Seculo

 

Desarticulando


29/11/2016 às 11:31

Quem tiver a curiosidade de parar por alguns minutos nas portarias das principais empresas do Estado, no momento da troca de turnos, vai observar um movimento interessante. As diferenças de sotaques denunciam uma manobra do capital à qual o movimento sindical deve ficar atento.

Boa parte dos trabalhadores que passa pelos portões dessas empresas não é do Espírito Santo, e a movimentação pelo País é grande. Isso é uma estratégia das empresas para desarticular os movimentos sindicais. Com a grande rotatividade de funcionários, os sindicatos perdem o controle da base e se enfraquecem.

No Estado, a diminuição das bases dos sindicatos é cristalina. O Sindicado dos Metalúrgicos, por exemplo, na década de 1980 tica cerca de 20 mil filiados. Hoje, esse cinco mil. O movimento dos empresários foi eficiente, primeiro dividindo a base, com o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e depois cooptando mesmo as lideranças do sindicato, que com o passar do tempo tiveram mais acesso às gestões da entidade. Com menor articulação política por parte do sindicato, mas fácil ficou para os empresários.

Essa estratégia de desmobilizar a base, trocando os trabalhadores de Estado é eficiente para o Capital, porque impede os laços com o movimento sindical, evita que os trabalhadores possam trocar ideias sobre suas condições de trabalho. Formação política, então, nem pensar. Deslocado de sua cidade, o trabalhador não tem tempo, nem relações interpessoais suficientes para buscar a aproximação com o movimento sindical.

Com isso, fica mais fácil para que o Capital possa influenciar em nível político as mudanças trabalhistas, os direitos fundamentais, sem ser incomodado pelo movimento, que uma vez desarticulado, não consegue unir forças para reagir ao rolo compressor do empresariado. Até mesmo na escolha da liderança da categoria a desmobilização funciona, garantindo a eleição de lideranças que fazem o jogo do patrão.

O movimento sindical está tomando um golpe tão profundo e devastador como o que sofreu o País com o impeachment e continua de braços cruzados olhando a banda passar.

E aí, peão?

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