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Mais jovem presidente de Câmaras de Vereadores do Estado prioriza finanças em dia


09/01/2017 às 15:13

fotos: Leonardo Sá

Com 26 anos de idade, Gilson Gomes Filho (PMB) é o mais jovem presidente de Câmaras de Vereadores do Estado e também um dos mais novos do Brasil. Ele vai comandar o legislativo municipal com um orçamento de R$ 1,4 milhão e uma câmara com maioria oposicionista ao prefeito Josa (PMDB), da qual ele faz parte.

O vereador garante, porém, que passado o processo eleitoral a busca é pela horizontalidade da relação entre o Legislativo e o Executivo e que a prioridade da gestão será acertar as finanças do legislativo. Confira a entrevista:


 

Século Diário – Como é o cenário eleitoral de Laranja da Terra?

Gilson Gomes Filho – A cidade teve dois candidatos, um da situação e outro da oposição, que acabou ganhando as eleições. A gente, no grupo liderado pela minha mãe e pelo meu pai, que têm uma história política no município, se afinou com o grupo que acabou não vencendo na majoritária, mas saiu exitoso no Legislativo.

–  A maioria na Câmara de Laranja da Terra é da oposição...

–  É da oposição. A sociedade de Laranja da Terra fez uma divisão curiosa. Ao mesmo tempo em que deu o Executivo para um grupo, deu o Legislativo para outro. Foi interessante, porque foi o dobro de vereadores. Foram três vereadores eleitos pelo prefeito e seis pela oposição. O nosso candidato a prefeito – Judázio Seibel (PDT) – foi derrotado por uma pequena quantidade de votos. Tudo bem que o cenário eleitoral é pequeno, mas cerca de 400 votos é pouco em qualquer lugar. A gente acreditou muito no candidato que não foi eleito, mas a população, nessa onda de renovação, acabou optando por outro projeto político.

–  O vereador é o mais novo presidente de Câmaras do Estado, com apenas 26 anos. Como é chegar para comandar o poder, ainda mais neste cenário de divisão no município?

–  A minha eleição vem ainda dessa onda de renovação que surgiu em 2013, com o desgaste da classe política, uma crise de representatividade grande e o poder legislativo se enfraquecendo muito diante dos outros poderes, muito por conta própria. Com essa onda de renovação, eu apresentei um perfil de candidato que até então não havia no município. Sou advogado. Tenho plena consciência de que minha profissão não é vereador, é advogado. Eu apresentei um projeto, uma certa ideia, que não havia aparecido até então, um perfil distinto de tudo aquilo que sempre se teve nas eleições. Diante de todo esse cenário, veio uma necessidade de consolidação da Câmara e o meu nome apareceu no grupo da oposição, acabou que acabou sendo um consenso.

–  Mas o placar foi apertado, com uma vitória por cinco a quatro...

–  Um dos vereadores não votou em mim e acabou integrando a chapa do outro lado. Mas a relação entre vereadores é muito harmônica. Embora haja dois grupos no legislativo, não há mais essa preocupação. A união agora é fundamental e eu tenho, de certa forma, uma experiência nesse tipo de desafio.

–  Já foi procurador em Mimoso do Sul, é isso?

–  Talvez tenha sido também o mais jovem, porque eu entrei aos 22 anos, como adjunto, e tive um trabalho importante na área jurídica. Temos que buscar conciliações, não precisa ser tão amarrado.

– E as expectativas para o mandato?

–  As expectativas são as melhores de que vamos conduzir  uma Câmara independente. A rivalidade acho que ficou no dia 2. Agora é seguir o que a Constituição determina, de que os poderes são independentes, mas harmônicos.

–  A maioria dos municípios está em crise. O prefeito que venceu está com a corda no pescoço?

–  Laranja da Terra é um município estritamente rural, vive da agricultura e a prefeitura tem um peso muito grande na vida das pessoas. O prefeito que deixou o cargo agora, Joadir Lourenço (PSDB), foi um grande fazedor de obras. Ele até foi o prefeito que derrotou meu pai em 2008, então posso falar porque foi. O cenário político não é favorável, mas diferentemente da maioria dos prefeitos, ele deixou o dinheiro em caixa. Então o prefeito que entra agora tem uma reserva. O prefeito que deixou o cargo entregou um documento para cada vereador, colocando os valores que têm no município. O prefeito atual não vai começar do zero.

– E a situação na Câmara?

–  A situação da Câmara não é boa, mas vem do reflexo de crise econômica. Não é problema de gestão, é simplesmente econômica.

–  Qual o orçamento da Câmara para 2017?

–  O orçamento é de R$ 1,4 milhão.

–  Pouco?

–  Pão e água

–  E a estrutura da Câmara?

–  É muito precária. Só para se ter uma ideia, a prefeitura, a Câmara e o Fórum funcionam no mesmo prédio. Todo mundo aglomerado, maior parte do espaço é destinado ao Fórum. Tem um auditório, mas não é um lugar para um poder legislativo, que você possa receber bem a população.

–  O vereador faz parte de um grupo político, que teve base política na Serra, com seu pai, Gilson Gomes, e sua mãe, Sandra Gomes. Em um dado momento esse grupo migra para Laranja da Terra. Como se deu esse processo?

–  Meu pai nasceu em Laranja da Terra, a ponte da cidade tem o nome do meu bisavô, as ruas da cidade têm nomes de parentes meus. A minha família é de lá. Se observar, a votação do meu pai nessa região centro-serrana sempre foi muito boa. Mas eu concordo que tivemos uma inclinação maior para a Serra, porque desde 1990 ocupamos cadeiras na Câmara da Serra. Meu tio duas vezes, minha mãe duas vezes. Houve uma concentração maior na Serra. Mas nunca houve um abandono da região centro-serrana. Por isso, dizer que houve uma migração, não acho. Houve uma concentração maior lá. Minha mãe foi a mais votada do município para deputada estadual lá. Hoje a gente sente no município um aconchego muito grande.

–  A receptividade do município é grande com o seu grupo?

–  Sim. Para um jovem com perfil técnico, mas ao mesmo tempo político, pela primeira vez disputando a eleição, tive 4,2% dos votos, que é uma votação muito boa para o município. E de primeira conquistar a presidência da Câmara, de forma apertada? É. Mas é uma vitória. Então, não digo que seja uma migração, mas um recomeço desse grupo.

–  Sendo filho de políticos, como pretende construir seu futuro político com sua própria identidade?

–  Eu tenho muito orgulho de ser filho de quem sou, mas tenho plena consciência de que sou mais que isso. Eu não me apresento como filho. Eu tenho consciência de que tenho algo a oferecer porque se não tivesse, não teria ganhado as eleições.

–  Você venceu a eleição não por ser filho de Gilson Gomes...

–  Óbvio que me auxiliou e eu seria muito injusto de negar isso. Mas isso tem um teto e esse teto que eu tive que furar para ganhar as eleições e eu consegui furar. Tenho meu perfil, minha ideologia, que em muitos pontos não é igual a dos meus pais. Hoje eu sou o vereador. E quero implantar em Laranja da Terra um conceito de mandato popular. De fazer as pessoas entenderem o que é o Orçamento Participativo, um movimento popular mesmo.

–  E como pretende tocar sua gestão?

–  Quando se assume a presidência da Câmara, você acaba tendo uma dupla atuação: uma administrativa e outra política. Na questão administrativa, eu quero finalmente acertar a questão das finanças do município, para que não aconteça o que aconteceu no ano passado, de chegar ao ponto de os vereadores devolverem salário porque as contas não fechavam. Remunerar dignamente os funcionários, mas manter o equilíbrio constitucional, com responsabilidade diante do cenário de crise.

–  E do ponto de vista político?

–  Vamos harmonizar e de fato horizontalizar a relação do Legislativo e o Executivo e trazer para a população situações que ela precisa ser alerta, como o risco de o município perder o Fórum na cidade. Mas se sente na comarca que há essa dificuldade. A questão do jovem de Laranja da Terra possa ter perspectivas dentro da cidade. Eu também tenho uma atuação na área da valorização da mulher, sou do PMB [Partido da Mulher Brasileira] e as pessoas dizem que tem homem demais no partido da mulher, não é bem assim. Ele [o partido] não exclui o homem, ele fortalece a mulher, que é um ente frágil no cenário político, mas também aceita o homem. Em Laranja da Terra temos que trabalhar na área de fomento para as mulheres produtoras poderem apresentar suas produções.

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