Seculo

 

Só delírios


19/04/2017 às 12:28
No depoimento entregue por escrito ao Ministério Público Federal (MPF) pelo ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Júnior, o BJ, é mais uma explosão nos argumentos do governador Paulo Hartung (PMDB) sobre a citação de seu nome na lista da empreiteira.
 
Quando BJ afirma que ele coordenava arrecadações de campanhas eleitorais e que um dos pedidos de recursos aconteceu dentro da Residência Oficial da Praia da Costa, em Vila Velha, ele coloca uma pá de cal na história de que a denúncia não faz sentido porque Hartung não disputou as eleições de 2010 e 2012.
 
Tanto que a argumentação que sobrou foi é “delírio”. Isso não é uma resposta. Evidentemente que quem acusa é que tem de provar, mas quando uma liderança política do porte de Hartung não vem a público dar uma resposta consistente aumenta a insatisfação e insegurança quando à sua posição política. Delírio, não diz nada, não justifica nada. Pode até convencer alguns de seus bajuladores, mas até eles hoje estão querendo abandonar o barco.
 
Também fica demolida a tentativa por meio de sua rede de emissários, de tentar diferenciar a relação dele e do ex-governador Renato Casagrande (PSB). Isso porque na delação, Casagrande havia negociado o caixa dois dentro do Palácio Anchieta, agora com a notícia de que os pedidos de Hartung foram feitos dentro da Residência Oficial, Hartung perde a condição de se colocar em um patamar diferente de seu adversário político.
 
A única diferença mesmo é que Casagrande está na planície, mas Hartung é o governador. As acusações contra Casagrande são até mais implicadoras, mas a classe política tem como referência quem está na cadeira, com a caneta na mão. Daí a necessidade de Hartung aparecer mais, se pronunciar, não por nota, ou buscar apoio da classe empresarial e política, dentro do Palácio, isso só aumenta a sensação de que o governador não tem como explicar as acusações que lhe são atribuídas.
 
Mais uma vez, o excesso de confiança e o divórcio com a realidade tem feito com que o governo se complique cada vez mais. Não adianta esperar a onda passar. O efeito “Baianinho” já está na boca do povo e contar com o silêncio da classe política e de parte da imprensa não vai fazer o povo esquecer. O julgamento já começou e as lideranças políticas do jogo eleitoral do Estado, estão caminhando a passos largos para a forca.

Fragmentos:

1 – Senador Magno Malta (PR) participou pela manhã da reunião da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, e sentou ao lado de seu novo amigo de infância Ricardo Ferraço (PMDB). Fica a dúvida: a amizade permanece ou agora são apenas colegas de trabalho?

2 – Do deputado Euclério Sampaio (PDT) sobre a CPI da Cesan: “Quem pensa que me venceu está enganado. Eu vou montar outra e vou passar todo dia colhendo a assinatura dos deputados. Por que não querem investigar a Cesan, gente? O ex-presidente (Paulo Ruy Carnelli) está denunciado na Lava Jato. O Palácio quer proteger”.

3 –  O deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) se descuidou do microfone e deixou escapar uma frase reveladora: “Não tem sujeito que mais trabalha contra projeto de deputado do que esse Gildevan Fernandes (PMDB)”.

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Comentários

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Precipitou-se

Com um olho em 2018 e outro em 2020, Luciano Rezende antecipou o processo eleitoral, mas esqueceu a Lava Jato. Aí mora o problema.

OPINIÃO
Renata Oliveira
Bicho-papão
O ajuste fiscal de Paulo Hartung precisa do exemplo do Rio de Janeiro tanto para cortar quanto para supervalorizar a liberação de recursos
JR Mignone
Qual rádio ouviria hoje?
Sinceramente, não saberia explicar que tipo de rádio eu ouviria hoje, isto é, que me motivaria a ligar o botão para ouvi-la: uma de notícia ou uma só de música selecionada
Caetano Roque
Pressão neles
O movimento sindical deve conscientizar o trabalhador sobre quem estará na disputa do próximo ano contra ele
Geraldo Hasse
A doença da intolerância
Ela está nos estádios, nos governos, nas igrejas, nos parlamentos, nas ruas, nos tribunais
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