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Delações igualam Hartung e Casagrande no jogo com a Odebrecht


19/04/2017 às 14:10
Desde a divulgação dos vídeos com as delações dos ex-executivos da Odebrecht, incluindo as principais lideranças do Estado, o governador Paulo Hartung (PMDB) vem tentando se colocar em um patamar diferente dos demais denunciados. Ele afirma que não disputou a eleição em 2010 e 2012, por isso, não faria sentido seu envolvimento no recebimento de recurso para as campanhas eleitorais.
 
O depoimento entregue pelo ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Júnior, o BJ, ao Ministério Público Federal (MPF), embora apenas suponha que Hartung sabia do caixa dois, afirma que cabia ao governador Paulo Hartung (PMDB) coordenar arrecadações de campanhas eleitorais e que um dos pedidos feitos por ele teria ocorrido dentro da Residência Oficial da Praia da Costa, em Vila Velha.
 
Essa divulgação demole o argumento do governador de que sua situação é diferente da do ex-governador Renato Casagrande (PSB), também citado,  porque o socialista teria negociado recursos, segundo o delator Sérgio Neves, dentro do Palácio Anchieta. Nas redes sociais, durante o feriado da Páscoa, alguns textos circularam nas redes sociais tentando fazer essa diferenciação. Basicamente, a mensagem queria convencer que Casagrande agiu como criminoso, mas Hartung, não.
 
Esse argumento, com os documentos entregues, mostra que os dois se assemelham no modo de lidar com os executivos da Odebrecht. Chama atenção também o trânsito facilitado que BJ tinha no Estado. Embora muitas lideranças se queixem de não conseguir agenda com o governador, seja no mandato ou no período em que esteve na planície, atuando como consultor, o ex-presidente da empreiteira, tinha tapete vermelho para os encontros com Hartung.
 
Para os meios políticos, as delações reforçam um discurso dos grupos de oposição, que colocam Casagrande e Hartung no mesmo “balaio”. Mesmo tendo rompido essa relação na disputa de 2014, os dois principais atores que polarizam o cenário eleitoral do Estado e que eram aguardados como apostas para disputas futuras, ainda que indireta em 2018, tiveram uma relação muito semelhante com os operadores da Odebrecht.
 
Isso deve prejudicar os projetos eleitorais de ambos para a eleição do próximo ano. Hartung que vinha se movimentando na direção do Senado, chegou a cogitar a reeleição ao Palácio Anchieta, após a crise na segurança pública com a greve da Polícia Militar e agora enfrenta profundo desgaste até para concluir o mandato. 
 
Casagrande perdeu muito espaço desde o fim de seu governo e a movimentação que vinha sendo construída pelo prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS) colocava o socialista em uma situação de desvantagem.
 
Depois das delações, as expectativas iniciais, são de que o ex-governador terá muita dificuldade para se colocar em um patamar eleitoral de destaque, assim como o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS).

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