Seculo

 

Encontro do MAB fortalece luta dos capixabas atingidos pelo crime da Samarco/Vale-BHP


06/11/2016 às 20:00
“Venceremos!”, anuncia a pescadora Eliane Balke, de Barra Seca, no litoral de Linhares, norte do Estado. Mesmo após um ano de luta ainda infrutífera, pois sequer a sua região foi reconhecida como atingida pelo crime da Samarco/Vale-VHP, Eliane é uma das lideranças capixabas que voltam fortalecidas da Marcha Regência a Mariana e do Encontro dos Atingidos da Bacia do Rio Doce, promovido pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e entidades parceiras.

Cerca de 300 integrantes da caravana do Espírito Santo chegaram até o final do múltiplo evento, neste sábado (5), em Bento Rodrigues, o distrito de Mariana (MG), que foi completamente destruído pelos 50 milhões de metros cúbicos de resíduos de mineração que vazaram da Barragem de Fundão, rompida no dia cinco de novembro de 2015.

A Marcha teve início na segunda-feira (31), em Regência, e chegou em Mariana na quarta-feira (2). Na quinta, sexta e sábado, os manifestantes realizaram na cidade um Encontro dos Atingidos da Bacia do Rio Doce e encerraram a programação com uma marcha pelas ruas enlameadas de Bento Rodrigues.

Durante a Marcha, foram realizados vários atos, marchas e protestos nas comunidades onde os manifestantes passavam, sendo sempre muito bem recebidos pela população, que providenciou abrigo e alimentação.

A programação do Encontro foi preenchida por diálogos e atos de sensibilização e denúncia contra a inércia do Estado e da empresa em atender aos direitos das comunidades afetadas. O foco principal de todo o trabalho é a união de todos os atingidos, da Foz até Bento Rodrigues.

Eliane conta que, nesse sentido, foi muito marcante observar a questão da saúde. “Em todas as comunidades, as enfermidades são muito semelhantes”, relata, destacando os problemas de pele e também diarreias e alergias.

Ao longo de toda a semana, uma diversidade de sentimentos foi despertada entre os participantes. “Angústia e tristeza, mas também amor ao próximo e solidariedade”, pontua a pescadora. Mas no fim, prevalecem a certeza de que é preciso, acima de tudo, organização e luta.

União e luta são as principais bandeiras do MAB, ao longo de toda a sua existência. O Movimento tem provado que a integração é a única ferramenta realmente eficiente para proteger as comunidades das estratégias de desarticulação, marginalização e enfraquecimento orquestradas pela empresa, com a complacência dos governos. “Lutar e organizar, para os direitos conquistar”, recita, confiante, a pescadora Eliane, o conhecido grito de ordem do MAB. 

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

SOCIOECONÔMICAS
Cara e crachá

Uns publicaram vídeos e notas nas redes sociais, outros só notas, outros nada. Mas a CPI da Lava Jato continua na conta dos deputados arrependidos

OPINIÃO
Editorial
A Ponte da Discórdia
Terceira Ponte entra novamente no centro dos debates políticos em ano eleitoral. Enquanto isso, a Rodosol continua rindo à toa...
Piero Ruschi
O Governo do ES e seu amor antigo ao desamparo ambiental
Mais um ''Dia Mundial do Meio Ambiente'' se passou. Foi um dia de ''comemoração'' (política)
Gustavo Bastos
Conto surrealista
''virei pasta para entrar mais fácil na pintura de Dalí''
Bruno Toledo
Estado sem PIEDADE!
As tragédias que se sucedem no Morro da Piedade sintetizam as contradições mais evidentes e brutais do modelo de sociedade e de Estado que estamos mergulhados
Geraldo Hasse
Mundo velho sem catraca
Cinquenta anos depois, é possível fazer um curso técnico por correspondência via internet
Roberto Junquilho
Hartung, o suspense
O governador Paulo Hartung mantém o suspense e pode até não disputar a reeleição em 2018
BLOGS
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Entre a salada e o vinho
MAIS LIDAS

‘Lutava contra um sistema podre e falido com os braços amarrados. Agora estou livre’

Visita de interlocutores de Hartung a Rodrigo Maia sinaliza mudança de cenário

Juiz Leopoldo mais próximo de ir a Júri Popular por assassinato de Alexandre Martins

Hartung, o suspense

Contrato do governo do Estado com a Cetesb sobre poluição do ar continua sigiloso