Seculo

 

'Meio ambiente é algo que começa dentro de nós'


27/02/2017 às 18:40
“A expansão da consciência ambiental se dá na exata proporção em que percebemos meio ambiente como algo que começa dentro de cada um de nós, alcançando tudo o que nos cerca e as relações que estabelecemos com o universo”.  A afirmação é do jornalista André Trigueiro e foi publicada em 2003 na introdução do livro Meio Ambiente no Século XXI, por ele organizado. E foi a inspiração para nomear esta série de reportagens.

A mensagem nela contida – “Meio ambiente é algo que começa dentro de nós” – já se tornou quase um jargão entre muitos públicos, sendo largamente utilizada por educadores ambientais dentro e fora das salas de aula.

No momento planetário atual de múltiplas crises ecológicas, aprender o significado profundo desta frase, já meio gasta, é fundamental. Crise das águas, do clima, das florestas, do lixo, da poluição, da escassez de alimentos, do consumismo ...

A crise que identificamos fora, no planeta, começa, invariavelmente, dentro de cada um de nós. E a verdadeira transformação só acontece(rá) a partir de um intenso e corajoso autotrabalho, em que não só hábitos, mas também crenças e valores precisam ser reprogramados.

Reprogramando o cérebro

E é nesse sentido, de reprogramação cerebral, que atua a primeira terapia abordada na série, o ThetaHealing, que utiliza as vibrações theta do cérebro para promover curas em diversos níveis, inclusive financeiro, e para ampliar a consciência individual em direção a uma postura mais responsável para com o planeta.

“Nós podemos entrar na onda cerebral Theta e mudar o sistema de crenças das pessoas. Podemos alterar os programas do subconsciente e podemos mudar os programas genéticos”, explica a fundadora da técnica, Vianna Stibal, em dois dos muitos vídeos disponíveis na internet.

“O seu cérebro é esperto. Pode ser treinado para fazer todos os tipos de coisas. No ThetaHealing nós treinamos o seu cérebro para fazer algo que o seu espírito já sabe fazer. É por isso que as pessoas são tão bem-sucedidas com o Thetahealing. O nosso espírito já sabe como fazer”, encoraja a mestra.

Consciência expandida

Pétala Mota, praticante e instrutora da técnica, tem trazido o ThetaHealing para o Espírito Santo. Pétala mora no Vale do Capão, na Chapada Diamantina/BA – e retorna periodicamente a Vitória para ministrar palestras e cursos de ThetaHealing –, onde atende aos pacientes encaminhados pela unidade de saúde pública local. E tem presenciado curas diversas em pessoas de todas as idades e perfis socioeconômicos. Insônias, medos, estresse “É muito bonito ver as transformações nas vidas das pessoas”, conta.

Assim como a mestra Vianna, Pétala também enfatiza a mudança do sistema de crenças. “Fomos criados na cultura da escassez, com medo muito grande. Por que existe fome? Não faz sentido. A vida é abundante!”, desafia.

A relação com a preservação ambiental é muito forte para ela. “Eu sinto que o ThetaHealing traz a consciência da unicidade, da gente ser um com o Todo. E quanto mais próxima dessa consciência expandida, mais em harmonia eu me sinto com tudo o que existe, com a natureza”, relata.

Consciência que se expressa em ações e escolhas cotidianas. “Então não vou usar alumínio na minha alimentação, sabão em pó que polui a água ... você começa a cuidar mais de você e, automaticamente, da Mãe Terra”, poetiza, ao nomear amorosamente nosso pequeno planeta azul, a quem ela também dedica sua alimentação vegetariana e seu consumo consciente. “Vamos manifestar essa nossa essência que é de amor, de saúde, de abundância!”, convida.

Ecologia profunda

Para quem acha que o discurso dos praticantes do ThetaHealing parece “hippie” demais, André Trigueiro faz coro em seu livro, por meio de palavras próprias e de alguns dos articulistas convidados, como o cientista, educador e ativista austríaco Fritjof Capra, autor de best-sellers internacionais como “O Tao da Física”.

“Esse entendimento mais amplo do que seja meio ambiente nos revela um universo apaixonante onde tudo está conectado, cada pequena parte constitui o todo e o conhecimento não é estanque. A percepção dessa visão ambiental mais abrangente nos insere num movimento virtuoso de construção da cidadania no seu sentido superlativo: a cidadania ecológica planetária, tão necessária e bem-vinda no século 21”, finaliza Trigueiro, em sua introdução.

Em seu artigo, o primeiro capítulo do livro, Capra se dedica à ecologia profunda, uma filosofia criada nos anos 1970 pelo norueguês Arne Naess. “A ecologia profunda reconhece o valor intrínseco de todos os seres vivos e encara o homem como apenas um dos filamentos da teia da vida”, esclarece o cientista.

“Em última análise, a consciência da ecologia profunda é uma consciência espiritual. Quando o conceito de espírito humano é entendido com o modo de consciência no qual o indivíduo se sente conectado ao cosmo como um todo, fica claro que a consciência ecológica é espiritual em sua essência mais profunda”, desmistifica. 

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