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Tradições indígenas inspiram transição para alimentação natural


31/12/2016 às 20:07
A mandioca ou  aipim, castelinha, uaipi, macaxeira, mandioca-doce, mandioca-mansa, maniva, maniveira, mandioca-brava e mandioca-amarga são alguns termos usados para nomear o tubérculo. Eleita o alimento do século 21 pela ONU, a mandioca está no centro da alimentação tradicional dos índios americanos. Fácil de cultivar, versátil, altamente nutritiva, com baixo índice glicêmico e livre de glúten, é encontrada em todas as regiões do Brasil e durante o ano todo. Milho e outros tubérculos feculentos completam o cardápio básico dos povos originários das Américas – baseado nos vegetais frescos e encontrados localmente, em cada estação do ano.

Tão moderno e ancestral ao mesmo tempo. É que a roda do tempo gira e, muitas vezes, nos coloca novamente de frente com uma velha novidade, só que repaginada, adaptada às novas tecnologias, ao novo ritmo do tempo em questão ...

É nesse sentido que caminha o trabalho da dupla Lígia Sancio (culinarista) e Rafaela Brito Fardin (nutricionista): inspirar-se na ancestralidade alimentar ameríndia de propor uma alimentação vegana e orgânica/agroecológica, que atenda às necessidades de uma dieta mais saudável, não só individualmente, para as pessoas, mas igualmente saudável para o planeta como um todo.

“Nosso pressuposto é fazer uma boa alimentação, variada, colorida, local, orgânica e vegetariana. E ajudar as pessoas a fazerem isso na vida delas também”, resume Lígia.  Consciente da crescente procura por dietas sem glútens, com baixo índice glicêmico e com baixa ou nenhuma ingestão de proteína animal, a culinarista e a nutricionista buscam, em seus cursos, organizar, disponibilizar e trocar explicações culturais, territoriais e antropológicas que sustentem essa mudança alimentar.

“Não é só porque é fit, porque está na moda”, justifica Lígia, adepta do veganismo e da agroecologia há muitos anos. “É a alimentação como ato político”, emenda Rafaela

Da feira ao prato

O próximo curso da dupla será no dia 21 de janeiro, de 7h00 às 14h00, iniciando na feira orgânica do Barro Vermelha e seguindo para a Residência Vegana no bairro Santa Cecília, ambos em Vitória. A intenção é promover uma pequena vivência, envolvendo os participantes na aquisição, preparo e consumo dos alimentos.

A parte teórica irá enfocar as diferentes formas de cultivo e os benefícios de reduzir a presença dos industrializados e privilegiar os orgânicos/agroecológicos que, naturalmente, nos levam a respeitar a sazonalidade dos alimentos. Além da história do trigo, enfatizando que ele, isoladamente, não é o culpado pela epidemia celíaca que assola o mundo. Mas que, por outro lado, “nossas raízes ameríndias são essencialmente sem glúten!”

E tudo o que faz bem para o corpo individual, humano, reflete em benefícios também em escala global. “A alimentação é a primeira forma de comunicação coletiva do ser humano”, afirma Rafaela, que entende a consciência alimentar como a principal porta para uma percepção mais profunda e orgânica da sustentabilidade.

“Estar próxima da agroecologia, respeitar a sazonalidade dos alimentos ... tudo isso nos aproxima da dimensão ecológica. E o movimento vegano, ou a parte mais saudável dele, dialoga muito também com a conservação ambiental”, pondera Lígia. “É internalizar pra externalizar”, sintetiza a nutricionista.

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