Na coluna anterior, tentei comentar a influência do motim dos PMs nas próximas eleições de 2018, principalmente para o governo do Estado. O movimento, que entre neste domingo (19) no seu décimo sexto dia ainda não foi a nocaute, como muita gente supunha. Gemeram mas não se entregaram. Pode até ser que joguem a toalha daqui a pouco. Mas não será como se estava esperando.
Entretanto, a variação que houver, não alterará muito para o governador Paulo Hartung (PMDB), sobretudo naquela de ter que seguir querendo fazer sua passagem da política capixaba para a nacional, onde ele se projeta como uma espécie de detentor da fórmula mágica para tirar o Brasil do buraco. Muito embora esteja levando, por ora, uma dura de importantes jornalistas nacionais que puseram em xeque seu “consagrado” ajuste fiscal. Experiência, diga-se, nada salutar para quem acostumou-se aos aplausos da imprensa da terra.
O que atenderia a esse seu objetivo nacional, seria um mandato para o Senado. O que ficou relativamente difícil depois do fico do senador Ricardo Ferraço (PSDB), que preferiu a reeleição a uma duvidosa disputa ao governo sob a batuta de Hartung, como constava do projeto de poder do próprio PH. Se o governador desistir mesmo do seu projeto ao Senado, sobra a reeleição ao governo ou simplesmente o cumprimento do mandato até o fim para usar a máquina na tentativa de eleger o seu sucessor.
Essa hipótese assanhou a senadora Rose de Freitas (PMDB), que passou a cogitar a hipótese de candidatar-se ao governo. Só que ela não tem vez dentro do seu próprio partido. Até por desleixo próprio. O PMDB hoje é dividido entre PH e outro campo que passou a agenciar lideranças em favor do ex-governador Renato Casagrande(PSB). Sim senhor. Essa corrente acha que o ex-governador está forte em todo o Estado, independentemente da fragilidade do seu próprio partido, o PSB. Acham que não está na hora de brincar com o desejo popular. Quando falam assim, incluem também Rose. Que não teria como rejeitar. Até porque ensejam o confronto de Casagrande com PH dentro do próprio PMDB.
Com PH dentro ou fora do PMDB, veem no prefeito de Linhares, Guerino Zanon, como ponto de apoio do governador. Embora o deputado federal Lelo Coimbra continue presidindo o partido, ele não agrega força interna. Lelo foi imposto quando o governador Paulo Hartung apropriou-se do partido. Além do mais, Lelo meteu-se numa aventura em Vitória – a disputa a prefeitura da Capital – em que se deu mal. Contribuindo, de certa maneira, para o desprestígio do governador na Capital. Dizem até que se ele elegeu um prefeito seu, foi um só.
Deixemos Lelo de Lado. O momento para dentro do PMDB é feito de forma que lideranças conformista, do “sim senhor” a PH não deixem passar a oportunidade de engrossar a candidatura do ex-governador Renato Casagrande antes que ele tome outro caminho que não aquele que eles acham o mais indicado. Antes, inclusive, que o prefeito de Vitória Luciano Rezende (PPS), aliado de Casagrande, tome o lugar.
A classe política não descarta essa possibilidade, acha até que Luciano saiu-se bem nas eleições em Vitória, só que ele não vai além dos limites da Capital. E se tiver juízo político, a hora é do prefeito alimentar a candidatura do Renato Casagrande. Inclusive, como instrumento para ajudar a vencer os temores do próprio Casagrande, que desde a derrota para PH, mesmo com a máquina na mão, sofre calafrios quando o convocam para enfrentá-lo novamente.

