Seculo

 

Delações da Odebrecht têm repercussão discreta na Assembleia Legislativa


17/04/2017 às 18:18
Depois do café da manhã de Paulo Hartung (PMDB) com dois terços do plenário da Assembleia (20 deputados), a expectativa era de que a sessão desta segunda-feira (17) fosse mais movimentada, por ser a primeira depois que as delações envolvendo políticos capixabas no esquema da Odebrecht vieram à tona na semana passada.
 
Mas o clima, pode se dizer, foi tranquilo. Alguns deputados até tentaram puxar o assunto, mas a base governista preferiu não revidar para não esticar a corda. Do lado da ala dos insatisfeitos com o governo do Estado os discursos não chegaram a ser incisivos, como se esperava do grupo.
 
O primeiro a tocar no assunto foi o deputado Euclério Sampaio (PDT), que se disse perplexo com as denúncias que vieram a público envolvendo o governador Paulo Hartung (PMDB) e outras lideranças capixabas. Ele também destacou a movimentação do governo para tentar barrar a CPI da Cesan na Assembleia.  
 
“A Odebrecht e a Delta estão atoladas até o pescoço e tiveram contratos milionários com a Cesan. Isso tudo leva a crer os motivos do trabalho incansável do líder do governo [deputado Gildevan Fernandes (PMDB)]  e do chefe da Casa Civil [José Carlos da Fonseca Júnior] para acabar com a CPI. Não querem que a Cesan seja investigada, mas temos que apurar os desvios”, cobrou o pedetista.
 
O deputado Sérgio Majeski (PSDB) pediu um aparte na fala de Euclério para lembrar que o atual diretor da Cesan,  Paulo Ruy Carnelli, consultor da Odebrecht. O tucano destacou a necessidade de se investigar a fundo a companhia.
 
Depois foi a vez do deputado Josias da Vitória (PDT), que afirmou a necessidade de o governador vir a público explicar as acusações, sugerir que a Casa deveria cumprir seu papel constitucional de cobrar essas explicações do governador no Legislativo estadual.
 
A base do governo preferiu não polemizar as questões levantados e trabalhou pelo esvaziamento do Plenário na pauta de votação para derrubar a sessão. Mas o horário das lideranças foi mantido. O deputado estadual Marcelo Santos (PMDB) ensaiou uma defesa indireta do governo, dizendo que não se pode generalizar as acusações, que até o momento se baseiam nas delações apenas.
 
Já o deputado Sérgio Majeski (PSDB) destacou que o momento é de reflexão para a população. O deputado afirmou que a situação chegou ao fundo do poço. Ele destacou as comparações entre as operações Lava Jato e Mãos Limpas, na Itália,  que também desmontou um esquema de corrupção endêmica no país europeu.
 
O deputado citou Noberto Bobbio. "A única maneira de defender as instituições democráticas é cerrando fileiras em torno dos que jamais tiveram a tentação de ir para o subsolo para não serem reconhecidos. São numerosos, felizmente. Mas precisam ter coragem de agir de modo consequente”, registrou o deputado.
 
“A população tem que entender como funcionam os subterrâneos da política brasileira e capixaba. Norberto Bobbio, pensador italiano, fala no ensaio ‘Democracia e Segredo’ como os segredos no subterrâneo da política alimentam a corrupção e a criminalidade”, afirmou Majeski. 

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