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Governo deve entrar em campo para tentar esvaziar grupo de oposição na Assembleia


18/03/2017 às 18:51
O grupo de deputados que formou uma frente para trabalhar a oposição ao governo na Assembleia Legislativa ainda não delimitou uma estratégia de atuação conjunta, mas já tem dado muita dor de cabeça ao governador Paulo Hartung (PMDB). Embora os aliados da base tentem minimizar os efeitos da oposição, as cutucadas já tem trazido incômodos. Neste sentido, a tendência é de que a Casa Civil entre em campo para tentar esvaziar o grupo.
 
A frente foi assinada, a princípio, pelos deputados Theodorico Ferraço (DEM), Sérgio Majeski, Bruno Lamas e Freitas (ambos do PSB). Após essa movimentação inicial, o grupo ganhou a adesão do deputado Marcos Bruno (Rede) e de dois dos três pedetistas na Casa, Josias da Vitória e Euclério Sampaio. A expectativa é de que até o fim do ano, o grupo ganhe mais um adepto no Plenário.
 
A pressão hoje é sobre o deputado Rodrigo Coelho. O pedetista foi secretário do governo até bem pouco tempo e tem resistido à decisão da bancada de virar oposição. Mas o fato de ter pedido prazo regimental no projeto do “Pacto da Aprendizagem”, enviado pelo governo do Estado, na Comissão de Educação, acendeu o sinal de alerta sobre o posicionamento do deputado.
 
A preocupação palaciana aumentou depois da atuação do deputado Sérgio Majeski, na semana passada, conseguindo obstruir a sessão na votação dos vetos por dois dias seguidos. Se um deputado conseguiu tirar da zona de conforto o grupo do governo, sete deputados podem trazer muito mais problemas.
 
A reação foi imediata, com um café da manhã, na última segunda-feira (13) com os deputados aliados. No encontro, Hartung prometeu atender às emendas dos parlamentares, como uma forma evitar novas perdas na base. Mas a visibilidade e aceitação do eleitorado com a atuação de Majeski e o desgaste do governo após a crise da segurança, pode trazer uma reflexão diferente para os deputados.
 
Além disso, a defesa dos projetos dos demais parlamentares diante dos vetos do governo é outro atrativo. Ainda na segunda-feira, o deputado Sérgio Majeski conseguiu uma vitória no Plenário sobre o governo. O líder Gildevan Fernandes (PMDB) trabalhou pela rejeição do segundo turno da votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 17/2015, do deputado tucano, sobre políticas de recursos hídricos. Mas ficou sozinho no movimento. O deputado do PSDB conseguiu 18 votos em Plenário para aprovar a proposta.
 
Afinados
 
Mesmo sem ter uma estratégia de atuação montada, alguns discursos no grupo já estão se afinando. Na quarta-feira (15), Majeski e Bruno Lamas abordaram os problemas da educação em sintonia. Lamas ocupou a tribuna para falar da necessidade de reformas e melhorias em escolas da rede estadual. Ele aprovou no Plenário 11 indicações do deputado Bruno Lamas (PSB) ao Executivo, solicitando melhorias em escolas públicas da Serra.
 
Majeski (PSDB) parabenizou o deputado pela iniciativa e aproveitou para reforçar que o Estado não vem cumprindo o percentual mínimo previsto para a educação na Constituição Federal. “Desde 2011 deixou de cumprir o investimento de 25%. Esse ano, segundo orçamento aprovado nesta Casa, mal chegará a 21%, terá perdas de R$ 600 milhões. Essa maquiagem começou a ser feita em 2009 e, até 2017, segundo o Ministério Público de Contas, a educação terá perdido R$ 4 bilhões”, afirmou o tucano, que levou essa semana a denúncia à Procuradoria-Geral da República (PGR).
 
O parlamentar explicou que fez denúncia à PGR pedindo a anulação do decreto do Tribunal de Contas (TCES), que permite ao governo investir menos que o determinado e a intervenção federal no Estado. “Existem tantos problemas nas escolas e na Educação e se continua usando o dinheiro previsto para outros fins que não guardam relação com investimento propriamente na educação”, ressaltou.

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