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Marolinha vira tsunami


15/12/2016 às 15:43
A crise financeira global iniciada em 2008 com a quebra de alguns bancos nos EUA está controlada na sede do império capitalista, mas faz agora seus maiores estragos na periferia do sistema econômico mundial.
 
Aqui no Brasil, o que foi classificado como "marolinha" pelo presidente Lula transformou-se num tsunami que atinge as bases da pirâmide econômica, gerando inclusive vaticínios de que o país está na iminência de mergulhar numa convulsão social.
 
Os seis milhões de desempregados de 2008 são agora 12 milhões. Se considerarmos que cada trabalhador tem até cinco dependentes, o número de pessoas atingidas pela crise alcançaria a casa dos 60 milhões. Isso sem contar os subempregados, os trabalhadores avulsos e as diversas categorias de pingentes do nosso sistema econômico, entre eles os catadores de lixo, os dependentes de drogas e os mendigos. A tudo isso acrescentem-se 600 mil moradores de cadeias e presídios.
 
Estamos finalmente no fundo do poço, após dois anos de crescimento negativo da economia ou, seja, vivemos uma recessão que só livra parcialmente a cara de quem tem/tinha reservas em forma de capitais bem aplicados, bens de produção rentáveis, imóveis alugados, terras produtivas e cargos bem remunerados na iniciativa privada ou em instituições governamentais. A maioria da população ficou na chuva, como se diz.
 
Diante disso, o que faz o governo-tampão pós-Dilma Rousseff, impichada pelo Congresso com aval do Judiciário?
 
Começa retirando benefícios sociais como as bolsas pró-instrução básica que garantiam de 10% a 40% do salário mínimo a 11 milhões de famílias desamparadas...
 
Em seguida, apresenta ao Congresso projetos para engessar despesas orçamentárias, reformar o sistema de previdência pública (para favorecer a privada), eliminar garantias trabalhistas e deixar o país, enfim, nas mãos do Mercado, que nunca fez nem jamais vai fazer o que cabe ao Estado realizar – trabalhar pela distribuição da renda e pela redução das desigualdades sociais e geográficas.
 
Isentos de qualquer sentimento pró-igualdade, os operadores instalados no governo não pensam no óbvio, que seria congelar a nível zero as bolsas pró-bancos, cujos juros tóxicos contaminam a economia de alto a baixo.
 
A qualquer estudante ou a uma dona-de-casa medianamente instruída salta aos olhos que o modelo econômico brasileiro não terá sustentabilidade enquanto o governo não reduzir drasticamente a dívida pública, que se arrasta ano a ano, provocando uma sangria de recursos que deveriam ser aplicados em benefício da população, mas só beneficiam uma minoria que vive de aplicações financeiras.   
 
LEMBRETE DE OCASIÃO
 
"Do Orçamento Geral da União executado em 2015 – R$ 2 268 bilhões --, o gasto com a dívida pública (juros, amortizações e rolagem) foi de R$ 962,31 bilhões ou 42,43% do total."
 
Dados da Auditoria Cidadã da Dívida (www.auditoriacidada.org.br), a principal iniciativa civil em andamento para tirar o Brasil da crise.

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