Seculo

 

Livre-se da armadilha dos rótulos


17/03/2017 às 10:32
Se você pensa que pode sair por aí, pelas prateleiras dos supermercados, pegando aquilo que os olhos alcançam e que o estômago deseja, talvez esteja na hora de pensar em mudar seus conceitos, a não ser que sua saúde não seja tão importante para você.
Os últimos 50 anos foram pródigos em criatividade. As cidades se expandiram, os campos se esvaziaram, e as tecnologias de produção de alimentos se modernizaram, tanto no plantio, colheita, quanto na industrialização, mas isso acabou se constituindo numa armadilha para o consumismo desenfreado daquilo que se gosta em detrimento daquilo que é necessário para se construir uma saúde boa para os novos períodos de longevidade humana, facilitada também pelos avanços sanitários e da medicina preventiva.
A cada dia temos mais variedade de produtos nas prateleiras dos supermercados. Por um lado, é muito bom e conveniente, pois temos tudo sob um único teto.  Porém, é preciso saber algumas regras para não se tornar vítima dessa grande oferta.
Se você pensa que vai parecer um chato por ficar olhando rótulo de alimentos, saiba que esta é uma das melhores medidas para controlar a qualidade daquilo que você escolhe para comer.
Depois de participar de uma palestra minha sobre esse tema, já vi meu pai plantado em frente à gôndola de um supermercado até o funcionário trazer o gerente para trocar a etiqueta de um produto que não condizia com as informações nutricionais do rótulo. Isso, longe de ser chatice, é exercício de cidadania.
Sabe qual a única e definitiva casa onde você vai morar desde seu nascimento até o dia de sua morte? O seu corpo. Se você escolhe os melhores produtos na hora de construir uma casa para sua família, qual é o problema de escolher os melhores alimentos para construir a morada de sua alma?
As informações nutricionais dos rótulos dos alimentos são reguladas por lei e a indústria é obrigada a colocar, dentro da embalagem, aquilo que está no rótulo. Os órgãos reguladores fazem isso para proteger sua saúde, mas quem faz as escolhas entre o melhor e o pior é você.
Há 7 pontos importantes a observar no rótulo dos alimentos:
1 - Tamanho das porções
2 - Valor energético
3 - Carboidratos, Fibras e Proteínas
4 - Quantidade de Gorduras
5 - Tipos de Gorduras
6 - Quantidade de Sódio e Açúcar
7 - Os Ingredientes
Sempre observe o tamanho das porções referidas nos produtos, para que possa fazer comparações corretas entre os alimentos. O que significa isso? Que o rótulo diz que há determinada proporção de um nutriente em relação a determinada quantidade do produto.
Às vezes, um pacote de biscoito tem, por exemplo, 10 unidades, mas aquelas informações nutricionais são para porções com duas unidades. Se não atentar, você acaba pensando que se referem ao pacote inteiro e vai ingerir cinco vezes mais, principalmente os alimentos nocivos.
Verifique o valor energético (quantidade de calorias) dos produtos, mas sempre levando em consideração o peso das porções de referência.  Prefira alimentos que tenham menor densidade calórica (kcal/100g). Ter mais de 400kcal por 100g de produto é uma quantidade calórica bastante elevada.
Verifique os carboidratos, as fibras e as proteínas. Se o produto é rico em carboidratos, é uma boa escolha se ele tiver mais de 6g de fibra e de proteína (por cada 100g de produto). Um valor superior a 10g de fibra e proteína seria excelente. Principalmente a indústria de laticínios tem desenvolvido alguns produtos muito bons nesse quesito.  
Relativamente às gorduras, procure valores inferiores a 10g por cada 100g de produto.
Compare produtos semelhantes e escolha aqueles que têm menos sódio e açúcar. O valor máximo diário recomendável de sal para generalidade das pessoas é de 5g (2g de sódio).
Fique atento: não basta olhar aquelas informações nutricionais colocadas em forma de tabela. Olhe os ingredientes do alimento. Os ingredientes encontram-se listados por ordem decrescente. O primeiro ingrediente é aquele que se encontra em maior quantidade.
Querem um ótimo exemplo? Praticamente, oito em cada 10 pacotes de pães fatiados apresentados como integrais não são integrais de verdade.  Se o primeiro ingrediente não for farinha de trigo integral, procure outro. Não se deixe enganar por expressões bonitas como farinha de trigo enriquecida com ácido fólico e ferro. Se quer consumir integral, tem que ser farinha de trigo integral.
Modere o consumo de alimentos cujos primeiros ingredientes sejam gorduras ou açúcares. De preferência, esses dois ingredientes devem estar, em ordem decrescente, lá pelo quarto, quinto ou sexto lugar.
Vou terminar te dando 4 dicas básicas de regras para sair às compras.
Regra 1 - Faça, em casa, uma lista dos produtos que necessita, levando em consideração os novos conhecimentos adquiridos até aqui, nesta e nas colunas anteriores.
Regra 2 – Nunca vá às compras de estômago vazio. Pesquisas demonstram que pessoas com fome compram o dobro do que precisam. Antes de sair para as compras, faça um lanche protéico ou tome um shake!
Regra 3 - Não compre coisas que não estão na sua lista, mesmo que elas tenham cheiro bom e sejam atraentes. Isto também é uma armadilha!
Regra 4 - Evite alimentos congelados e os que são preparados no microondas. Quanto mais naturais, melhor.
Os alimentos daquelas sessões que, geralmente, estão lá no fundo dos supermercados, de frutas e legumes, deveriam prevalecer em nossos carrinhos de compras. A aparência dos alimentos saudáveis é sempre muito colorida e viva.
Pense nisso na sua próxima compra.
 

Lídia Caldas é nutricionista pela Faculdade Católica de Vitória, especialista em Nutrição Esportiva pela Universidade Gama Filho (RJ) e gestora de Unidade de Alimentação e Nutrição. Fale com a nutri: lidiarncaldas@gmail.com 

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