Seculo

 

2018 sem PH e Casagrande


15/04/2017 às 19:36
As delações dos ex-executivos da Odebrecht tiram do jogo duas importantes lideranças da política capixaba. Independentemente do andamento das investigações, o estrago já está feito. O governador Paulo Hartung (PMDB) e seu antecessor Renato Casagrande (PSB) são nomes que podem ser considerados riscados das eleições de 2018.  
 
Depois da hecatombe desta semana, quem olha para o horizonte vê um cenário político devastado. Uma grande montanha de escombros que soterrou os planos de PH e Casagrande e, de quebra, ainda levou junto o prefeito de Vitória Luciano Rezende (PPS) que, a propósito, como disse aqui outro dia, era a liderança mais bem posicionada para encarar a corrida ao Palácio Anchieta em 2018. Vejam bem, era. Pretérito.
 
Nesse cenário devastado, a luta de PH passou a ser meramente pela sobrevivência. A maré que já não andava boa para o lado dele - com a crise na segurança pública e outros reveses políticos que passou a acumular nos últimos meses - o dragou de vez com a "delação do fim do mundo".  Ao ver o caminho se fechando cada vez mais, as saídas para PH são restritas. A mais natural seria simplesmente se desincompatibilizar em abril do ano que vem, passando de uma vez o bastão para o vice, César Colnago (PSDB). 
 
O tucano teria que se virar para fazer sua própria campanha ao governo, já que Hartung, com o selo da Lava Jato na testa, não servirá como cabo eleitoral para ninguém. 
 
Como uma ave de arribação, a senadora Rose de Freitas (PMDB) já sobrevoa os escombros para avaliar os estragos e refazer suas estratégias. Recentemente, ela quebrou feio o bico num mergulho cego. Percebendo a fragilidade político de PH, Rose entrou com tudo na disputa pela presidência da Amunes. Poderia ter sido uma rapina bem-sucedida se a senadora não escolhesse como candidato o prefeito de Viana Gilson Daniel (PV). Rose errou na estratégia e rachou a prefeitada, perdendo aliados importantes que, pressionados pelo Palácio Anchieta, passaram a apoiar o prefeito de Linhares Guerino Zanon (PMDB), que seria aclamado presidente, decretando a derrota de Rose.
 
Solta e independente, Rose trabalha agora para recuperar os territórios perdidos. Com perfil municipalista, ela depende desse reagrupamento para se viabilizar politicamente. Mas continua sendo uma incógnita para 2018.
 
Há quem ainda aposte que Luciano Rezende tenha forças e encontre um caminho para sair dos escombros. Acho muito difícil que ele tenha condições de voltar para o jogo. Luciano estava muito bem posicionado. Talvez estivesse em seu melhor momento, acuando PH com o caso Cesan e pavimentado sua estrada para 2018. O perfil inseguro, porém, é neste momento o maior adversário do prefeito, que ficou muito assustado ao ver seu nome na boca dos delatores da Odebrecht. Um golpe duro nas pretensões do prefeito.
 
Quem surge entre os escombros, pasmem, é o PT. É claro que os desígnios da Lava Jato são difíceis de prever. Mas uma possível candidatura de Lula ainda assombra muita gente. E se assombra é porque Lula ainda não pode ser riscado da disputa de 2018. Se Lula for candidato, ele pode içar o partido nos Estados e trazer os petistas para o jogo.
 
No Espírito Santo, o partido passa por profundas transformações que podem ser benéficas para o momento. A Era Coser parece estar perto do fim. O deputado federal Givaldo Vieira já está praticamente com as duas mãos no comando regional do PT. O virtual presidente fica ainda mais fortalecido por ter defendido durante sua campanha o rompimento com o governo Paulo Hartung. Com Givaldo, o projeto estadual do PT ficaria alinhado ao da nacional. 
 
O aspecto positivo é que o PT tem quadros para 2018. Poderia seguir com Helder Salomão como candidato ao governo, Givaldo ao Senado e o próprio João Coser como um nome forte para a Câmara. Não podemos esquecer que Coser ainda tem um bom recall, que não pode ser desprezado.  
 
O PT, aliás, poderia fazer uma interessante composição com o PDT, partido que é cortejado por todos nas disputas eleitorais - a noiva mais desejada. 
 
Outro nome que não pode ser ignorado neste novo cenário arrasado pós-delações é o do deputado estadual Sérgio Majeski. É problema é que hoje ele não tem legenda para disputar livremente. Com o retrospecto positivo que construiu na Assembleia, como uma revelação verdadeiramente inovadora nesse processo de ruína e de reconstrução pelo qual passa a política, Majeski está credenciado para disputar quase tudo, até o governo. Isso só não seria possível hoje no PSDB porque Colnago tem a senha número um nas mãos. 
 
Mas Majeski é cada vez mais uma realidade. O PSDB terá que reservar ao deputado um projeto especial à altura do potencial político que Majeski tem hoje, que não deve ser nada pequeno. A propósito, se ele decidir disputar a reeleição, será um dos deputados mais bem votados. 
 
Se Majeski souber se posicionar daqui para as eleições de 2018 poderá crescer muito mais. Ele só precisa ter consciência que os acontecimentos mexeram profundamente no tabuleiro eleitoral, antecipando todos os movimentos das lideranças que se mantém vivas no jogo. A hora de Majeski chegou. Ele tem de ter muita prudência, porém, para não dar o passo errado. Esse é um momento decisivo, que não admite erros.
 
Como afirmei, nesse cenário de terra arrasado é difícil arriscar quem estará em condições de disputar em 2018. Tudo é ainda muito recente. Mas prever quem não estará na linha de largada em 2018 está cada vez mais fácil.

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