o Macaco-prego e o Bugio, além de lontras e jacarés.

Mesmo sendo declarada desde 1991 uma Área de Proteção Ambiental (APA), o Mestre Álvaro sofre imensa pressão antrópica, devido, especialmente, à crescente especulação imobiliária e industrial.

Em junho deste ano, os mesmos amigos do Mestre Álvaro tiveram que travar uma árdua batalha para fazer a Câmara da Serra anular um decreto que permitia mudanças no Plano Diretor Municipal (PDM) com finalidade de permitir o parcelamento do solo nas áreas de alagados e turfas dentro da APA. Batalha vencida, mas guerreiros ainda de prontidão, pois sabem que os interesses contrários à conservação ambiental da área continuam acesos.

A vigilância dos amigos do Mestre Álvaro é alimentada cotidianamente por longas e curtas caminhadas e sessões de fotografia ao ar livre. O grupo, reunido nos últimos quatro anos, é formado por profissionais de diferentes áreas, mas que têm, em comum, o amor pelo lugar e um profundo conhecimento da região. A maioria é nativo do município, outros se mudaram há menos tempo, mas dedicam, igualmente, suas horas de lazer à vivência dentro de suas trilhas e mirantes.

Boa parte dos integrantes da Associação dos Amigos do Mestre Álvaro fez o curso de formação de condutores de ecoturismo oferecido pela prefeitura, e muitos têm a fotografia de natureza como hobby. Um deles é Junior Nass, que tem publicado seus registros fotográficos nas redes sociais e ajudado a organizar as trilhas guiadas até o cume do Mestre e das Três Marias.

Desde setembro, o grupo tem realizado as caminhadas ecológicas como forma de arrecadar dinheiro para a formalização da ONG, cujo estatuto está em fase final de elaboração e enfoca a educação ambiental e o ecoturismo como objetivos principais da futura entidade.

Além das trilhas já tradicionais, abertas há muitos anos pelos próprios moradores, a associação criou uma nova trilha, chamada de Pedra Grande, que vai até um mirante a 400 metros de altitude, de onde se avista toda a Serra-sede.

A trilha da Pedra Grande é voltada para pessoas com dificuldade de locomoção e crianças pequenas. No caminho, foram identificadas 14 espécies de árvores – como o jequitibá-rosa (foto abaixo), a boleira e a sapucaia –, havendo pequenas placas com explicações sobre a biodiversidade local.
 


A Associação também colaborou com a prefeitura na confecção de placas de sinalização que serão instaladas na Trilha Principal, ou Trilha Norte, que sai da Serra-sede e vai até o cume. Há outras duas trilhas até o topo do Mestre Álvaro e outras duas que levam ao cume das Três Marias, monte com 600 metros de altitude, também muito visitado.

Desde junho, com a inauguração da sede da APA, a promessa é de um novo impulso ao ecoturismo dentro da área de proteção. E, também, para o município como um todo, pois a Serra ainda não conta com nenhum ponto de apoio ao turista. A atualização do Plano de Manejo, em andamento, também pode favorecer as ações de conservação, incluindo a proteção das cerca de 70 nascentes.

Trilhas

A próxima caminhada ecológica organizada pela Associação dos Amigos do Mestre Álvaro será realizada na noite entre os dias cinco e seis de novembro. A saída é à meia-noite de sábado da Igreja Católica da Serra-Sede. O valor da inscrição é de R$ 10,00 por pessoa. A intenção é realizar um evento por mês.
 


Grupos fechados também podem procurar a Associação e combinar outras datas de passeio. A trilhas disponíveis são: Principal ou Norte: saída da Igreja Católica da Serra-Sede, quatro horas de caminhada até o cume do Mestre Álvaro; Furnas: saída de Jardim Tropical, também com duração de quatro horas até o topo;  Pitanga: cinco horas de duração até o cume do Mestre; Três Marias: saindo tanto pela Caixa d' água quanto pelo Restaurante, são três horas de caminhada até o alto do monte, com 600 metros de altitude; e Pedra Grande: caminhada de duas horas até um mirante a 400 metros de altitude (acessível para crianças, idosos e pessoas com dificuldade de locomoção).

À exceção da Pedra Grande, as demais trilhas são direcionadas para pessoas acima de 12 anos. Em todas as caminhadas, é expressamente proibido o uso de bebidas alcoólicas e recomendável o uso de roupas confortáveis e claras, tênis, boné ou viseira, repelente e protetor solar, além de um lanche leve e água.

Mais informações na página Amigos do Mestre Álvaro no Facebook e pelos telefones 99631-2337 (Junior Nass) e 99790-8261 (Bismark).

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