Seculo


  • Lava Jato no ES

 

Acomodados


16/11/2016 às 10:38

A classe trabalhadora talvez não saiba, mas todos os eventos que culminaram com o impeachment da então presidente Dilma Rousseff surgiram após ela se recusar a fazer acordo com Eduardo Cunha, então presidente da Câmara, e companhia. Os dirigentes sindicais parecem ter assimilado os problemas decorrentes de enfrentar o patronato e preferem a negociação.

Para tentar minimizar essa prática tão lesiva à sociedade, o Diretório Nacional do PT baixou resolução para mudar todas as direções do partido no País, o que leva à mudança também para o setor sindical. É uma medida extrema, mas extremamente necessária para trazer as categorias de volta para a luta, para acabar com o comodismo. Enquanto os dirigentes se ocupam das brigas internas para a manutenção de poder, os empresários fazem o que querem.

Exemplo disso, é o que acontece com os Metalúrgicos, uma categoria que já foi uma das mais combativas do movimento sindical e vem aceitando medidas do patronal que acabam com os direitos dos trabalhadores. No último dia 3 de novembro, o sindicato patronal divulgou um informativo para a sua categoria, que abrange também os trabalhadores com uma série de ações que são combatidas pelo movimento sindical.

Entre as medidas estão o reajuste de 4% em janeiro de 2017 sem retroativo e reajuste de 1% em abril do próximo ano, sem retroativo, ambos incidindo sobre o salário praticado no mês de outubro deste ano. Também prevê a famigerada clausula de flexibilização de jornada de trabalho. O acúmulo de horas extras será feito na proporção de uma hora de trabalho por uma hora de descanso. A redução das horas de trabalho prevê também a redução dos salários.

Diante destas propostas nada vantajosas para os trabalhadores, espanta o silencio do Sindicato dos Metalúrgicos do Estado. Passados quase 15 dias da divulgação do boletim do sindicato patronal, até agora não houve qualquer reação da categoria. Como quem cala consente, fica a preocupação da coluna com a possibilidade real de o patronal estar dando as cartas na negociação sem a reação dos trabalhadores.

Sem uma mudança de postura da direção sindical, os patrões vão tomar conta não só desta negociação, mas de toda a relação de trabalho. É preciso que haja uma mudança agora. Os dirigentes precisam sair da zona de conforto e mobilizar a categoria antes que seja tarde demais.

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