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Olho nos radicais livres


09/03/2017 às 20:16
Quando se trata de nosso corpo, podemos criar uma figura associada, por exemplo, à parte metálica de uma viga exposta de uma construção, sob ação direta do oxigênio. Rapidamente, o que acontece? Enferruja.
No nosso corpo acontece um processo muito semelhante. Também enferrujamos. Já ouvi alguém até dizer, em tom de humor, que nós não envelhecemos, mas enferrujamos. Não deixa de haver um certo sentido nisso.
Radicais livres são moléculas instáveis, que tendem a se associar de maneira rápida a outras moléculas com as quais podem reagir ou oxidar.
No nosso organismo, os radicais livres são produzidos pelas células durante o processo de queima do oxigênio, utilizado para converter em energia os nutrientes dos alimentos absorvidos.
Da mesma forma que o metal enferruja por oxidação, nós "oxidamos” com a idade.
Hoje, é de conhecimento comum que a maioria das doenças é consequência de reações oxidativas do nosso corpo.
Os radicais livres danificam as células e, como resultado, elas se tornam vulneráveis ​​diante das bactérias, vírus e células cancerígenas.
Nosso organismo possui enzimas protetoras para controlar o nível dos radicais livres produzidos pelo nosso metabolismo. No entanto, quando fatores externos aumentam a quantidade de radicais livres no nosso corpo, precisamos aumentar a quantidade de antioxidantes e é aí que o bicho pega.
Dentre os fatores externos que aumentam a quantidade de radicais livres em nosso organismo podemos, facilmente, relacionar poluição ambiental, raios-X e radiação ultravioleta, cigarro, ingestão de álcool, resíduos de pesticidas (já perceberam como aumentou a incidência de câncer entre agricultores que manejam os chamados agrotóxicos?), substâncias presentes em alimentos e bebidas industrializados (aditivos químicos, conservantes, hormônios, entre outros), estresse, consumo excessivo de gorduras saturadas (frituras, etc), e paradoxalmente, a atividade física também aumenta os radicais livres.
O Dr. Ray D. Strand, PhD em Medicina Nutricional, chama isso de paradoxo do oxigênio em seu livro “O que seu médico não sabe sobre medicina nutricional pode estar matando você”. E defende, claramente, a utilização de suplementos nutricionais ricos em antioxidantes.
Aliás, de olho nessa situação, o Conselho Federal de Nutrição editou, há mais de 10 anos, uma resolução autorizando os profissionais de Nutrição a prescreverem suplementos nutricionais para suprir as carências de micronutrientes (vitaminas e minerais) que não são produzidos pelo corpo.
É fundamental saber o que se está ingerindo em sua dieta. Os antioxidantes são moléculas que se combinam com os radicais livres, tornando-os inofensivos. Uma alimentação rica em vegetais é a melhor opção para se proteger contra os radicais livres, diminuindo, assim, o risco de várias doenças e evitando o envelhecimento precoce.
Nosso grande desafio está na necessidade de se aumentar a produção, às vezes em detrimento da qualidade, de alimentos para “matar a fome” da população.
Há cerca de um ano ouvi, durante uma palestra, a citação a notável cientista da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), que se referiu, de forma inédita, à Nutrição como “uma ciência política”. E corrobora com essa tese o fato de haver, no ambiente da Organização das Nações Unidas, uma agência para alimentação e agricultura, a FAO (Food and Agriculture Organization).
A FAO, quanto trata da questão da fome, não trata apenas da reação biológica momentânea à falta de alimento, mas, e principalmente, de uma grande parcela da população mundial que come e, mesmo assim, continua com fome. Ou seja, a fome mais grave não é a que se manifesta na ausência de alimento, mas aquela que ocorre em nível celular na ausência dos nutrientes mínimos necessários para o equilíbrio orgânico.
Daí a importância de se pensar mais seriamente nas implicações de se combater os efeitos oxidativos dos radicais livres consumindo alimentos ricos em antioxidantes, mas também usando-se suplementos nutricionais ricos nesses antioxidantes. 
 

Lídia Caldas é nutricionista pela Faculdade Católica de Vitória, especialista em Nutrição Esportiva pela Universidade Gama Filho (RJ) e gestora de Unidade de Alimentação e Nutrição. Fale com a nutri: lidiarncaldas@gmail.com 

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