Seculo

 

Governo defende diálogo, mas continua usando discurso político no debate da Cesan


07/04/2017 às 15:30
A novela da concessão do serviço de água e esgoto da Cesan, em Vitória, ganhou mais um capítulo nesta sexta-feira (7) com o posicionamento do secretário-chefe da Casa Civil, José Carlos da Fonseca Júnior, na coluna Praça Oito, de A Gazeta. Embora defenda a necessidade de diálogo com a Prefeitura de Vitória no impasse em torno da Cesan, o governo continua esticando a corda no debate político do assunto.
 
Diferentemente do que afirmou o governador Paulo Hartung à imprensa, que “na hora certa, tecnicamente, a Cesan falará sobre o assunto”, o secretário não só falou no momento inoportuno como imprimiu viés político ao discurso. Ao tentar jogar o viés político para o prefeito, o secretario acabou passando do ponto, emplacando um duro discurso.
 
“Ele é o prefeito eleito. Mas não se pode deixar de observar que a maneira como este tema está apresentado denota um voluntarismo antimetropolitano que vai contra até as tendências mais gerais do que se observa no Brasil nesta questão. Vitória não produz água! Então, essa iniciativa é de um voluntarismo que vai contra a lógica metropolitana e a solução metropolitana”, disse o secretário.
 
A resposta do secretário de Gestão Estratégica da Prefeitura, Fabrício Gandini, porém, desmonta o discurso palaciano. “Olha, enquanto estamos conversando, milhões de litros de esgoto estão sendo lançados nas nossas praias. E não existe hoje nenhum plano que tenha sido apresentado pela Cesan para Vitória!”, afirmou Gandini.
 
A fala do secretário, após o governo conseguir por meio e uma manobra para esvaziar uma CPI sobre a empresa, deixa transparecer que o interesse político do governo é tentar blindar a empresa para proteger o projeto de venda da empresa. O secretário municipal também criticou a falta de diálogo sobre o assunto.
 
“O Zé Carlinhos devia é estar propondo uma agenda. Se ele propuser uma agenda positiva para Vitória, eu vou amanhã (hoje) conversar com ele. O problema é que não há nada. O que fizemos foi só a abertura para um estudo. É como se estivéssemos fazendo um movimento criminoso, só porque partiu da Prefeitura de Vitória. Não consigo entender tamanha reação”, afirmou ao jornal.
 
O secretário endurece o discurso, mas não desmobiliza o movimento do prefeito. Com um assunto de repercussão popular na cidade, o início de um estudo de viabilidade abre possibilidade de a cidade pensar em um novo modelo de gestão do sistema de água e esgoto. Já o governo do Estado perde com o movimento o grande atrativo para a venda da empresa que seria a concessão para o serviço em Vitória.

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