Seculo

 

Hartung reage a críticas nacionais sobre política de austeridade do ES


17/02/2017 às 11:17

Em artigo publicado nesta sexta-feira (17) no jornal Folha de S. Paulo, o governador Paulo Hartung (PMDB) reagiu às críticas que vem recebendo em nível nacional sobre o movimento da Polícia Militar como consequência de seu ajuste fiscal, que negou à categoria, e a todo o funcionalismo público, recomposição das perdas salariais.
 

Na quarta-feira (15), o colunista Elio Gaspari, que escreve no jornal paulista, publicou artigo, criticando a política de austeridade do governador. Em resumo, o colunista afirmou que Hartung ao pedir auxílio da Força Nacional Exército, usou de um expediente comum dos gestores, que depois de esticar muito a corda, encontram-se encurralados pela crise que eles mesmos criaram.

No governo do Estado há dez anos, como destaca o colunista, Hartung trabalhou duro pelo saneamento fiscal, mas cometeu o mesmo erro de outros governantes Brasil afora que não souberam entender as demandas sociais. Para Gaspari, a responsabilidade fiscal mostra a necessidade de se criar uma “lei de responsabilidade social”.

O tom do artigo de Hartung, na Folha, pareceu resposta à coluna de Gaspari. Ele destacou a inconstitucionalidade da greve dos policiais militares no Espírito Santo, o que o abre espaço para o debate sobre as tentativas de deixar a sociedade refém de interesses corporativistas, como ocorre no caso capixaba, o que ameaça os avanços da democracia brasileira.

Para o governador, os episódios ocorridos no Estado desde o último dia 4 de fevereiro, envolvendo mortes, propagação do pânico, cerceamento do direito de ir e vir, joga luz a uma “estratégia na qual grupos de interesse, com uma retórica muito bem aparelhada e articulada, colocam-se como defensores da coletividade, quando na verdade estão mobilizados por um discurso puramente corporativo”, diz.

Também no artigo, Hartung defende a política de austeridade adotada no Estado, que lhe garantiu projeção nacional no cenário de crise, como um modelo de gestão para o País. “Sem aumento de impostos, com foco na redução dos gastos e custeios da máquina pública e na prioridade aos serviços e obras essenciais, recuperamos o equilíbrio fiscal do Espírito Santo, cuja difícil manutenção demanda um esforço diário de muito trabalho e destreza política”, disse.

O governador retornou ao discurso da crise e do pagamento em dia do funcionalismo como um reflexo de sua gestão, mas dessa vez evitou alfinetar os estados vizinhos, como fez na semana passada com o governador do Rio de Janeiro, Pezão (PMDB).

 

Hartung citou a crise nacional, a crise hídrica atípica pelo qual passou o Estado, os impactos do que chamou de desastre da Samarco e a redução das receitas advindas do negócio de petróleo como elementos que drenaram recursos públicos do Estado. E mesmo assim, destacou, manteve todos os pagamentos em dia, seja a fornecedores, seja ao funcionalismo, incluindo a Polícia Militar.

Para o governador foi justamente a responsabilidade fiscal que permitiu no Estado a responsabilidade social para o conjunto da sociedade. “Não se trata de escolha entre uma ou outra. Uma leva à outra”, disse. E acrescentou que foi esse o debate que levou a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal e que a falta dela levou o país ao fundo do poço e a uma crise econômica sem precedentes.

Hartung lembrou ainda que desde 2014 o Estado vem sendo alertado pelo Tribunal de Contas de que está além do limite de despesas com pessoal. Ele disse que não poderá sucumbir à pressão da categoria, já que seria irresponsabilidade ceder à demanda da Polícia Militar. “Nosso caminho é continuar trabalhando a responsabilidade fiscal para termos políticas públicas bem estruturadas e chegarmos aos menos favorecidos”. afirmou.

O governador termina o artigo, novamente, tentando se inserir no debate nacional, chamando a atenção para a necessidade de mobilizar o país em torno de uma agenda urgente de reformas estruturantes, que traga de volta o equilíbrio das contas públicas e a competitividade.

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