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Governo tenta extinguir foco de resistência no movimento 'implodindo' a Rotam


16/02/2017 às 16:43
Em resposta ao movimento de familiares de policiais militares, que já dura 13 dias, o governo continua adotando medidas para atingir a Polícia Militar para pôr fim a paralisação. Por meio de uma matéria publicada com exclusividade pelo jornal A Gazeta desta quinta-feira (16), o governo anunciou que vai extinguir o Batalhão de Ronda Ostensiva Tática Motorizada (Rotam), alegando que há um foco de resistência no grupamento especializado.

Usando de um discurso de preocupação, o governo acaba por expor a PM, colocando toda a corporação em suspeição e extinguindo um grupamento que, em teoria, é especializado e criado pelo próprio governador Paulo Hartung (PMDB), em 2009.

Em julho de 2015, o governador declarou, na passagem do comando da Rotam do tenente-coronel Wildelson Nascimento de Faria para o tenente-coronel Eduardo Nunes, que criar a Rotam foi uma decisão acertada, já que o batalhão atua de forma estratégica e complementar às demais ações da Polícia Militar.

Se, de fato, a Rotam é uma unidade especializada, a extinção do grupamento representa, no mínimo, o desperdício daquela força policial que atua no batalhão, que será espalhada por outros no Estado. O suposto foco de resistência existente, se fosse do interesse do Comando da Polícia Militar, poderia ser retirado do batalhão para a entrada de outros policiais, com a qualificação deles.

As medidas criminalizadoras da Polícia Militar adotadas pelo governo desde o início do movimento dos familiares gerou reação das entidades representativas, como a  Associação dos Oficiais Militares Estaduais (Assomes).

Na última terça-feira (14), o secretário de Estado de Segurança Pública, André Garcia, disse, em entrevista coletiva, que o movimento tem um núcleo de radicalizações, que promove atentados e que algumas ocorrências estão sendo investigadas por uma força tarefa especial criada para apurar se há, e se houver, punir policiais que tenham participado das ações.

Para a entidade, as acusações de que policiais militares estão envolvidos na prática de crimes, especialmente ataques a ônibus e no assalto ao frei Pedro Engel, ocorrido no Convento da Penha, na última terça-feira, infundadas e irresponsáveis.

A Assomes apontou que as declarações mancham a honra e a imagem de toda a corporação, que tem 182 anos e contribuiu decisivamente para que a taxa de homicídios no Estado fosse a menor dos últimos 20 anos.

A nota também questiona a motivação dos policiais militares para se apresentarem para serviço nas ruas depois de terem sido comparados a criminosos.

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