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Delação revela que Neivaldo Bragato era ‘executivo de Hartung’ para caixa 2


13/04/2017 às 14:46
A referência ao nome do ex-secretário de Gabinete do governador Paulo Hartung (PMDB) e atual conselheiro do Banestes, Neivaldo Bragato – próximos, desde a época do movimento estudantil – reforça a acusação de “caixa dois” ao mandatário do Palácio Anchieta, citado na delação de executivos da Odebrecht. O braço direito de Hartung já exerceu vários postos nas gestões do peemedebista e está atualmente como representante do governo do Estado no Conselho de Administração do Banestes.
 
Em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, afirmou que repassou R$ 1 milhão para Hartung, através de quatro repasses em dinheiro para Bragato – que teria recolhido os valores em hotéis na zona sul do Rio de Janeiro, em setembro de 2010. Naquela ocasião, ele atuava como titular da Secretaria de Transportes e Obras Públicos (Setop), onde permaneceu por quase todos os dois primeiros mandatos de Hartung.
 
Benedicto mostrou conhecimento ao descrever o local do escritório de consultoria Éconos, onde Hartung atuou logo após deixar o governo (em 2010) ao lado do sócio, o ex-secretário da Fazenda, José Teófilo de Oliveira. Na delação, o ex-executivo informou a localização exata do prédio em que funcionava a Éconos, na Reta da Penha, em Vitória, além dos nomes das principais auxiliares de Hartung na empresa, Deise e Simone – esta última Simone Modolo, secretária do então ex-governador na firma e que também atuou como chefe de Gabinete no Palácio (hoje ela é subsecretária de Turismo na atual gestão do peemedebista).
 
No termo de colaboração, nome dado à delação pelo MPF,  o ex-executivo detalhou que o pagamento do caixa dois a Hartung foi feito através do setor de Operação Estruturadas da empresa, que concentrava o esquema de propina do grupo. Os repasses teriam sido feitos pela equipe de Hilberto Silva ao peemedebista, sendo que os contatos da “operação” eram Sérgio Neves pela Odebrecht e Bragato pela parte do governador. Tudo isso apenas escancara a relação antiga entre o peemedebista e sua “pessoa de confiança”. Para Benedicto, Hartung teria conhecimento de que se tratava de caixa dois.
 
Chama atenção que Bragato sempre foi apontado como a principal figura ligada ao governador junto ao empresariado. Tanto que, logo após o fim da primeira “era Hartung”, ele foi rapidamente alçado à presidência da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan), no início da gestão Renato Casagrande (PSB), que foi apoiado por Hartung no pleito de 2010. Bragato deixou o cargo de maneira brusca em 2013, coincidentemente, após o grupo Odebrecht ser preterido na concessão de saneamento no município da Serra.
 
Dentro do grupo de pessoas ligadas a Bragato se destacam outros importantes personagens durante a Era Hartung – e que seguem próximas à administração do peemedebista. Casos do atual secretário de Transportes, Paulo Ruy Carnelli, que sucedeu Bragato na companhia – após retornar de um período como consultor da Odebrecht. Outros nomes são da atual diretora de Administração e Finanças do Bandes, Denise de Moura Cadete Gazzinelli Cruz, e de sua assessora, Marilza Barbosa Prado Lopes. As duas exerceram diversos cargos públicos nas primeiras de gestões de Hartung e hoje estão abrigadas na instituição financeira estatal.

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