Seculo

 

O missionário da discórdia


09/01/2017 às 14:14
Não compro essa ideia do PH entrando no PSDB do jeito que está querendo. Sem maiores entendimentos com os sócios-proprietários do partido. Ainda por cima, como detentor majoritário do capital do partido.
 
Pois ele também não agrada a base do PSDB. Tanto esses como os seus sócios-proprietários sabem, há muito, que partido político para Hartung é apenas mera ferramenta para alcançar resultados eleitorais. Não quero dizer que ele não possa entrar. Até pode, mas com capital no limite de uma candidatura que atenda, sobretudo, os propósitos de poder do partido.
 
E num momento que estão dentro dele dois candidatos ao governo, sendo que um deles, inclusive, que é o senador Ricardo Ferraço (PSDB), pode ainda ser deslocado para uma candidatura ao Senado. Só quem não conhece a cabeça política do vice-governador César Colnago (PSDB), que pode acreditar que ele sentará na cadeira de governador para guardá-la para outro.
 
Ainda por cima, não há sombra de dúvida de que o destino político do Estado circula por dentro do PSDB, talvez só o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas, com a sua santa ingenuidade, é capaz de não ignorar esse fato. Autor de concessões inexplicáveis, como essa recente, de se furtar de disputar, na condição de favorito, a prefeitura de Vitória, deixando o campo livre para o adversário do seu partido, Luciano Rezende (PPS), Luiz Paulo será capaz de engolir mais um dessa de PH, como, aliás, engoliu em outras oportunidades em prejuízo político dele próprio.
 
Tratando-se de PH, expedientes dessa natureza são feitos para anestesiar o jogo político. Deixando a classe política paralisada à espera do seu toque. Embora eu acredite que agora não é mais assim. Ainda mais com o partido que ele escolheu para empregá-la. Apesar das constantes manifestações dele que vai jogar na política nacional como o governador, que fez o dever de casa em relação à crise fiscal dos estados.
 
Residirá aí realmente o destino de PH?. Daí as inúmeras implicações para ele ingressar no PSDB sem fraturas políticas. Até porque as estratégias construídas, dessa forma, no passado asseguraram-lhe a conquista de três governos. Só que essa estratégia já não tem a mesma consistência. É outro momento e as lideranças decisivas do PSDB estão vacinadas contra ele. A ponto de se poder prever que sua intenção de entrar agora no PSDB está se dando unicamente por ser esse o caminho mais curto para ele se eleger senador. 
 
Ocorre, entretanto, que vários que hoje estão em posição decisiva no PSDB foram passados no ferro por ele. Como o caso especial do prefeito eleito de Vila Velha, Max Filho. Está vivo politicamente por sorte do destino, que o fez encontrar a mão salvadora do César Colnago, que Max vagava à busca de um abrigo.
 
Há outros, também por lá, que sentiram o peso da mão pesada de PH. Caso especial do senador Ricardo Ferraço, que esteve com Hartung no PMDB e mudou-se recentemente para o PSDB justamente para livrar-se da sombra dele. Mas que, por ironia do destino, pode reencontrá-lo novamente no ninho tucano. 
 
Tem muita machucada no rastro deixado por PH. Há, inclusive, quem diga hoje (afirmo que não se trata de Zezito Maio, que PH esqueceu na frente de uma casa comercial de pescado na Praia do Suá) que ele não consegue pescar nada além de bagre.

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