Seculo

 

Delações jogam Casagrande e Hartung na mesma vala


14/04/2017 às 11:50
A divulgação dos vídeos com as delações premiadas dos ex-executivos da Odebrecht caiu como uma bomba no cenário político do Estado, já que afetou em cheio as principais lideranças capixabas, com destaque para Paulo Hartung (PMDB) e seu antecessor, Renato Casagrande (PSB), além do senador, Ricardo Ferraço (PSDB) e o prefeito da Capital, Luciano Rezende (PPS).
 
A bomba sobre Hartung foi pesada porque revelou a atuação do governador junto aos operadores da empreiteiras, quando estava na planície, como “consultor informal” da Odebrecht, em troca de recursos para seus aliados nas campanhas eleitorais de 2010 e 2012. 
 
Em 2011, recém saído do governo, Hartung tinha muitas informações sobre as potencialidades de negócios no Estado, o que atraia o ex-presidente da  Odebrecht Infraestrutura Benedicto Júnior ouvir Hartung. As conversas, não por acaso, aconteciam na empresa de consultoria Éconos, a qual Hartung tocava em sociedade com seu ex-secretário de Fazenda, José Teófilo.
 
No caso de Renato Casagrande, o peso simbólico de ter negociado recursos da empresa dentro do Palácio Anchieta, como revelou o delator Sérgio Neves, deixa a coisa aparentemente mais grave, se comparada ao modus operandi de Hartung, bem mais discreto. Embora as contrapartidas prometidas à empreiteira - Quarta Ponte, BRT e túnel Vitória-Vila Velha - pareçam ser apenas um blefe de casagrande para conseguir os recursos da empresa, a negociação na sede do governo eleva o tom da denúncia, caso a delação de Neves seja comprovada.
 
Dadas as devidas proporções, porém, ambos estão rigorosamente na mesma vala: tanto Casagrande como Hartung correm o risco de ficar de fora do processo eleitoral de 2018. Se a Odebrecht investiu nos dois, porque entendia que, primeiro Hartung era o grande articulador político do Estado e a partir da eleição de 2010, passa a dividir esse controle com Casagrande, a situação muda completamente esta semana.
 
Se comprovados os conteúdos das delações, os principais atores da política capixaba estarão agora unidas por um mesmo crime: o caixa dois. Independentemente do modo de atuação de cada um nas “negociatas” delatas, a irregularidade é a mesma.
 
Batalha nas redes sociais
 
Enquanto a Justiça não toma uma decisão - e isso pode levar anos -, a guerra de bastidores já começou. Na quinta-feira (13), antes da divulgação do vídeo com a delação de Sérgio Neves, o ex-governador vinha reafirmando que as doações que recebera haviam sido legais, mas a divulgação do vídeo do delator desmontou essa tese. 
 
Da mesma forma que Hartung vinha defendendo que não teria recebido recursos da Odebrecht, simplesmente porque não disputou as eleições em 2010 e 2012, afirmação também desmontada na delação de Benedicto Júnior, que esclareceu que o dinheiro (R$ 1,080 milhão) repassado ao operador de Hartung, Neivaldo Bragato, seria destinado a aliados do peemedebista.
 
Nesta sexta-feira (14), a batalha foi transferida para as redes sociais. Ao mesmo tempo em que parte da imprensa deixa de lado ou “alivia” as acusações ao governador e faz carga na delação de Neves sobre Casagrande, um texto vem sendo divulgado nas redes sociais (veja abaixo), dizendo que a situação de Hartung é diferente da de Casagrande porque o governador não é acusado de corrupção e sim, de crime eleitoral.
 
Mas a questão não é bem assim, as "consultorias informais" de Hartung podem ser interpretadas como crime de tráfico de influência. Casagrande ofereceu vantagem, mas não houve efetivamente uma obra em que a Odebrecht fosse contemplada em seu governo, mas a negociata já poderia ser considerada crime.
 
Tanto Casagrande quanto Hartung tiveram seus casos enviados à Justiça, Hartung, por estar no cargo de governador terá seu caso analisado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ); já o de Casagrande, sem mandato, portanto, sem prerrogativa de foro, segue para o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2). Caso sejam considerados culpados das acusações, ambos estarão condenados por colegiado, ou seja, com a ficha suja e direitos políticos suspensos, o que os deixaria fora da disputa de 2018.
 
Reflexão
 
- O governador Paulo Hartung NÃO é investigado por corrupção.
 
- O que tentam atribuir a ele é crime eleitoral. Mas o governador  nem foi candidato em 2010 e 2012 . E também não pediu doações para ninguém. Essa injustiça vai ser desmontada no STJ.
 
- O próprio delator isenta o governador e disse:  ele nunca se movimentou para dar benefícios à empresa . Nunca . O delator também diz que o governador não é patrimonialista. 
 
- A situação dele é bem diferente de Luciano Rezende e  Renato Casagrande - eles são acusados  de vantagem indevida . Ou seja :  corrupção

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