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  • Lava Jato no ES

 

Entidades sociais cobram posicionamento de políticos capixabas na Lava Jato


12/04/2017 às 18:46

Entidades capixabas assinaram uma nota sobre a inclusão de lideranças políticas do Estado, incluindo o governador Paulo Hartung (PMDB) e o senador Ricardo Ferraço (PSDB), na lista de inquéritos abertos e encaminhados para outras instâncias do ministro-relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.

Assinam a nota a ONG Transparência Capixaba, o Conselho Regional de Contabilidade do Espírito Santo (CRC-ES), Associação dos Auditores de Controle Externo do Estado do ES (Ascontrol), Forum das Carreiras Típicas do Estado do Espírito Santo (Focates), Sindicato dos Policiais Federais do Espírito Santo (SINPEF-ES), Sindicato dos Auditores de Controle Externo do Estado do Espírito Santo  (Sindifiscal), Sindicato dos Auditores Fiscais de Tributos do Município da Serra/ES (SINDAFS) e  Sindicato Estadual do Fisco Municipal do Espírito Santo (Sefim).

A nota afirma que Espírito Santo tem seus representantes na lista de Fachin e são componentes das principais siglas e comandam as principais forças políticas locais, que ocupam ou já ocuparam os principais cargos da política regional e nacional.

“Diante desses fatos graves, as entidades abaixo reunidas vêm a público cobrar explicações de nossos representantes, além de cobrar um processo de apuração efetivo - em todas as instâncias - que devolva a confiança da sociedade nas instituições competentes”, diz a nota

As entidades reforçam que a confirmação de que inúmeras das principais lideranças capixabas investigadas na Operação Lava-jato mostram a  necessidade de o cidadão retomar o papel central da vida política, cobrando reformas, tanto política, quanto eleitoral, e um novo modelo de atuação, diferente das desgastadas práticas tradicionais de manutenção do poder. O cidadão tem responsabilidade nesse processo, e sem sua participação não teremos reformas estruturais.

Veja a nota na íntegra

A República dos investigados: o Brasil refém da corrupção sistêmica em suas maiores instituições representativas nacionais. 
 
"A primeira cousa que um político de lá pensa, quando
se guinda às altas posições, é supor que é de carne e
sangue diferente do resto da população."
Lima Barreto, Os Bruzundangas
“O início e o fim da tradição têm em comum o seguinte:
os problemas elementares da Política jamais vem tão
claramente à luz, em sua urgência imediata e simples,
como ao serem formulados pela primeira vez, e ao 
receberem seu desafio final”
Hannah Arendt, Entre o passado e o futuro
 
Neste triste e histórico dia 11/04/2017 o Supremo Tribunal Federal autorizou a abertura de 83 inquéritos solicitados pela Procuradoria Geral da União com base em 78 delações feitas por executivos da construtora Odebrecht na Operação Lava-jato, além de inúmeras outras petições enviadas pelo ministro Edson Fachin a diferentes instâncias da Justiça Federal, que envolvem outras dezenas de agentes políticos.
 
Apenas nos inquéritos que ficaram no STF os números são estarrecedores: são 29 Senadores - mais de um terço do Senado, incluindo seu ex-presidente, Renan Calheiros, e o atual, Eunício de Oliveira - 8 Ministros, 42 Deputados Federais - incluindo aqui também o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia - 3 governadores, além de parentes e ex-políticos, totalizando 108 denunciados. Essas e outras figuras centrais da República envolvidas.
 
Conviveremos agora com um processo longo, que traz consigo toda a desconfiança da histórica impunidade que é dispensada à classe política brasileira pelos cidadãos. Teremos ainda que ouvir os mesmos discursos cínicos, dissimulados e relativizados para "explicar o inexplicável" por parte de quem deveria estar empenhado em produzir políticas públicas em benefício da população, mas que ao invés disso cria "políticas privadas" para seus próprios interesses. 
 
Buscando explicações na lei, grande parte se vale da pretensa doação de campanha registrada - que na maioria dos casos não encontra respaldo nos valores declarados ao TSE. Escondem do eleitor o que havia por trás das vultosas doações de uma empresa que não tinha qualquer interesse democrático por trás de sua "benevolência" para com a classe política. Pelo contrário, cooptava o poder público para abastecer seus cofres com obras superfaturadas e licitações de cartas marcadas, como apontam as investigações.
 
O estado do Espírito Santo tem seus representantes na lista: são componentes das principais siglas, e comandam as principais forças políticas locais. Ocupam - ou já ocuparam os principais cargos da política regional e nacional.
 
Diante desses fatos graves, as entidades abaixo reunidas vêm a público cobrar explicações de nossos representantes, além de cobrar um processo de apuração efetivo - em todas as instâncias - que devolva a confiança da sociedade nas instituições competentes. 
 
A confirmação de que inúmeras das principais lideranças capixabas são investigadas na Operação Lava-jato  reforça a necessidade de o cidadão retomar o papel central da vida política, cobrando reformas - política e eleitoral - e um novo modelo de atuação, diferente das desgastadas práticas tradicionais de manutenção do poder. O cidadão tem responsabilidade nesse processo, e sem sua participação não teremos reformas estruturais.
                                                                                                    Vitória - ES, 12 de abril de 2017.
 
ONG TRANSPARÊNCIA CAPIXABA.
CRC ES - Conselho Regional de Contabilidade do Espírito Santo.
ASCONTROL - Associação dos Auditores de Controle Externo do Estado do ES.
FOCATES - Forum das Carreiras Típicas do Estado do Espírito Santo.
SINPEF-ES - Sindicato dos Policiais Federais do Espírito Santo.
Sindicato dos Auditores de Controle Externo do Estado do Espírito Santo.
SINDAFS - Sindicato dos Auditores Fiscais de Tributos do Município da Serra/ES. 
SEFIM - Sindicato Estadual do Fisco Municipal do Espírito Santo.

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