Seculo

 

Bocage – O Delírio Amoroso e outros Poemas – Parte III


19/02/2017 às 08:45

BOCAGE:

Bocage tinha a desmedida de seu temperamento romântico misturado com seu combate contra velhas tradições políticas e religiosas, este poeta que vai da explosão impulsiva ao mesmo petardo do ciúme, Bocage tem sua inteireza de caráter definida em sua criação poética. Bocage praticava sua poesia lírica e também a sua veia poética da sátira, e o seu percurso com versos envolvia os idílios, nos quais havia o retrato árcade da vida rústica, além das odes, epigramas, canções amorosas com forte conteúdo mitológico, e ainda as cantatas, cançonetas, epístolas, dentre outras modalidades poéticas. Mas é o soneto o clímax de sua inspiração poética, e o que define com mais justeza a sua estética e face humana, o que no poeta é um encontro de fronteiras que vai das regras árcades à liberação sentimental de um Romantismo que estava prestes a eclodir no processo histórico-literário.

Bocage – O Delírio Amoroso e outros Poemas – Parte I

Bocage – O Delírio Amoroso e outros Poemas – Parte II

Ao envolver os sonetos de Bocage, aqui temos seu percurso definido como poeta, é onde fica claro o seu início marcado pela escola árcade e que evoluirá para as confissões amorosas e amargas de um novo temperamento literário que será o do Romantismo. Mas, como Bocage era um poeta dentro de uma situação histórica de transição, isto refletirá em sua poesia como um romantismo (a poesia nova da época) ainda de veia alegórica e mitológica, com a contenção racional própria do arcadismo, no que temos impulsos românticos com a memória viva do estilo neoclássico, pois o poeta Bocage ainda possui sua fraseologia dominada pela expressão árcade, e principalmente sob a influência camoniana.

 

Com a temática opaca da Arcádia, Bocage vai com o Romantismo, de outro lado, atingir uma predominância de uma poesia de horror, soturna, noturna, com presságios pessimistas que vão dar expressão à cosmovisão de Bocage, e que são o prenúncio do clima psicológico da poesia romântica. Sua poesia emocional vai colocá-lo numa nova fronteira para além da racionalidade asséptica da poesia árcade, demonstrando um novo poeta com veia metafísica, esta que terá na angústia a fonte tormentosa para conflitos sentimentais, de um lado, e ideológicos, de outro.

Bocage, na história da Literatura Portuguesa, é dono de uma poesia que representa o encontro que assinala a decadência de um estilo – árcade – e o limiar de outro – romântico -, e a prática poética de Bocage o coloca, por sua vez, como o criador de anedotas sujas e de poemas obscenos, e também como um dos mestres do soneto, ao lado de Antero de Quental e, ao fim, também ao lado de Luís de Camões.

POEMAS:

AO SENHOR ANDRÉ DA PONTE DO QUENTAL E CÂMARA: O poema abre o raio que cai sobre Sêneca: “O tirano de Roma empunha o raio;/Despede-o contra Sêneca inocente,” (...) “De Nero à dura voz se amorna o banho,” (...) “O filósofo expira.”. E segue seu périplo histórico, agora com a condenação de Sócrates a beber cicuta: “Sócrates imortal, que um Deus proclama,/O mestre de Platão, lá comparece/De acusadores vis enegrecido/No corrupto Areópago.” (...) “De altas meditações, de altas virtudes/Colhe ... (que fruto!) a gélida cicuta;”. O poema agora faz filosofia sobre a origem do mal, questão que o poeta tenta deslindar em versos: “Os homens não são maus por natureza;/Atrativo interesse os falsifica,” (...) “Perde o caráter, o equilíbrio perde/A Retidão sisuda.”. Uma tal filosofia moral ainda o poeta contempla, mas o infortúnio da virtude é patente: “Se em útil, em moral filosofia/Não damos aos mortais a lei, o exemplo;” (...) “Que muito que empeçonhe os nossos dias./O que os séculos todos envenena!”. E o tiro de misericórdia cai sobre a verdade: “Se a verdade entre sombras esmorece,” (...) “Para o são tribunal, que ao longe assoma,/Eia, amigo, apelemos.”. Última esperança, o tribunal, reserva moral da verdade, ou não, no que o poeta vê, enfim, a desdita dos virtuosos, perdidos num mundo torto, sem valores: “Os vindouros mortais irão piedosos/Ler-nos na triste campa a história triste,/Darão flores, ó Ponte, às liras nossas,/Pranto a nossos desastres.”. Pranto aos desastres, a lira canta ou lamenta, chora a história triste, o poema lamenta, pois.

À SANTÍSSIMA VIRGEM A SENHORA DA ENCARNAÇÃO: O poema dedicado à virgem santíssima que concebe o Filho de Deus, no que o poeta nos dá os versos: “Acatamento em si e audácia unindo,/Sobre o jus de imortal firmando os voos,/A impávida Razão, celeste eflúvio,/Se eleva, se arrebata.” (...) “Além do firmamento, além do espaço/Que, por lei suma, franqueara o seio/A mundos sem medida, a sóis sem conto,/Imóvel trono assoma:”. O poema narra a aparição da virgem, e eis que é fonte da Luz: “Luz, que existe de si, luz de que emanam/A natureza, a vida, o fado, a glória,/Dali reparte aos entes”. No que a homenagem clareia, em júbilo: “Eis o Espírito excelso,/Radiosa emanação do Pai, do Filho,/Mística pomba de pureza etérea,”. E a concepção do Verbo: “Tu, Verbo, sobrevéns; aérea flama” (...) “Eis fecunda uma virgem:/A redenção começa, o Deus é homem.”. O poema chama o Deus que é um homem, nascido da Virgem, e o poema prorrompe em felicidade, o canto ditoso da divindade: “Que as estrelas, que o Sol, que os céus adoram,/Virgem submissa, mereceu na terra/Circunscrever em si do empíreo a glória.” (...) “Ah! no teu grêmio puro anima os votos/Aos mortais de que és mãe:”. A glória vai do Deus concebido aos demais mortais, de que também a virgem é mãe.

O DELÍRIO AMOROSO: O poema romântico vem em versos da previsão fatal que lhe contém, a do poeta romântico lamentoso, que é choroso e nada estoico: “Inda não bastam, minha voz cansada,/Tantos ais, que tens dado;” (...) “Gritemos, pois, frenéticos ciúmes,/Gritemos outra vez; que dos aflitos/São triste refrigério os ais, e os gritos.”. O poeta então acusa a amante antes de se dar conta de tomar conta dos próprios sentimentos: “O venenoso fel, que em mim derramas;/Doces enganos de minh`alma arreda,/Deixa-lhe a dor intensa, a dor terrível”. A dor romântica, mal do novo século, e da nova poesia de então: “Farte-se Anarda, o variável peito,/Cujas graças me encantam,/Cujas traições no coração me ferem,/E por quem gemo, em lágrimas desfeito:”. E o poeta não vê mais ventura, e amolece sua lira, sucumbido:  “Os ternos lábios meus, antes proferem/Lamentos contra Amor, contra a Ventura,/Conheça a desleal, sabia a perjura./Sim, traidora, que o júbilo em torrentes/Viste alagar meu rosto,/Quando em teus braços possuí mil glórias,/Hoje morro de angústias, e o consentes,”. As mil glórias da nostalgia, no que se perde Bocage em lamúrias infinitas: “Já lugar na tu`alma a outro deste,/E o mais ardente amor, o amor mais puro/Não satisfaz teu coração perjuro.”. A acusação vai à amante, nunca ao seu próprio amor desmedido: “Porém quanto, infiel, quanto me agravam/Os sorrisos de amor, com que assevera/Teu gesto encantador, teu meigo rosto,/Que inda propende a saciar meu gosto!”. E a natureza aparece, aqui como conflito de uma alma tormentosa: “Primeiro o mar, e o céu me façam guerra,/E a meu corpo infeliz seu peso esmague:/Primeiro se confunda a Natureza,/Que eu cesse de adorar tua beleza.”. O adorador enfim acusa a beleza, infindo lamentoso que é cego e fundo drama: “A tudo está sujeito um cego amante,/Que não pode quebrar prisões tão duras;/A tudo estou submisso, estou disposto,/Quero tudo sofrer, porque é teu gosto.”. O sofrimento aqui é uma decisão do que ama demais, e não vê que é este que ama que é responsável pela catástrofe: “Sobre as asas dos ventos/Canção chorosa, e rouca,/Vai narrar pelo mundo os meus tormentos:/De almas estoicas a dureza louca/Rirá dos teus lamentos;”. E toda alma estoica, sim, na prudência da ação correta, não rirá dos lamentos, apenas aceitará o fado como vida e superação.

 

POEMAS:

 

AO SENHOR ANDRÉ DA PONTE DO QUENTAL E CÂMARA

O tirano de Roma empunha o raio;

Despede-o contra Sêneca inocente,

Ao sábio preceptor fulmina a morte

O discípulo ingrato.

 

De Nero à dura voz se amorna o banho,

As veias se retalham, corre o sangue,

Avermelham-se as águas, folga o monstro,

O filósofo expira.

 

Sócrates imortal, que um Deus proclama,

O mestre de Platão, lá comparece

De acusadores vis enegrecido

No corrupto Areópago.

 

De altas meditações, de altas virtudes

Colhe ... (que fruto!) a gélida cicuta;

Cai em silêncio eterno, eterno sono

O oráculo de Atenas.

 

No abismo do infortúnio, da indigência

Agonizam Camões, Pachecos morrem;

Mendigo, e cego, pela iníqua pátria

Erra o grão Belisário.

 

De atros vapores, de tartáreas sombras

Nomes augustos a calúnia abafa,

Té que rebente um sol da noite do Erro,

A Razão justiçosa.

 

Os homens não são maus por natureza;

Atrativo interesse os falsifica,

A utilidade ao mal, e ao bem o instinto

Guia estes frágeis entes.

 

Enquanto das paixões ativo enxame

Ferve no coração, revolve o peito,

Perde o caráter, o equilíbrio perde

A Retidão sisuda.

 

Eis surge imparcial Posteridade

Na dextra sopesando etéreo facho;

Tu, cândido, gentil Desinteresse,

Tu lhe espertas a flama.

 

O Critério sagaz, à frente de ambos,

Aparências descrê, razões combina,

Esmiúça, deslinda, observa, apura;

E depois sentencia.

 

Já sem nódoa a virtude então rutila,

Já sem máscara o vício então negreja,

Desce ao túmulo a Glória, heróis arranca

Aos domínios da morte.

 

Se não somos heróis, se em nós, ó Ponte,

Afoiteza não há, não há constância,

Para com férrea mão suster da pátria

A mutante ventura:

 

Se em útil, em moral filosofia

Não damos aos mortais a lei, o exemplo;

Se dos luzeiros sete à clara Grécia

O grau não disputamos;

 

Nossos nomes, amigo, alçados vemos

Acima dos comuns: ama-nos Febo,

As Musas nos enlouram; cultos nossos

Mansa Virtude acolhe.

 

Em tenebrosos cárceres jazemos;

Falaz acusação nos agrilhoa;

De opressões, de ameaços nos carrega

O rigor carrancudo;

 

Mas puro dom dos Céus, alva inocência,

Esta afronta, este horror nos atavia;

Íntima candidez compensa as manchas

Da superfície escura.

 

Males com a existência andam cosidos;

Desde o primário ponto do universo

Esta amarga semente sobre a terra

Caiu da mão dos fados.

 

Entanto que a raiz tenaz, fecunda

Infecta o coração da natureza,

Os tugúrios sufoca, assombra os tronos

A venenosa rama.

 

Que muito que empeçonhe os nossos dias.

O que os séculos todos envenena!

Não merecer-se o mal é jus, é parte

Para sentir-se menos.

 

Deixemos a perversos delatores

Os filhos do terror, fantasmas negros,

Que o medonho clarão da luz interna

Assopram sobre os crimes.

 

Se a verdade entre sombras esmorece,

Se das eras tardias pendo, e pendes,

Para o são tribunal, que ao longe assoma,

Eia, amigo, apelemos.

 

Também há para nós posteridade,

Quando lá no sepulcro em cinzas soltos

Não pudermos cevar faminta inveja,

Calúnia devorante:

 

Os vindouros mortais irão piedosos

Ler-nos na triste campa a história triste,

Darão flores, ó Ponte, às liras nossas,

Pranto a nossos desastres.

 

À SANTÍSSIMA VIRGEM A SENHORA DA ENCARNAÇÃO

 

Acatamento em si e audácia unindo,

Sobre o jus de imortal firmando os voos,

A impávida Razão, celeste eflúvio,

Se eleva, se arrebata.

Por entre imensa noite e dia imenso

(Mercê do condutor, da Fé, que a anima)

Sobe de céus em céus, alcança ao longe

O grão Princípio dos princípios todos.

 

Além do firmamento, além do espaço

Que, por lei suma, franqueara o seio

A mundos sem medida, a sóis sem conto,

Imóvel trono assoma:

De um lado e de outro lado é todo estrelas;

Vence ao diamante a consistência, o lume;

Absortos cortesãos o incensam curvos,

Tem por base, e dossel a eternidade.

 

Luz, de reflexos três, inextinguível,

Luz, que existe de si, luz de que emanam

A natureza, a vida, o fado, a glória,

Dali reparte aos entes

 

Altas virtudes, sentimento augusto;

Aos entes, que a Terra extraviados,

Das rebeldes paixões entre o tumulto

Ao grito do remorso param, tremem.

 

Filho do Nada! Um Deus te vê, te escuta!

Seus olhos imortais do empíreo cume

(Aos teus imensidade, aos d`Ele um ponto)

Atentaram teus dias,

Teus dias cor da morte, ou cor do inferno;

De alma em alma grassando a peste avita;

Hálito de serpente enorme, infesta,

Da primeva inocência a flor crestara:

 

Aos dois (como Ele) do Universo origem

Diz o Nume em si mesmo: - “O prazo é vindo;

Cumpra-se quanto em nós disposto havemos”.

Eis o Espírito excelso,

Radiosa emanação do Pai, do Filho,

Mística pomba de pureza etérea,

À donzela Idumeia inclina os voos,

Pousa, bafeja, e diviniza o puro.

 

Tu, Verbo, sobrevéns; aérea flama

Com tanta rapidez não sulca o polo!

Eis alteado o grau da humanidade;

Eis fecunda uma virgem:

A redenção começa, o Deus é homem.

Da graça, da inocência, oh paz, oh risos,

Do céu vos deslizais, volveis ao mundo!

Caí, torres de horror, troféus do Averno!

 

Que estrondo! ... Que tropel! ... Ao negro abismo

Que desesperação revolve o bojo! ...

Para aqui, para ali por entre Fúrias

O sacrílego monstro,

O rábido Satã em vão blasfema.

Lá quer de novo arremeter ao mundo;

Mas vê rapidamente aferrolhado

O tartáreo portão com chave eterna.

 

Enquanto brama, arqueja enquanto o fero

Morde, remorde as mãos, e a boca horrenda

(As espumas veneno, os olhos brasas)

Mulher divina exulta;

Celestial penhor, que os anjos cantam,

Que as estrelas, que o Sol, que os céus adoram,

Virgem submissa, mereceu na terra

Circunscrever em si do empíreo a glória.

 

Salve, oh! salve, imortal, serena diva,

Do Nume oculto incombustível sarça,

Rosa de Jericó por Deus disposta!

Flor, ante quem se humilham

Os cedros, de que o Líbano alardeia!

Ah! no teu grêmio puro anima os votos

Aos mortais de que és mãe: seu pranto enxugue,

Seus males abonance um teu sorriso.

 

O DELÍRIO AMOROSO

 

Inda não bastam, minha voz cansada,

Tantos ais, que tens dado;

É necessário renovar queixumes,

Queixumes, de que o fero Amor se agrada,

De que zombando está meu duro fado:

Gritemos, pois, frenéticos ciúmes,

Gritemos outra vez; que dos aflitos

São triste refrigério os ais, e os gritos.

 

Carrancuda Agonia, azeda, azeda

Inda mais, se é possível,

O venenoso fel, que em mim derramas;

Doces enganos de minh`alma arreda,

Deixa-lhe a dor intensa, a dor terrível

Dos ígneos zelos, das tartáreas chamas,

Deixa-lhe as ânsias, a peçonha, as iras,

E a desesperação, que tu respiras.

 

Farte-se Anarda, o variável peito,

Cujas graças me encantam,

Cujas traições no coração me ferem,

E por quem gemo, em lágrimas desfeito:

Que já mil bens dulcíssimos não cantam

Os ternos lábios meus, antes proferem

Lamentos contra Amor, contra a Ventura,

Conheça a desleal, sabia a perjura.

 

Sim, traidora, que o júbilo em torrentes

Viste alagar meu rosto,

Quando em teus braços possuí mil glórias,

Hoje morro de angústias, e o consentes,

Podendo-me, cruel, matar de gosto?

Oh êxtase! Oh delícias transitórias!

Oh vão prazer dos crédulos amantes,

Mais fugaz que os alígeros instantes!

 

Cansaste, Anarda: a sólida firmeza

Vezes mil protestada,

Votos de eterna fé, que me fizeste,

Manter não pôde feminil fraqueza,

A quem somente a novidade agrada:

Já lugar na tu`alma a outro deste,

E o mais ardente amor, o amor mais puro

Não satisfaz teu coração perjuro.

 

Se me fugisses, se de todo as chamas.

Que por mim te abrasavam,

A nova inclinação te amortecera,

Desculpara esse ardor, em que te inflamas;

Porém quanto, infiel, quanto me agravam

Os sorrisos de amor, com que assevera

Teu gesto encantador, teu meigo rosto,

Que inda propende a saciar meu gosto!

 

Presumes, que se paga uma alma nobre,

Um coração brioso

De um sórdido prazer, torpe, e corrupto

Qual esse, que me ofertas, se descobre?

Assim só pode o vil ser venturoso,

Essa fortuna por baldão reputo:

Em amor antes só ser desgraçado,

Que de outrem na ventura acompanhado.

 

Vai, fementida, que a paixão perfeita

Os seus dons não reparte;

Vai gemer noutro peito, e noutros braços:

Pérfidos mimos desse infame aceita,

Enquanto juro aos Céus de abominar-te,

Enquanto arranco meus indignos laços,

Enquanto ... ah! Que falei! Meu bem, detém-te,

Abafa a minha voz, dize que mente!

 

Eu deixar-te (ai de mim!) primeiro a Terra

Mostre as fundas entranhas

Por larga boca horrível, que me trague:

Primeiro o mar, e o céu me façam guerra,

E a meu corpo infeliz seu peso esmague:

Primeiro se confunda a Natureza,

Que eu cesse de adorar tua beleza.

 

Vejam meus olhos esses teus pasmados

De um rival no semblante;

Ouça-te os ais, que com seus ais misturas,

E os agrados, que opões aos seus agrados:

A tudo está sujeito um cego amante,

Que não pode quebrar prisões tão duras;

A tudo estou submisso, estou disposto,

Quero tudo sofrer, porque é teu gosto.

 

Terá por crime, suporá vileza

Tão cruel tolerância

Quem não sente o poder da formosura;

Porém minh`alma, nos teus olhos presa,

Inda chega a temer, que esta constância

Prova não seja de exemplar ternura:

E saibam, se com isto em crime faço,

Que o crime adoro, que a vileza abraço.

 

Sobre as asas dos ventos

Canção chorosa, e rouca,

Vai narrar pelo mundo os meus tormentos:

De almas estoicas a dureza louca

Rirá dos teus lamentos;

Mas nos servos de Amor terás abrigo:

Quando te ouvirem, chorarão contigo.


Gustavo Bastos, filósofo e escritor 

Blog: http://poesiaeconhecimento.blogspot.com

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