Seculo

 

Todos iguais


15/04/2017 às 18:58

Se a quinta-feira feira começou com a delação de Benedicto Júnior desmontando o discurso do governador Paulo Hartung (PMDB) sobre as denúncias de que ele recebera R$ 1 milhão da Odebrecht, ela terminou com o discurso de Renato Casagrande (PSB), de que todas as doações foram legais também caindo por terra, com a delação de Sergio Neves, de que ele recebera R$ 1,8 milhão em 2010.

É mais uma situação em que Hartung e Renato Casagrande se mostram frutos da mesma árvore. As lideranças que polarizam a disputa política no Estado, embora tentem disputar se colocando em lados opostos e apontando o dedo para o oponente como se todo mal estivesse do outro lado, acabam sendo encurraladas nos mesmos becos escuros.

A coluna não vai aqui condenar nenhuma delas pelas acusações que precisam ser comprovadas juridicamente. Mas o efeito devastador na imagem de ambos leva a reflexão para 2018 de um cenário em que nenhum dos dois terá mais condição de dar as cartas, depois da hecatombe desta quinta-feira.

Isso se focarmos apenas nos dois principais atores políticos, que dividiram o Estado em 2014, porque a situação do prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), que ensaiava uma terceira via, também não é nada boa. Hoje não há segurança política no Estado e não se observa nos grupos que se articulavam para disputa do próximo ano um nome que possa salvar o jogo. O tabuleiro está limpo e novas peças devem ser colocadas nele, porque essas já não servem mais.

Os processos prometem ser demorados e sem uma comprovação da culpa ou de inocência, a dúvida prevalecerá sobre a classe política como um todo. Se até o final de janeiro Hartung estava com a corda toda, hoje se tornou tóxico para a classe política. Se nessa quarta-feira, Renato Casagrande era o menos complicado por estar na planície, hoje também já não é uma boa companhia aos olhos do eleitor.

O que resta saber é quem vai conseguir sair desse tsunami em condições de uma disputa eleitoral. Quanto a Hartung, a dúvida é sobre como ele vai conseguir levar seu mandato até o fim com a imagem em frangalhos.
 

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Comentários

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Precipitou-se

Com um olho em 2018 e outro em 2020, Luciano Rezende antecipou o processo eleitoral, mas esqueceu a Lava Jato. Aí mora o problema.

OPINIÃO
Renata Oliveira
Bicho-papão
O ajuste fiscal de Paulo Hartung precisa do exemplo do Rio de Janeiro tanto para cortar quanto para supervalorizar a liberação de recursos
JR Mignone
Qual rádio ouviria hoje?
Sinceramente, não saberia explicar que tipo de rádio eu ouviria hoje, isto é, que me motivaria a ligar o botão para ouvi-la: uma de notícia ou uma só de música selecionada
Caetano Roque
Pressão neles
O movimento sindical deve conscientizar o trabalhador sobre quem estará na disputa do próximo ano contra ele
Geraldo Hasse
A doença da intolerância
Ela está nos estádios, nos governos, nas igrejas, nos parlamentos, nas ruas, nos tribunais
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