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Banestes pode virar 'colchão' de Hartung


29/12/2016 às 19:15
A intenção de vender o Banestes é antiga. Passou a ser articulada em 2002, na gestão do então governador José Ignácio Ferreira. Nessa época, pasmem, o então senador e candidato ao governo pelo PSB, Paulo Hartung, era veementemente contra a venda. Hartung defendia que o problema do banco poderia ser solucionado com uma gestão eficiente. 
 
 
Em 2009, porém, o governador, no penúltimo ano do seu segundo mandato, mudou radicalmente de ideia, e passou a defender a venda do banco. O peemedebista participou diretamente das negociações frustradas para venda da instituição para o Banco do Brasil, que estava à época atrás de novas aquisições.
 
Hartung deixou o governo em 2010 sem conseguir se livrar do banco, mas os boatos de venda do Banestes voltaram a ser ventilados em 2012, no governo de Renato Casagrande (PSB). À época, Casagrande admitiu o interesse do Banco do Brasil em adquirir o banco, mas negou que tivesse intenção de vendê-lo.
 
Durante a campanha eleitoral de 2014, como tem acontecido em todas as trocas de governo, a possibilidade de privatização do banco voltou a ser especulada. Precavido, o Sindicato dos Bancários pediu que todos os candidatos ao governo assinassem um termo se comprometendo a manter o Banestes público e estadual. Hartung relutou em assinar o documento e foi cobrado publicamente durante um debate político na TV pela então candidata ao governo do Estado Camila Valadão. Pressionado, Hartung chegou a dizer que havia assinado o termo e que a assessoria da candidata do PSOL estaria mal informada. A polêmica ficou no ar, mas depois o Sindibancários esclareceu que o então candidato do PMDB não assinara o termo. 
 
Talvez Hartung tenha relutado tanto em firmar o compromisso porque sabia que mais cedo ou mais tarde decidiria vender o banco. Com um “superavitizinho” de R$ 40 milhões, como ele mesmo definiu o modesto saldo em caixa de 2016, Hartung teme que a crise desconstrua a imagem de gestor exemplar, o aluno nota 10, edificada nesses dois anos de governo. 
 
Ele mesmo admitiu que o saldo em caixa de R$ 40 milhões não equivale  nem a 10% da folha de pagamento mensal do funcionalismo público (R$ 460 milhões). Abertamente, Hartung já trata a venda do banco como uma realidade. Ele usa o caso do banco estatal paulista, o Banespa, privatizado em 2000, como exemplo bem-sucedido — um caminho natural dos bancos públicos estaduais.
 
Para não admitir que quer “fazer dinheiro” com a venda do Banestes, o governador adverte que o banco pode ser uma ameaça aos cofres públicos, já vazios. Hartung relembra que outros governadores tiveram que tirar dinheiro do orçamento para cobrir rombos no Banestes
 
Na verdade Hartung faria um colchão de cerca de R$ 1,5 bilhão com a venda da instituição. Não é uma quantia vultosa — mal daria para cobrir três folhas de pagamento do funcionalismo —, mas, em tempos de vacas esqueléticas, seria uma reserva interessante para quem fechou o ano com R$ 40 milhões em caixa e vislumbra um 2017 sombrio para a economia.
 
O temor de Hartung nesta metade de mandato que lhe resta é zelar pela imagem que construiu nesses dois primeiros anos. Ele se orgulha de ser reconhecido pela grande imprensa nacional e pelo mercado econômico como o único governador que até agora tem tirado coelhos da cartola para sobreviver à crise. O Banestes e a Cesan podem ser os dois últimos coelhos que lhe restam na manga.

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