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PH por detrás do muro


19/03/2017 às 11:16
Para quem estava acostumado a escalar os eleitos e anda agora trocando apoio com o baixo clero para alcançar uma eleição dentro do seu agora limitado arco de influência política, pode-se dizer que as coisas mudaram bastante neste terceiro mandato do governador Paulo Hartung (PMDB). É uma queda e tanto para quem, até outro dia,  dispunha da classe política como se ela fosse refém dele. 
Colocando, inclusive, em prática, o velho fisiologismo que tanto fez causa  para cima da classe política que encontrou quando assumiu o governo pela primeira vez. Só que o momento político presente chega ao ponto de PH se ver rejeitado por organizações partidárias como o PSDB, que sempre manejou eleitoralmente conforme as suas necessidades.
Mas o PSDB já não é mais o mesmo. Ele teria ouvido de seu vice-governador, César Colnago, do comando do PSDB,  que não sabe se o partido vai apoiá-lo nas suas pretensões eleitorais, dadas, naturalmente, as sua atuais fragilidades políticas.  
Quem diria também que um dia PH ouviria do seu principal servo político, refiro-me ao ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas, a disposição em candidatar-se a um cargo eletivo sem consultá-lo. Reforçando ainda mais que Hartung está enfraquecido politicamente.   
Embora o governador continue com o disfarce de que não deve ser candidato a nada, apesar de todas as evidências. Vale lembrar que ele passou o tempo todo, antes de candidatar-se para o seu atual mandato, dizendo que não seria candidato em hipótese alguma. Para anunciar que disputaria o governo, desfazendo o pacto de unanimidade com Renato Casagrande (PSB) aos 45 do segundo tempo.
Para quem até outro dia pousava como campeão da redução dos gastos públicos no País, e sequer foi capaz de solucionar um motim da PM em seu Estado, apesar de inúmeras bravatas (“Não vai ficar pedra sobre pedra”),  acabou recorrendo às Forças Armadas, queimando, literalmente, o seu filme que vinha sendo exibido País afora.  
Hoje PH anda acariciando modestos quadros políticos que, em outros tempos,  jamais receberia em seu gabinete. Em outra coluna cheguei a batizar essa relação de PH com o baixo clero de operação  caça níquel. Numa confirmação tácita de que seus truques passaram a ser do domínio político libertos do desapego, até então, empregado sobre eles.   
Há pouco falei do PSDB dando as costas para Hartung. Pois bem, até o PT, que ele dispôs sempre como quis, neste momento em que passa por eleições de seus dirigentes partidários. A propósito, lidera o pleito pelo comando regional do PT o candidato o deputado federal  Gilvado Vieira, que tem como principal bandeira de campanha o desembarque do governo Hartung. “É injustificável permanecer no governo, até porque é um governo que sequer está bem”, disse em entrevista a Século Diário. O PDT do deputado federal Sérgio Vidigal, também segue pelo mesmo caminho. 
E a fragilidade do seu governo se evidencia de tal maneira que o ex-presidente do Legislativo estadual, Theodorico Ferraço (DEM), num duro discurso, distendeu a Assembleia Legislativa criando um bloco de oposição ao governo. 
Pelo visto, PH só se salva se as forças políticas, que até então não ousavam respirar ao ar livre, não atentarem para esse momento de grande fragilidade política do governador. Se depender unicamente de PH, ele estará n’água. A beatificação política almejada perdeu-se pelo caminho. 

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Comentários

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