Seculo

 

Hartung adota investida agressiva para manter controle da Amunes


20/03/2017 às 15:15
Chamou atenção dos meios políticos, o tom dado pelo governador Paulo Hartung (PMDB) à disputa pela presidência da Associação dos Municípios do Estado (Amunes), na entrevista publicada pelo jornal A Tribuna neste domingo (19). Isso porque a estratégia mais agressiva não combina com o perfil do governador, que sempre atuou mais nos bastidores, evitando confrontos diretos.
 
“Nós nunca aceitamos que a Amunes fosse trampolim de interesse político para projeto de A, B ou C. É a mesma postura que temos hoje, está claro?”, disse. Como a disputa está polarizada na entidade e a candidatura do prefeito de Linhares, Guerino Zanon (PMDB), é identificada como uma candidatura palaciana, o recado foi entendido no grupo do prefeito de Viana, Gilson Daniel (PV).
 
Segundo interlocutores, o governo teria convicção de que o lançamento da candidatura de Zanon causaria, automaticamente, o esvaziamento do palanque do prefeito de Viana, o que não aconteceu. 
 
Desde o registro das duas chapas, Hartung tem encontrado dificuldades em conseguir a maioria dos votos para a candidatura de Zanon. Pelas contas dos observadores, Gilson Daniel teria uma vantagem de oito votos sobre o peemedebista.
 
A chapa de Gilson Daniel vem sendo identificada como ligada ao grupo do ex-governador Renato Casagrande (PSB). Isso porque, em 2014, ele liderou um movimento de prefeitos de apoio à reeleição do socialista. Após a eleição de Hartung, o prefeito de Viana buscou aproximação com o governador Paulo Hartung. Mas ele não teria a confiança do peemedebista.
 
A preocupação palaciana, porém, está voltada para outra liderança com capilaridade histórica no interior, Rose de Freitas (PMDB). A senadora já sinalizou disponibilidade para a disputa ao governo em 2018 e tem um perfil municipalista, que sairia muito fortalecido caso seu candidato vença a disputa da entidade.
 
Ainda na entrevista, Hartung afirma a parceria com a Amunes desde 2003, quando chegou ao governo pela primeira vez. Hartung destacou que a entidade não tem perfil político, e seu papel tem sido de mediação entre os municípios e o Estado.
 
Isso aconteceu até aqui, porém, porque o governo não recebeu cobranças da Amunes, que funcionou como anteparo dos municípios. O cenário de unanimidade inibiu as entidades de buscarem confronto com o governo. Com a falta de apoio e a situação econômica calamitosa dos municípios, a tendência é a busca de fortalecimento da entidade como instrumento de articulação dos prefeitos. Com um aliado na entidade, o governador conseguiria manter o controle dessa classe.

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