Seculo

 

É chegada a hora: aposentar ou não aposentar?


27/12/2016 às 13:40
Em tempos em que empresas adotam planos de incentivos a aposentadoria para seus colaboradores e que o governo, a todo instante propõem novas regras previdenciárias, há um aumento no agendamento de pedidos de aposentadorias junto ao INSS, mas há que se esperar um pouco por esse dia “D”, já que a fila de espera está longa.
 
O INSS viveu um período de greve, que por si só já gerou atrasos no atendimento, análise e concessão de benefícios previdenciários aos segurados. Após a intensificação da discussão do Governo sobre a reforma previdenciária, o que já estava acumulado, agora se associou à correria para o agendamento de pedidos de aposentadoria, influenciada pelo medo destas mudanças na perda de direitos.
 
Essa correria aumenta a impulsividade e, consequentemente, o risco de agirem sem uma reflexão, planejamento e preparação prévios para a aposentadoria. Itens imprescindíveis para a tomada de decisão mais assertiva e como prevenção a problemas futuros.
 
O mais comum é encontrarmos trabalhadores que não se planejaram para a fase pós-aposentadoria, que não pouparam para garanti-la e também àqueles que quando estão elegíveis ao benefício, temem por seu futuro, por estar pautado apenas no valor do salário benefício. Dúvidas!
 
Seguindo as boas práticas para a fase da preparação para a aposentadoria, é importante ater-se ao necessário hábito de formar reserva financeira. Segundo indicador de educação financeira do SERASA EXPERIAN, em 2013, 48% dos brasileiros não faziam investimentos para a sua aposentadoria, o que precisa ser revertido.
 
Vale lembrar sobre as consequências advindas da impulsividade nesta fase, tais como o aumento do risco e da incidência de depressão nos aposentados, relacionada aos sentimentos de perda de identidade e de “inutilidade”, associados também à queda no padrão de vida e de consumo, em que a receita com a aposentadoria fica a cada ano mais insuficiente, numa curva inversa ao respectivo custo de vida.
 
Os relatos denotam sentimentos de frustração de pessoas que trabalharam a vida inteira, adquiriram bens durante a carreira profissional, almejando a independência financeira e, que muitas vezes, têm que se desfazerem destes para suprirem suas despesas básicas. É nesse cenário que chegam a frustração, a decepção e até o arrependimento de terem se aposentado. O que não tem como renunciar, pois o ato de concessão de aposentadoria é ainda irrenunciável.
 
Nesse cenário deve ser considerada ainda a questão envolvendo a (in)dependência financeira dos aposentados. Dados do IBGE, 2010, mostram que apenas 1% dos aposentados mantém o padrão de vida, 46% dependem do auxílio financeiro de parentes, 28% da caridade e 25% continuam trabalhando para complementarem a renda.
 
Torna-se indiscutível a responsabilidade dos cidadãos, das famílias e das empresas na preparação para a fase da aposentadoria. A exemplo das empresas que podem e devem estimular o desenvolvimento do PPA – Programa de Preparação para a Aposentadoria.
 
Àqueles que estão pensando em se aposentar, trabalhem concretamente nesta tomada de decisão, utilizando para a análise os aspectos trabalhistas/previdenciários, as reservas, conhecendo quanto receberão de aposentadoria, adequando o orçamento a esta nova receita, afinal, o que queremos como padrão de vida na aposentadoria: sobreviver ou ter qualidade de vida?


Ivana Medeiros Zon, Assistente Social, especialista em Saúde da Família e em Saúde Pública,  educadora financeira, palestrante, consultora, colunista do jornal eletrônico www.seculodiario.com https://sites.google.com/site/saudefinanceiraivanamzon/

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