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Deputados estaduais, federais e prefeitos estão na planilha de beneficiados da Odebrecht


14/04/2017 às 19:42
O foco das delações premiadas envolvendo lideranças políticas do Espírito Santo se voltou para os principais atores políticos do Estado, mas a planilha da empresa de 2010, mostra que a movimentação foi bem além das disputas ao governo do Estado e ao Senado. A Odebrecht fez apostas em prefeitos, deputados federais e estaduais com base nos interesses em negócios futuros da empreiteira no Espírito Santo.
 
Os montantes e motivos de apoio às candidaturas de Renato Casagrande (PSB) e Ricardo Ferraço (PSDB), em 2010, respectivamente, ao governo e Senado, além dos interesses do governador Paulo Hartung (PMDB), estão ao lado de apostas em outras lideranças de menor densidade política, mas também consideradas estratégicas pela empresa. Essas lideranças também aparecem identificados por apelidos nas planilhas do “Departamento de Propina” da empresa, e com interesses específicos.
 
Entre os candidatos a deputado estadual em 2010 estão Alexandre Passos (PT), identificado por “Sapato”, que disputou a eleição à Assembleia e teria recebido R$ 30 mil da empresa, a pedido do ex-prefeito de Vitória João Coser, também do PT.
 
Candidato à reeleição a deputado estadual naquele ano, Sérgio Borges (hoje conselheiro do Tribunal de Contas), identificado como “Boquinha”, teria mostrado disposição para apresentar emendas e defender projetos no interesse da companhia. Ele teria recebido apoio financeiro de R$ 50 mil.
 
Quem também teria levado R$ 50 mil foi o deputado estadual Esmael Almeida (PMDB), tratado como “Canário” na planilha da empreiteira. Ele seria uma aposta na defesa de concessões e privatizações.
 
Na bancada capixaba, houve três apostas. A primeira no então candidato a deputado federal e hoje vice-governador, César Colnago (PSDB), apelidado de “Gripe”. O candidato à época era visto como um potencial parlamentar com disposição para apresentar emendas na Câmara e propenso a defender projetos de interesse da companhia. Ele teria recebido R$ 30 mil para a campanha.
 
O então candidato do PT, Guilherme Lacerda, aparece com o apelido de “Magma” em três repasses de R$ 50 mil cada, porque seria um defensor de privatizações. Iriny Lopes, também PT, tem o apelido “Masculina”, e teria recebido um repasse de R$ 50 mil. A deputada federal era vista como uma parlamentar com disposição para apresentar emendas e defender projetos de interesse da Odebrecht no Estado, segundo apontado na planilha da empresa.
 
O deputado estadual Rodrigo Coelho (PDT), que à época estava no PT, não está na planilha, mas é citado nas delações de Sérgio Neves como beneficiado pelas repasses de campanha feitos pela empresa, assim como o ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim e atual secretário estadual de Assistência Social, Carlos Casteglione (PT).
 
Entre os prefeitos, Audifax Barcelos (Rede) é tratado na planilha como “Italiano”, e teria recebido R$ 100 mil na disputa de 2012, com o interesse de desenvolver projetos para a empresa no município. Com esse mesmo interesse, a empresa apostou na eleição de Max Filho (PSDB), o “Novo”, que teria recebido R$ 80 mil, na campanha de 2012.
 
Esse também foi o motivo que fez a empresa repassar R$ 280 mil em três parcelas em 2012 para a campanha de Luciano Rezende (PPS), identificado como “Filho do Reino” na planilha. Ainda em Vitória, a empresa apostou R$ 200 mil na campanha de “Filhote”, apelido de Luiz Paulo Vellozo Lucas, no relatório da Odebrecht.
 
Audifax rebate
 
O prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede) escreveu uma nota sobre o fato de seu nome estar nas planilhas da Odebrecht.
 
NOTA PÚBLICA
 
Tomei conhecimento pela imprensa da menção ao meu nome numa lista sendo supostamente beneficiário de doações eleitorais irregulares em 2012. Sobre isso esclareço o seguinte:
 
1. A Operação Lava-Jato está trazendo uma enorme contribuição ao país. As investigações e o trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Justiça têm todo meu apoio.
2. Nunca tive qualquer contato com representantes da empresa Odebrecht antes, durante ou depois de ter sido eleito prefeito. 
3. Desde que sou prefeito da Serra, não existe nenhuma obra, contrato ou qualquer negociação envolvendo direta ou indiretamente a empresa Odebrecht ou suas subsidiárias no município.
4. Esclareço que em 2012 recebi doação legal da Executiva Nacional do PSB, meu partido na época, no valor de R$ 100 mil. O dinheiro foi declarado na minha prestação de contas.Trata-se de uma operação completamente amparada pela legislação eleitoral.
5. Não existe sequer investigação ou inquérito a esse respeito. Não faço parte da lista de investigados do Procurador Geral da República, o que prova que não cometi crime algum, apenas recebi uma contribuição oficial do meu partido.
6. Todas as minhas contas de campanha foram aprovadas e estão à disposição. Não houve nenhum questionamento das prestações de contas na Justiça Eleitoral.
7. Não autorizei ninguém a falar em meu nome com esta empresa ou com qualquer outra empreiteira.
Audifax Barcelos 
14/04/17

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