Seculo


  • Lava Jato no ES

 

No alvo


12/04/2017 às 14:21

No fim da tarde dessa terça-feira (11), um verdadeiro tsunami atingiu a classe política do Estado. Todo mundo sabia que uma onda vinda de Brasília atingiria o Espírito Santo, mais cedo ou mais tarde, mas ninguém esperava que a onda seria tão devastadora, abalando as estruturas até do Palácio Anchieta.

Vai dar em alguma coisa? Os acusados serão punidos? Os delatores vão conseguir provar suas acusações? Tudo pode acontecer até 2018, inclusive nada. Mas, politicamente, já aconteceu. As delações de Benedicto Barbosa da Silva Júnior caem como uma bomba no castelo de cartas que estava sendo construindo pelo governador Paulo Hartung (PMDB) no Estado e fora dele.

O governador que até 3 de fevereiro era o grande exemplo de gestão para o Brasil, passou a sofrer desgastes na imagem que vinha vendendo para o País. Hartung tinha planos de voos altos, talvez voltar ao Senado, dessa vez sem ser baixo clero, ou quem sabe, se tudo desse certo e as grandes estrelas da política nacional se inviabilizassem, ele poderia até compor chapa para a Presidência da República.

Hartung foi abatido em pleno voo. Hoje, não se sabe se teria condições de erguer um palanque à reeleição. Uma vez tendo recebido o selo “Lava Jato”, o julgamento público se dá automaticamente. Delações do "Bené" da Odebrecht fez cair o último bastião da moralidade do Espírito Santo e no País. O governador que até pouco tempo atrás apontava o dedo para os desmandos do Rio de Janeiro, hoje não teve condições de participar de agendas públicas.

A saída de férias pode ajudar a esfriar os ânimos, o foco na denúncia contra o senador Ricardo Ferraço (PSDB) pode até tentar desviar os holofotes, mas desgaste da imagem do governador é muito grande e um fantasma que vai perseguir Hartung até o fim de seu mandato.

O medo da classe política agora é que o tsunami seja o primeiro de uma sequência de ondas que possa devastar de vez a classe política como um todo. Até o momento o que se vê é um cenário com possibilidade de aparecimento de novas lideranças, uma vez que os principais atores políticos para 2018, estão com problemas sérios para resolver até lá.

Fragmentos:

1 – O senador Magno Malta (PR) ocupou a tribuna do Senado para fazer uma “reflexão” sobre a delação do fim do mundo. Seu discurso se baseou na delação de Marcelo Odebrecht sobre o ex-presidente Lula, para quem fez tanta campanha no passado.

2 – O senador esqueceu-se, porém, de seu colega de bancada e novo melhor amigo de infância, Ricardo Ferraço (PSDB), que também aparece na lista do ministro-relator da Lava Jato, no Supremo Tribunal federal, Edson Fachin, com um pagamento de R$ 400 mil na campanha eleitoral.

3 – Malta e Ricardo têm caminhado juntos Estado afora, com a Caravana da Vida. A pergunta que permanece é: Malta vai fazer com Ricardo o que fez com Lula e companhia? Vai deixar o companheiro pelo meio do caminho?

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