Seculo

 

Acusando o golpe


05/01/2017 às 11:51

Abril de 2010, ficou marcado na história política recente do Estado como o “abril sangrento” de Ricardo Ferraço. O então vice-governador do Estado era cotado como o candidato do governador Paulo Hartung (PMDB) que o sucederia no governo do Estado. Até ali o que se alinhavava era que Hartung se desincompatibilizaria do cargo para disputar o Senado, abrindo espaço para que seu vice, na posse da caneta, disputasse uma reeleição ao governo.

Dias antes o então ministro José Dirceu teria desembarcado no Estado para uma conversa secreta com Hartung na Residência Oficial da Praia da Costa, mais secreta do que a que o governador teve com Michel Temer antes do pontapé para o impeachment de Dilma.

Nessa conversa, teria sido articulada uma aliança entre PMDB, PSB e PT, que tiraria Ciro Gomes da corrida presidencial em troca do apoio de PMDB e PT a seis candidatos a governos estaduais, incluindo Renato Casagrande (PSB) no Espírito Santo.

Assim Ricardo Ferraço, em suas próprias palavras, foi “consumido pelo fogo amigo”. Rifado da disputa ao Palácio Anchieta, foi consolado com uma cadeira no Senado. Agora, o sinal de alerta acende em seu grupo com a possibilidade de o governador Paulo Hartung migrar para o PSDB.

Em se tratando de Hartung, é muito cedo para cravar qual será seu caminho político em 2018, mas as movimentações já são suficientes para que Ricardo Ferraço deixe as barbas de molho, já que de um lado está Hartung que o fez sangrar no passado e do outro está Colnago, conhecido por dar nó em pingo d’água.

A secura com a qual Ricardo Ferraço comentou a ida de Hartung para o ninho tucano denuncia a preocupação do senador. “Só me posiciono diante de fato concreto. Por ora, o que temos é hipótese”, disse o senador ao jornal A Gazeta desta quinta-feira (5).

Ele está certo em não se antecipar, mas tem buscado formas de se fortalecer e a parceria com Magno Malta (PR) é uma grande ferramenta para isso. Ferraço sabe que o compromisso do PSDB com sua reeleição, reafirmado pelo presidente do partido, Jarbas Assis, é frágil diante da presença de Hartung no ninho. O governador não vai para o partido para discutir qualquer tipo de coisa com as outras lideranças. Vai chegar para comandar e organizar as movimentações de acordo com seus próprios interesses e nessa, Ricardo sabe que não teria fôlego para bater de frente com ele.

Fragmentos:

1 – A Câmara de Guarapari vota nesta quinta-feira (5) o Orçamento do Município para 2017. A legislatura passada encerrou o ano sem aprovar a peça enviada pelo então prefeito Orly Gomes (DEM), que tinha uma estimativa de R$ 359.476.915,33, devido a um pedido de informação.

2 – O novo prefeito, Edson Magalhães (PSD), enviou um novo orçamento para a Câmara e o presidente da Casa, Wendel Lima, convocou sessão extraordinária para votar a peça, com montante de R$ 40.519.866,53 a menos.

3 – Nessa terça-feira (3), Magalhães publicou um decreto retomando o horário normal de funcionamento da prefeitura de Guarapari, de 8h às 18 horas, depois de quase dois anos funcionando em meio expediente.

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