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Quem sobra?


14/04/2017 às 12:14

De terça-feira para cá, muita coisa mudou no cenário político do Estado, com a bomba que atingiu as principais lideranças que se colocavam na vitrine para 2018. Os nomes cotados para a disputa ao governo e ao Senado se desvalorizaram e muita gente já os coloca como cartas fora do baralho. Será possível se recuperar de um golpe tão duro até o início da eleição do próximo ano?

Rápido e rasteiro, o governador Paulo Hartung (PMDB) parece já estar tomando nos bastidores suas medidas de contenção de crise. A ideia dos emissários é tentar jogar carga nos desgastes de Ricardo Ferraço (PSDB) e Renato Casagrande (PSB). Mais uma vez, Hartung deixa de lado o requinte e deixa transparecer a manobra para se salvar.

O tucano, fora do páreo, abriria a tão sonhada vaga ao Senado, além de aliviar o peso sobre o governador. No caso do antecessor, a ideia é apontar para o socialista, como quem diz: "Ele está mais feio na foto do que eu". Não está. A coisa para o lado de Casagrande é séria, mas Hartung não fica muito longe disso também.

Em menor escala, o desgaste afeta ainda o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), que parecia uma perigosa estrela em ascensão para o processo eleitoral. Também afeta indiretamente seu adversário em 2016, Amaro Neto (SD), afinal, Roberto Carneiro (PDT), operador de Hartung em 2012, foi seu vice na disputa à prefeitura e é o diretor da Assembleia Legislativa indicado por Amaro.

O respingo da Odebrecht nos principais caciques da disputa eleitoral do Estado abre espaço para as novas lideranças, mas é preciso cuidado. Hoje, Casagrande, Hartung, Luciano e Ricardo são figuras tóxicas para o eleitorado. Estar perto deles é correr o risco de contaminar as imagens. Com o selo Lava Jato na testa, nenhuma dessas lideranças poderá ser uma boa companhia de palanque, afinal, as delações serão um prato cheio para os adversários.

Independentemente do tempo que leve o julgamento nas instâncias judiciais, o linchamento público já começou, uma malhação de judas que vai muito além do Sábado de Aleluia. Quanto aos acusados, caberá correr atrás da comprovação de suas inocências o quanto antes. Não que isso garanta uma absolvição pública, mas permanecer na dúvida poderá ser ainda pior. E o relógio está correndo!

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