Seculo

 

Vítimas políticas


15/02/2017 às 16:17

O caos na Segurança Pública no Espírito Santo já deixou mais de 140 mortos no Estado. Antes mesmo de se saber quais as circunstâncias desses crimes contra a vida e dos crimes patrimoniais, o governo do Estado já passou a conta na Polícia Militar, mas e as vítimas políticas desta crise?

Isso é um assunto que será discutido bem posteriormente, mas já é possível identificar algumas lideranças que ficaram pelo caminho. O governador Paulo Hartung (PMDB) terá um longo caminho para tentar recuperar sua imagem em nível nacional. Mesmo com a blindagem de parte da imprensa capixaba e da colaboração de algumas publicações nacionais, a roupa de grande gestor, exemplo para o Brasil, já não lhe cabe mais.

Ele cai no abismo, mas leva com ele algumas lideranças. Uma delas é o vice-governador César Colnago (PSDB). Sem saber do rabo de foguete que estava pegando, assumiu o Estado – dois dias depois da licença do titular que não lhe transmitiu o cargo, diga-se de passagem –, em meio ao caos. Colnago até que se movimentou bem, mas em uma crise dessas, não há como sair ileso e os ferimentos foram graves.

Os senadores do Estado também foram alvejados. Rose de Freitas (PMDB) vítima da barragem do governo à sua movimentação com a Assembleia, acabou saindo de cena depois do episódio, temendo se machucar mais. Vítima de boatos nas redes sociais, ela também foi alfinetada pelo governador de forma velada. Se Rose foi vítima pela ação, seus colegas de bancada foram pela omissão. Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PSDB) demoraram a entrar no debate e quando entraram, entraram errado, ao lado da truculenta comitiva do governo federal.

Ricardo Ferraço pelo menos não se expôs como Magno Malta, que virou alvo de piadas na internet por suas declarações extemporâneas e sua aparição a lá papagaio de pirata nas coletivas. Na Assembleia, os deputados ligados à área da segurança não entraram com tanta veemência no assunto – exceto Josias Da Vitória (PDT), que vem defendendo a categoria à qual pertence.

O governo tentou também abatê-lo no caminho, mas ele reagiu bem e na hora certa, se salvando da degola da classe política. Já o silencio de outros deputados ligados à área de segurança, como Amaro Neto (SD), um crítico no assunto, pelo menos na TV, pode lhe custar caro no futuro. Eleito deputado estadual mais bem votado do Estado, em 2014, com o discurso da segurança pública, Amaro está sendo cobrado nas redes sociais por sua ausência no debate. A conta chega depois.


Fragmentos:

1 – Enquanto todos os esforços estão concentrados na área de segurança, o município de Atílio Vivacqua sofre com os efeitos da chuva. As lideranças políticas do sul do Estado têm tentando se envolver, mas não podem deixar de lado o debate da violência, que no interior também vem cobrado a atenção dos deputados.

2 – Ficou feio para o secretário de Segurança André Garcia, que quis aproveitar o momento de comoção social com o ataque ao frei Beto, no Convento da Penha, para tentar criminalizar a Polícia Militar. O secretário acusou, sem provas e, agora, o caso caminha para outra linha de investigação.
 
3 – As redes sociais não perdoaram o erro estratégico do secretário, que virou alvo de piada na internet, com a pulverização “atos” que seriam culpa da PM. Seguindo a lógica do secretário, a PM capixaba seria culpada de crimes que vão do atentado às torres gêmeas ao fim da TV Globinho.

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