Seculo

 

Casagrande recebeu R$ 1,8 milhão da Odebrecht, denuncia delator


13/04/2017 às 16:37
As justificativas do ex-governador Renato Casagrande (PSB) sobre os recebimentos de recursos advindos da Odebrecht, de que foram doações legais, repassadas ao PSB para serem distribuídas nas campanhas eleitorais em todo o País, cai por terra com a divulgação da delação do ex-executivo da empreiteira, Sérgio Neves.
 
Na noite dessa terça-feira (11), o ex-governador afirmou pelas redes sociais que estava acompanhando as notícias e que sobre a abertura de investigação em doações da Odebrecht para campanhas eleitorais. Ele reiterou que o PSB recebeu doação oficial da empresa e a repassou às campanhas de candidatos de vários Estados. “Isso foi devidamente divulgado há um ano, e explicado aqui mesmo em nossa página. Não há nenhum fato novo na divulgação, no que se refere a nossa conduta. Apenas a oportunidade de agora, com o devido processo investigatório, provarmos de uma vez por todas a legalidade dos fatos”, disse o governador.
 
De fato, o delator afirma que em 2014, os repasses de R$ 770 mil foram feitos de forma oficial, mas o contexto das negociações deixam a situação bem mais complicada. Neves afirma que a empresa tinha interesse em projetos específicos que estavam sendo gestados no governo Casagrande e que foram colocados na mesa como contrapartida para os repasses no período eleitoral. “Tínhamos interesse em projetos de infraestrutura e, na época, Casagrande tinha projetos como o túnel entre Vitória e Vila Velha, a Quarta Ponte, o projeto de saneamento e o BRT”, disse.
 
Na manhã dessa quinta-feira (13), o ex-governador postou uma nova argumentação, sobre o processo de doações de campanha. Ele disse que o comitê eleitoral e o partido receberam recursos da Odebrecht para as campanhas de 2010 e 2014 e que via direção nacional, a direção estadual, recebeu ajuda para as campanhas nos municípios em 2012.
 
“Se essa era a regra o que importa neste momento é o capixaba saber que o recurso recebido foi aplicado na campanha e as empresas que colaboraram não tiveram nenhum privilégio através da minha função como governador”, disse.
 
Neves admitiu que os projetos seguiram à frente, mas a promessa que teria vindo do então assessor especial do gabinete de Casagrande, Paulo Brusqui, davam ideia de que a empresa teria prioridade nas obras e que seriam contempladas em um eventual segundo mandato de Casagrande. Isso tudo foi prometido com reuniões, inclusive, dentro do Palácio Anchieta, como confirmou o delator.
 
O delator afirmou que o codinome do ex-governador nas planilhas da Odebrecht era Centroavante, uma referência ao ex-jogador e comentarista esportivo Walter Casagrande. Ele explicou que em 2012, quando aconteceu a campanha municipal, o assessor solicitou uma reunião na sede do governo do Espírito Santo, com a participação do então governador, que solicitou apoio para o seu grupo político, nesse caso, para a candidatura de Luciano Rezende (PPS) à prefeitura de Vitória. “Efetuamos essa contribuição de R$ 500 mil via setor de operação estruturada”, explicou Neves, se referindo ao valor doado a pedido de Casagrande para a campanha de Rezende.
 
Em 2014 houve, segundo o delator, novos encontros no mesmo formato, só que na oportunidade ocorreram na empresa, com sede no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. Rompido com Hartung, Casagrande teria pedido isonomia no financiamento com seu principal adversário. "Ele estava um pouco magoado, parece que tinha uma cisão com o grupo de Hartung, então ele frisou que os valores repassados a ele fossem similares aos valores para Hartung", afirmou o delator.  Os executivos da Odebrecht decidiram então, que esse repasse seria via oficial, com R$ 770 mil ao Diretório Nacional do PSB.
 
Mas a relação com a empresa é mais antiga. Os primeiros pagamentos a Casagrande aconteceram na disputa de 2010, quando Casagrande é alçado à candidatura de governador no grupo de Hartung, em uma substituição do cabeça de chapa em abril daquele ano, após a desistência de Hartung em disputar o Senado. Ricardo Ferraço, que também teria recebido os recursos para a campanha, ocupou a vaga que a Odebrecht pensava ser do então governador e Casagrande passou a ser o candidato ao governo.
 
Na ocasião, o socialista solicitou aos executivos da companhia R$ 1,8 milhão de doação para sua campanha. Naquele momento, a reunião já havia sido articulada por Brusqui, segundo o delator. De acordo com a delação, foram oito parcelas de recursos via caixa dois, sendo sete parcelas de R$ 250 mil e uma de R$ 50 mil, somando R$ 1,8 milhão, entre os dias 20 de julho e 16 de setembro daquele ano.
 
Veja abaixo a resposta de Renato Casagrande à delação de Sérgio Neves
 
NOTA À IMPRENSA
 
Diante dos últimos fatos divulgados pela imprensa com relação à delação dos ex executivos  da Odebrecht envolvendo meu nome, esclareço:
1.      Nunca tratei de assuntos referentes à campanha eleitoral na sede do Palácio Anchieta com a Odebrecht, nem com nenhuma outra empresa; as reuniões relatadas pelos delatores sempre abordaram assuntos institucionais e de interesse do Estado;
 
2.      Em 2010, fui ao Rio de Janeiro a uma reunião com o Superintendente da empresa, Benedito Junior, para solicitar recursos para a campanha de governador, porém, não explicitei valor específico, como relatado pelo delator, muito menos que fosse por via ilegal;
 
3.      Em 2012, não solicitei recursos para as campanhas do PSB ou aliados diretamente no ES. Isso foi feito pela direção nacional do Partido, que arrecadou e repassou aos Estados.
 
4.      Em nenhum momento houve, de minha parte ou da equipe, qualquer negociação referente a obras ou serviços no Estado, prova disso é que a empresa não fez nenhum contrato no meu período de governo.
 
5.      Já solicitei o levantamento de toda documentação referente às prestações de contas das minhas campanhas e providenciarei  as informações sobre a forma como foram efetivadas, até porque as delações misturam doações oficiais com outras supostamente não oficiais.
 
6.      Esclareço que a administração financeira da campanha era realizada por equipe especialmente indicada para esse trabalho, que era responsável pela arrecadação, aplicação e prestação de contas dos recursos  junto à justiça eleitoral.  
 
7.      Permaneço à disposição para novos esclarecimentos.
 
 
RENATO CASAGRANDE
NOTA À IMPRENSA
 
Diante dos últimos fatos divulgados pela imprensa com relação à delação dos ex executivos  da Odebrecht envolvendo meu nome, esclareço:
1.      Nunca tratei de assuntos referentes à campanha eleitoral na sede do Palácio Anchieta com a Odebrecht, nem com nenhuma outra empresa; as reuniões relatadas pelos delatores sempre abordaram assuntos institucionais e de interesse do Estado;
 
2.      Em 2010, fui ao Rio de Janeiro a uma reunião com o Superintendente da empresa, Benedito Junior, para solicitar recursos para a campanha de governador, porém, não explicitei valor específico, como relatado pelo delator, muito menos que fosse por via ilegal;
 
3.      Em 2012, não solicitei recursos para as campanhas do PSB ou aliados diretamente no ES. Isso foi feito pela direção nacional do Partido, que arrecadou e repassou aos Estados.
 
4.      Em nenhum momento houve, de minha parte ou da equipe, qualquer negociação referente a obras ou serviços no Estado, prova disso é que a empresa não fez nenhum contrato no meu período de governo.
 
5.      Já solicitei o levantamento de toda documentação referente às prestações de contas das minhas campanhas e providenciarei  as informações sobre a forma como foram efetivadas, até porque as delações misturam doações oficiais com outras supostamente não oficiais.
 
6.      Esclareço que a administração financeira da campanha era realizada por equipe especialmente indicada para esse trabalho, que era responsável pela arrecadação, aplicação e prestação de contas dos recursos  junto à justiça eleitoral.  
 
7.      Permaneço à disposição para novos esclarecimentos.
 
RENATO CASAGRANDE

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