Seculo

 

Envolvimento de Ricardo Ferraço no esquema da Odebrecht inibe oposição de Theodorico na Assembleia


23/04/2017 às 18:54
A citação do nome do senador Ricardo Ferraço (PSDB) na lista da Odebrecht como beneficiário de um recurso de R$ 400 mil para campanha eleitoral de 2010, não afeta apenas o tucano. O desgaste na imagem do senador acaba respingando também nas movimentações do pai dele, o deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM).
 
O deputado não engoliu a manobra do Palácio Anchieta para impedi-lo de tentar o quarto mandato à presidência da Assembleia Legislativa. Desde então, para demonstrar seu descontentamento, Theodorico Ferraço vem usando o Plenário para fazer críticas ao governo. 
 
Entretanto, desde que o envolvimento do filho no esquema de Caixa 2 da Odebrecht veio à tona, o deputado tem evitado se expor. Apesar do nome de Theodorico não ter surgido em nenhum momento no escândalo, o deputado acaba sendo obrigado a tratar o caso do filho como um “problema de família”. Para todos os efeitos, um dos Ferraço está envolvido.
 
A desaceleração de Ferraço é nítida. A cada sessão, o deputado do DEM vinha subindo o tom das críticas ao governo Paulo Hartung. Com a guarda baixa após o contundente golpe da delação do ex-executivo da Odebrecht Benedicto Júnior, Hartung seria um alvo fácil para Ferração. O deputado tinha tudo para levá-lo para as cordas. 
 
Ferração e Ferracinho nunca fizeram par no cenário político. Pai e filho têm perfis políticos diferentes, forma de atuação diferente e seguem cada um seu caminho. Mas evidentemente que para o eleitor-médio, o desgaste de um pode ser visto como o desgaste do outro. Isso pode atrapalhar os planos políticos de ambos para 2018. 
 
Diferentemente do senador Magno Malta (PR), que vinha construindo uma parceria com o tucano com vistas a 2018. Até as delações eclodirem, Malta vinha “dando carona” a Ricardo Ferraço na “Caravana da Vida”, espécie de showmícios em bairros populares da Grande Vitória. 
 
Agora tudo mudou. Malta, que passou incólume das delações da Odebrecht não vai arriscar associar seu nome a um dos atingidos, tampouco defendê-lo. A essa altura o senador do PR já descartou a “dobradinha” com  Ricardo para 2018.
 
Para Theodorico, a situação é completamente diferente. Ele não abandonar o filho e tampouco hesitar, caso seja necessário, em sair em defesa do filho. O prejuízo para a imagem do deputado, porém, é inevitável.

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