Seculo

 

Cientistas lançam apelo em favor dos bugios


16/02/2017 às 18:14
Os macacos não transmitem a febre amarela. São vítimas, da mesma forma que os seres humanos. E, ao contrário de serem uma ameaça, são, na verdade sentinelas, pois sua mortandade é um aviso sobre a chegada da doença em uma dada região e a necessidade de proceder imunização da população humana.

Esse esclarecimento vital tem sido insistentemente divulgado pelos órgãos ambientais e cientistas, mas ainda perduram muitos casos de agressões e mesmo morte de macacos bugios em regiões rurais de Minas Gerais e, com menor intensidade, no Espírito Santo. O resultado é que os bugios (Alouatta) e também os micos ou saguis (Callithrix), que já estão ameaçados de extinção devido à redução de seu habitat e estão sendo dizimados pelo atual surto de febre amarela, têm sofrido mais essa ameaça por parte das pessoas desinformadas e amedrontadas.

“Como resultado desse triplo ataque, os pesquisadores acreditam que estamos assistindo a uma das maiores mortandades de primatas já registradas na história da Mata Atlântica.  Em uma situação semelhante à atual, ocorrida entre 2008 e 2009, no Rio Grande do Sul, as mortes em decorrência da febre amarela, somadas àquelas decorrentes de agressões contra os macacos, levaram o bugio-ruivo a ser listado novamente como espécie ameaçada de extinção no Brasil (Portaria n° 444/2014, Ministério do Meio Ambiente)”, alerta a carta.

Visando ampliar o esclarecimento à população, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) divulgou nesta quinta-feira (16) uma carta assinada por primatólogos do Brasil e do exterior, incluindo zoólogos, ecólogos, médico-veterinários, epidemiologistas e gestores públicos das áreas de saúde e meio ambiente, com informações científicas detalhadas sobre a febre amarela e a relação dela com os seres humanos e os macacos.

Na carta, os especialistas explicam que a febre amarela foi introduzida no Brasil a partir da África há centenas de anos e não é contagiosa. E que os macacos, assim como os humanos, não transmitem diretamente a doença, papel desempenhado exclusivamente pelo mosquito. Nas matas, dois mosquitos já identificados como transmissores: Haemagogus e Sabethes. No ciclo urbano da doença (não registrado no Brasil desde 1942), o vetor transmissor é o Aedes aegypti.

Humanos são os maiores dispersores da doença

Sobre os mecanismos de dispersão da doença em vastas extensões geográficas, os especialistas ainda buscam explicações, mas afirmam que “é altamente improvável que os macacos levem a doença adiante por grandes distâncias. Os mosquitos são vetores-reservatórios (transmissores do vírus) e, embora não seja cientificamente comprovado, pessoas não vacinadas e infectadas pelo vírus poderiam, em tese, transportá-los por grandes distâncias e contribuir para essa disseminação”, explicam.

Os humanos, porém, quando vacinados, não só não adoecem, mas também não contribuem para o deslocamento do vírus. Daí a importância da vacinação preventiva, segundo critérios do Ministério da Saúde.

Outra forma de controle fundamental é a preservação dos habitats naturais dos macacos, pois a febre amarela é uma doença intimamente ligada à degradação ambiental. Sempre que há algum grande desequilíbrio ambiental, é grande a probabilidade de um surto.

Uma nota de esclarecimento público produzida pelo governo federal, por meio do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros, do ICMBio, está disponível no site do Instituto. E no facebook, um grupo de pesquisadores e colaboradores tem atualizado informações na página de Protetores dos Anjos

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

SOCIOECONÔMICAS
E o Homero, hein?

Defender o ex-marido da médica Milena Gottardi deve custar profundos arranhões a Homero Mafra

OPINIÃO
Editorial
Um Estado que mata suas mulheres
Crime da médica Milena Gottardi chama atenção para os casos de feminicídios, que fazem do ES um dos estados mais violentos do País para as mulheres
Renata Oliveira
Dados x discurso
Como pode o Estado ser um exemplo para o País em gestão, se não tem potencial de mercado e solidez fiscal?
Geraldo Hasse
A doença da intolerância
Ela está nos estádios, nos governos, nas igrejas, nos parlamentos, nas ruas, nos tribunais
BLOGS
Flânerie

Manuela Neves

Branca, o Teatro e a sala de estar
Panorama Atual

Roberto Junquilho

Fuzis e baionetas, nunca mais!
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Turista acidental
Gustavo Bastos
Blog destinado à divulgação de poesia, conteúdos literários, artigos e conhecimentos em geral.
MAIS LIDAS

'Uma das questões que mais se discute no partido é a necessidade de se diferenciar do PT'

Ricardo Ferraço circula pelo sul do Estado ao lado de César Colnago

CPI dos Guinchos volta a mirar rotativo de Guarapari

Ex-prefeito de Alegre é absolvido em ação de improbidade

Prefeitura de Vila Velha dá início ao processo de eleição direta nas escolas